No total, 33 empresas de açúcar e etanol foram listadas entre as mil companhias com as maiores receitas líquidas do país em 2020
O desenvolvimento de um setor econômico pode ser medido de muitas maneiras. Uma delas é a partir de seus dados financeiros, como receita líquida, lucro líquido, Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e endividamento oneroso.
A publicação Valor 1000, por exemplo, utiliza a receita para construir o ranking das mil maiores empresas do país. Na amostra referente a 2020, 33 sucroenergéticas ultrapassaram a linha de corte, três empresas a menos do que um ano antes, quando 36 companhias do setor entraram na lista. Contudo, é possível dizer que as empresas, em sua maioria, melhoraram seus resultados.
Dentre as companhias que tiveram seus dados contabilizados também em 2019, somente uma teve variação negativa de receita ante o ano anterior. Já as outras ampliaram seus ganhos com variações entre 4,1% e 58%. Assim, a receita média das sucroenergéticas que figuraram no ranking aumentou 26,6%, ficando em R$ 3,15 bilhões.
Além disso, pela décima vez consecutiva, a Copersucar foi a campeã nesta categoria, com uma receita de R$ 40,03 bilhões. O valor sofreu um aumento anual de 33,8%, uma vez que, um ano antes, a companhia tinha reportado um resultado de R$ 29,91 bilhões.
Atualmente, a empresa comercializa a produção de 34 usinas, pertencentes a 20 grupos econômicos. Segundo dados da cooperativa, o volume de açúcar vendido na safra 2020/21 aumentou 43%, contribuindo para a elevação da receita.
A Copersucar também foi eleita a Empresa de Valor da edição. A categoria considera somente as campeãs setoriais e leva em conta critérios que vão além dos valores contábeis, como envolvimento social, governança corporativa, respeito ao consumidor e sustentabilidade.
Confira no texto completo exclusivo para assinantes:
- Receita líquida das maiores do setor
- Lucro líquido das maiores do setor
- Ebitda das maiores do setor
- Endividamento oneroso das maiores do setor
- Histórico da elite do setor
- Resultados da Raízen
O desenvolvimento de um setor econômico pode ser medido de muitas maneiras. Uma delas é a partir de seus dados financeiros, como receita líquida, lucro líquido, Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e endividamento oneroso.
A publicação Valor 1000, por exemplo, utiliza a receita para construir o ranking das mil maiores empresas do país. Na amostra referente a 2020, 33 sucroenergéticas ultrapassaram a linha de corte, três empresas a menos do que um ano antes, quando 36 companhias do setor entraram na lista. Contudo, é possível dizer que as empresas, em sua maioria, melhoraram seus resultados.
Dentre as companhias que tiveram seus dados contabilizados também em 2019, somente a Santa Terezinha teve variação negativa de receita ante o ano anterior, com queda de 6,7%. Já as outras ampliaram seus ganhos com variações entre 4,1% e 58%. Assim, a receita média das sucroenergéticas que figuraram no ranking aumentou 26,6%, ficando em R$ 3,15 bilhões.
Além disso, pela décima vez consecutiva, a Copersucar foi a campeã nesta categoria, com uma receita de R$ 40,03 bilhões. O valor sofreu um aumento anual de 33,8%, uma vez que, um ano antes, a companhia tinha reportado um resultado de R$ 29,91 bilhões.
Atualmente, a empresa comercializa a produção de 34 usinas, pertencentes a 20 grupos econômicos. Segundo dados da cooperativa, o volume de açúcar vendido na safra 2020/21 aumentou 43%, contribuindo para a elevação da receita.
A Copersucar também foi eleita a Empresa de Valor da edição. A categoria considera somente as campeãs setoriais e leva em conta critérios que vão além dos valores contábeis, como envolvimento social, governança corporativa, respeito ao consumidor e sustentabilidade.
A empresa vem apresentando a maior receita líquida do setor de açúcar e etanol desde o início das publicações, em 2011. Em 2020, o resultado rendeu a 17ª colocação no ranking geral da publicação do Valor Econômico, ganhando cinco posições no comparativo com 2019.
Na sequência, mantendo por mais um ano as suas posições, a Tereos e Biosev ocuparam, respectivamente, a segunda e terceira colocações. A primeira apresentou uma receita de R$ 11,33 bilhões, com uma variação positiva de 7,7%. Já a Biosev obteve R$ 10,33 bilhões, reportando o maior aumento percentual do setor no comparativo anual, com 58%.
Em 2019, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) estava em quarto lugar no ranking, porém ela não se classificou entre as mil maiores companhias do país em 2020. Com isso, a São Martinho e a Lincoln Junqueira ganharam uma posição cada, ficando em quarto e quinto lugar, respectivamente.
As duas também apresentaram ampliações em suas receitas líquidas no comparativo anual. A São Martinho, que controla quatro unidades, registrou R$ 4,31 bilhões, com variação de 16,5%. Já a Lincoln Junqueira reportou ganhos de R$ 3,08 bilhões, alta de 17,5%.

