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E2G: Com plano ambicioso e meta de preço em 2014, CTC vai inaugurar usina demo

Infogr CTC E2G vminiO maior centro de pesquisa em cana do mundo começou sua curva de aprendizado com o etanol celulósico em 2007 e agora se prepara para dar mais um passo para alcançar preços competitivos e escala de produção
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O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) não lidera a corrida pelo etanol de segunda geração (E2G) no Brasil, título que parece ser da GranBio, mas o centro é pioneiro e está numa curva de aprendizado que começou ainda em 2007.

Nesta corrida, o CTC busca produzir o biocombustível a preços competitivos já na fase de testes, que começa em junho com a inauguração da sua planta de demonstração. Mas não é só preço que busca o CTC, escala de produção e um ambicioso plano de penetração nas usinas também fazem parte da estratégia.

Confira a seguir como estão os planos do CTC, quanto deverá custar o etanol celulósico do CTC até o final do ano, a redução no custo por litro desde 2007, os detalhes da planta de demonstração e os avanços tecnológicos que permitiram as significativas reduções nos preços do E2G.

E mais: infográficos com a curva de aprendizado e apostas do CTC
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O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC)  não lidera a corrida pelo etanol de segunda geração (E2G) no Brasil, título que parece ser da GranBio, mas o centro é pioneiro e está numa curva de aprendizado que começou ainda em 2007.

Nesta corrida, o CTC busca produzir o biocombustível a preços competitivos já na fase de testes, que começa em junho com a inauguração da sua planta de demonstração.  Esta planta deve receber, no total, cerca de R$ 200 milhões em investimentos.

Com capacidade para produzir até 3 milhões de litros, a planta é resultado de uma parceria com a Usina São Manoel, localizada na cidade de mesmo nome, e será integrada ao processo de produção do etanol 1G já existente na usina.

O projeto conta com recursos do PAISS Agrícola e já no mês que vem deve começar a operar em fase de demonstração durante 12 a 18 meses. A expectativa é que em 2016 o projeto vá para escala comercial.

Enquanto a indústria faz apostas sobre qual deverá ser a matéria-prima do etanol celulósico, o CTC testará tanto a palha quanto o bagaço de cana no processo.

infografico E2G curva de aprendizado

Novos parceiros

A exemplo de empresas como GranBio e Raízen, que já têm parceiros para a produção do combustível, o CTC ainda busca o modelo de negócio mais adequado ao projeto.

O atraso em relação à usinas semelhantes, como a Bioflex, da GranBio, que funcionará em escala comercial ainda neste ano, não preocupa o CTC. O maior centro de pesquisa em cana do mundo busca não só a viabilidade do negócio, mas parceiros para um projeto ambicioso para alcançar escala de produção e de adoção entre as usinas.

"Essa escala envolve obrigatoriamente investidores e tem um risco enorme. A expectativa é que o CTC possa, inclusive, atrair outros parceiros em termos de equipamentos, processos e até mesmo produtores de etanol 2G em outros países que queiram levar esta tecnologia para esta escala", explica o assessor técnico da presidência do CTC,  Jaime Finguerut.

"Queremos ter em 2016 a possibilidade de vender o projeto comercial do CTC, ou do CTC e parceiros, e ser a melhor solução para o etanol de segunda geração", revelou Finguerut ao portal NovaCana.

Segundo ele, o objetivo do CTC é ficar com a usina, porém a empresa não descarta "outras possibilidades".

Longa trajetória

Mantida por sucroalcooleiras tradicionais, o CTC tem uma longa trajetória com o etanol celulósico. Desde que a dinamarquesa Novozymes rompeu em 2009 uma parceria envolvendo a produção de enzimas, a entidade tem desenvolvido suas próprias tecnologias.

As pesquisas começaram em 2007 e incluíram testes em uma planta de etanol celulósico da Suécia. Além da planta de demonstração na Usina São Manoel, o CTC mantém uma planta piloto em Piracicaba, com capacidade para produzir até 3 mil litros. O número é inferior à capacidade total da planta de demonstração em função da escalabilidade do projeto. A unidade de demonstração deve unificar as etapas de produção para que ocorram simultaneamente.

O processo de produção do bioetanol é semelhante ao de outras usinas, e envolve a limpeza da biomassa, pré-tratamento, hidrólise (quebra da celulose em glicose), fermentação e destilação que, por sua vez, separará a água do combustível.

Custo de produção

Por se tratar de um negócio caro e de alto risco, a estratégia do CTC é "sintonizar os parâmetros do projeto e reduzir seu custo". Considerada um "luxo", a planta de demonstração é o local ideal para um aprendizado rápido. "Esta planta partiu, basicamente, da nossa análise, do nosso desenvolvimento e da nossa necessidade absoluta. É algo caro. É quase um luxo. Mas a gente acredita que sem ela não teríamos como aprender rapidamente e ir para a escala comercial", admite.

Uma apresentação do CTC realizada em abril deste ano, durante o 11o Seminário Brasileiro de Tecnologia Enzimática, revela que desde o início de suas pesquisas com o etanol 2G, em 2007, o centro conseguiu reduzir significativamente o custo do combustível a partir de sua planta demo (veja infográfico).

Em 2007, por exemplo, o bioetanol custava R$ 7,52/litro. Com a melhoria dos processos de hidrólise enzimática e o desenvolvimento de enzimas, o valor diminuiu para R$2,74 em 2009 e R$ 2,16 em 2010. A partir do segundo semestre de 2010, com a melhoria da fermentabilidade, o preço caiu para R$ 1,81. O objetivo é que o custo do etanol 2G chegue, neste ano, a R$ 1,20. Em escala comercial, o valor deve ser ainda menor e poderá atingir R$ 0,76/litro.

Para ser competitivo, o etanol celulósico precisa ser mais barato que o de primeira geração.  "Isso hoje é possível? É difícil. Mas é possível. Temos que reduzir o custo do investimento. É o que estamos fazendo. [É preciso] reduzir o custo das enzimas e aumentar a performance, e temos que aprender a fermentar todos os açúcares da cana.  Hoje a gente só sabe fermentar uns 70% dos açúcares. Tudo isso a gente pretende colocar em prática na planta de demonstração", avaliou o assessor técnico do CTC.

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Leonardo Siqueira – NovaCana
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