Mesmo com o aquecimento da safra de cana-de-açúcar, o valor dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, continua a subir. Na primeira metade do mês, eles chegaram à quarta quinzena consecutiva de aumentos.
De acordo com cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores B3 – única entidade registradora do programa –, o preço médio dos CBios foi de R$ 130,10 na primeira quinzena de junho, alta de 9,8% em relação à quinzena anterior.
Além disso, o valor também ficou 28% acima da média de 2023, de R$ 101,65. Ele também é 65,9% maior que a média histórica do programa, de R$ 78,42.

Entre 1º e 15 de junho, foram comercializados 2,09 milhões de CBios, segundo a B3. O número reflete uma queda de 83,6% ante os 3,84 milhões de títulos vendidos no mesmo período de 2022.
Por sua vez, os preços dos títulos oscilaram entre R$ 86 e R$ 133,67.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
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Depois de uma ligeira alta na quinzena anterior, a emissão dos créditos desacelerou na primeira metade de junho.
No período, as usinas certificadas no programa escrituraram 901,82 mil CBios, em uma retração anual de 11%. Considerando o acumulado do ano, a geração de títulos já soma 14,72 milhões, alta de 10,9% em relação aos 13,27 milhões emitidos até junho de 2022.

Contando os créditos escriturados desde o começo de 2022, por sua vez, já foram colocados em circulação 45,95 milhões de CBios. O montante ultrapassa em 27,7% a meta estabelecida para o ano passado, de 35,98 milhões de créditos, e que deverá ser comprovada até setembro de 2023.
As obrigações de 2023, de 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até março do próximo ano.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do RenovaBio até o momento, já foram emitidos 95,33 milhões de CBios.

No dia 16 de junho, a B3 iniciou a sessão com 29,74 milhões de créditos em circulação. Deste total, 74,4%, ou 22,13 milhões de CBios, estava em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 6,61 milhões de CBios, o equivalente a 22,2% do montante. Por fim, os 1 milhão restantes (3,4%) estavam com investidores sem metas.

Entre janeiro e o começo de junho, 9,75 milhões de títulos foram aposentados, com 59,38 mil saindo de circulação na última quinzena. Levando em conta o acumulado desde o início de 2022, por sua vez, 26,57 milhões de CBios já foram retirados de circulação.
Desta forma, considerando os CBios aposentados desde janeiro de 2022 e os atualmente em circulação, o total de créditos chega a 56,31 milhões. Este volume seria suficiente para cobrir a meta de 2022 com um excedente de 20,33 milhões de CBios, ou 54,3% do objetivo de 2023.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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