Além da Biosev, as empresas com os aumentos de receita mais significativos entre 2019 e 2020 foram a Petribu Participações (+57,7%) e a Ester Agroindustrial (+48,7%).
Já as usinas Lins e Batatais não estavam no ranqueamento de 2019, de modo que não é possível fazer esse comparativo. Por sua vez, Atvos, Balbo, Ferrari, Goiasa, Barralcool e Clealco, que estavam presentes naquele ano, deixaram de fazer parte da relação em 2020.
Maiores lucros
Assim como a receita líquida, o lucro líquido médio das companhias que aparecem no ranking teve variação positiva no comparativo com 2019, saindo de um prejuízo de R$ 38,86 milhões para um lucro médio de R$ 213,7 milhões.
No ano anterior, oito empresas tiveram resultados negativos. Entre elas, os piores números foram da Biosev, com perdas de R$ 1,55 bilhão, e da Atvos, com prejuízo de R$ 1,44 bilhão. Contudo, em 2020, apenas duas empresas registraram um saldo negativo, a Lincoln Junqueira, com R$ 95,9 milhões, e a Bevap Bioenergia, com R$ 10,4 milhões.
Neste quesito, em 2020, o melhor desempenho do setor foi o da São Martinho, que lucrou R$ 927,1 milhões e obteve uma variação anual positiva de 45,1%. Na publicação anterior, a companhia também ocupava o primeiro lugar.
Na sequência, a Tereos registrou ganhos de R$ 588 milhões. No ranking passado, a empresa havia tido um prejuízo de R$ 470 milhões.

Já a Zilor e a Colombo ficaram em terceiro e quarto lugar com lucros de R$ 447,3 milhões e R$ 405,3 milhões, respectivamente. A primeira teve uma variação anual de 201,7%, enquanto a segunda registrou alta de 87,1%.
A variação positiva mais significativa foi da Caeté, com uma elevação anual de 20.370,8%, seguida pela São João (+1.195,8%). As únicas variações negativas foram da Lincoln Junqueira (-200,5%) e da Bevap Bioenergia (-21,1%). O resultado da Santa Terezinha neste quesito não foi divulgado.
Desempenho operacional se mantém melhorando
Assim como os outros resultados apresentados, o Ebitda médio das sucroenergéticas teve um crescimento entre as amostras de 2019 e 2020. O valor passou de R$ 619,48 milhões para R$ 928,2 milhões, uma variação positiva de 49,8%.
O grande destaque foi a Biosev, que registrou R$ 3,93 bilhões e um crescimento anual de 73,7%. No ano anterior, a sucroenergética ocupava a segunda colocação. Já a São Martinho, que ocupou o topo por três anos consecutivos, caiu para segunda posição com um Ebitda de R$ 2,94 bilhões (+20,6%).

Dentre as 33 companhias presentes na lista do Valor 1000, apenas três tiveram variações negativas: Coruripe (-7,1%), Batatais (-14,2%) e São João (-1,7%). No ano anterior, oito sucroenergéticas apresentara queda, com destaque para os grupos Clealco (-77,2%) e Lincoln Junqueira (-31,3%).
Já entre as variações positivas, as maiores foram: Colombo (+178,1%), Ester (+142%), Tereos (+133,3%) e Petribu Participações (+131,9%). Novamente, o desempenho da Santa Terezinha não foi divulgado.
Dívidas em queda
Acompanhando as melhoras nos resultados anteriores, a dívida das maiores sucroenergéticas caiu. O endividamento oneroso médio das 33 empresas diminuiu 10,7% na comparação anual, ficando em R$ 1,96 bilhões. Em 2019, ele era de R$ 2,02 bilhões.
O dado demonstra os gastos mensais e obrigatórios com encargos financeiros, incluindo taxas e juros, além de itens como debêntures, empréstimos e financiamentos.
Em 2020, o maior endividamento foi a Tereos, que antes ocupava a quinta posição, chegando a R$ 8,37 bilhões (+38,6%). No ano anterior, a Atvos liderava o ranking, com R$ 11,91 bilhões.

No total da amostra, 11 sucroenergéticas conseguiram diminuir seu endividamento, enquanto em 2019 apenas cinco haviam conseguido tal feito. Entre os destaques desta retração estão: Cerradinho (-75,3%), Bazan (-43%) e São Martinho (-37,6%).
O resultado da Santa Terezinha não foi divulgado.
Evolução das maiores empresas do setor
Considerando a série histórica de resultados divulgados pelo Valor 1000 e compilada pelo NovaCana, a Copersucar, maior empresa do setor em receita líquida, registra aumentos progressivos nos ganhos desde 2014.
A Tereos, segundo lugar no ranking de receita em 2020, vem apresentando uma sequência de altos e baixos, incluindo uma queda em 2019 e uma recuperação em 2020. Já a São Martinho vem apresentando crescimento desde 2011, com uma estabilização na receita líquida entre 2017 e 2018.
Dentre as setes maiores empresas por receita líquida, nenhuma apresentou redução neste resultado no último ano. Além disso, todas tiveram receitas acima dos R$ 2 bilhões. O aumento mais expressivo foi o da Biosev, com 58%, saltando para R$ 10,33 bilhões – este é o valor mais alto da empresa, considerando o início da série histórica, em 2012.

Em relação ao resultado líquido, a Biosev vinha registrando prejuízos desde 2012; contudo, em 2020, ela inverteu o jogo, tendo lucro líquido de R$ 163 milhões. Assim, todas as empresas da elite do setor apresentaram lucro na classificação mais recente.
A São Martinho vem apresentando lucro desde o início da série histórica, atingindo um novo recorde em 2020, com R$ 927,1 milhões. Além dela, a Zilor manteve seus resultados no azul pelo segundo ano consecutivo, após dois períodos de prejuízos.
Os dados de históricos trazidos pelo NovaCana se referem aos números publicados no ano correspondente ao da divulgação, não considerando possíveis revisões posteriores. Assim, as variações trazidas pelo Valor 1000 podem diferir caso comparadas com a série histórica.
Raízen tem piora no desempenho anual
A Raízen é a maior sucroenergética do país, tendo controlado 26 usinas em 2020. Contudo, ela não está entre as 33 maiores companhias do setor de açúcar e etanol, uma vez que, por conta da metodologia adotada pelo Valor 1000, as empresas do grupo foram reunidas, recebendo classificação no setor de petróleo e gás, já que atuam com a distribuição de combustíveis.
Com uma receita líquida de R$ 114,6 bilhões em 2020, a companhia registrou, pela primeira vez desde 2014, queda de 5% na comparação anual. O resultado pode ser fruto da diminuição do consumo de combustível, advindo da pandemia. Mesmo assim, a companhia se manteve no quarto lugar no ranking geral por receita líquida pelo terceiro ano consecutivo.

Nos outros valores compilados, a empresa também registrou queda. O lucro líquido foi de R$ 1,55 bilhão, representando uma retração anual de 35,4%. Já o Ebitda teve um decréscimo de 7,4% entre os dois anos, saindo de R$ 9,03 bilhões para R$ 8,36 bilhões.
Por outro lado, o endividamento oneroso da companhia teve uma leve queda entre as duas compilações de dados, passando de R$ 28,97 bilhões para R$ 28,84 bilhões.
NovaCana DATA
Lucas Vasconcelos – NovaCana