Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 19 a 25 de setembro:

O preço médio da gasolina subiu 0,26% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 0,23%
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 346 municípios, seis a mais do que na semana anterior
O Brasil completou oito semanas consecutivas em que os preços dos combustíveis sofrem aumentos nas bombas. E o prognóstico não é dos mais favoráveis. Conforme divulgado pela XP Investimentos, os produtos devem seguir em patamares altos nos próximos meses especialmente por conta da alta do petróleo, do câmbio e, também, pela baixa oferta de etanol.
Segundo o presidente da Ipiranga e do conselho de downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Marcelo Araujo, “não dá para fazer milagre” para reduzir os preços dos combustíveis, sendo necessário alterar fatores estruturais do setor, especialmente o sistema tributário.
Entre os dias 19 e 25 de setembro, o valor da gasolina teve um incremento de 0,26% nos postos, saindo de R$ 6,076 por litro para R$ 6,092/L, em média. O etanol, por sua vez, teve um acréscimo de 0,23%. Na média nacional, o preço passou de R$ 4,704/L para R$ 4,715/L entre as últimas duas semanas.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, o etanol deve demorar para recuperar certa competitividade, principalmente com a aproximação da entressafra.
No período analisado, o biocombustível custou o equivalente a 77,4% do preço de seu correspondente fóssil, o mesmo índice de uma semana antes.
Com isso, o etanol segue distante do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores. Além disso, esta segue sendo a pior relação para o produto desde o intervalo de 13 a 19 de junho, quando o índice era de 77,5%.

Nas usinas, também houve aumentos. Nas unidades paulistas, o acréscimo no preço do hidratado foi de 1,12%, passando de R$ 3,2635/L para R$ 3,2999/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses, o incremento foi de somente 0,04% e nas goianas, de 0,84%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.
É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 346 municípios, seis a mais do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.
Segundo a ANP, de 19 a 25 de setembro, o preço do etanol subiu na média de 15 estados e no Distrito Federal, caiu em dez e não foi analisado no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 12 unidades da federação.

Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um aumento de 0,27%, custando R$ 4,516/L na média semanal – ainda assim, este é o valor mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,775/L, passando por crescimento de 0,07%.
A maior taxa de elevação para o renovável no comparativo com o fóssil ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 78,2%, ante os 78% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 101 cidades, quatro a menos do que na semana anterior.
Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 4,763/L na média da semana analisada. No período, houve uma breve queda de 0,08% no preço do biocombustível. Já a gasolina sofreu uma diminuição de 0,36%, sendo vendida a R$ 6,380/L.
Assim, a redução foi mais evidente para o combustível fóssil e a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,7% no estado, acima dos 74,4% de uma semana antes; dessa forma, o etanol segue não sendo considerado competitivo. Segundo a ANP, 13 cidades foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais teve uma redução de 0,13% no preço médio do etanol, que foi comercializado por R$ 4,760/L. A gasolina também passou por um decréscimo de 0,27% e foi negociada a R$ 6,315/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 75,4% do preço do combustível fóssil, índice pouco superior ao da semana anterior, quando era de 75,3%. No total, 43 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o etanol teve uma redução de 0,42%, a maior dentre os estados que mais produzem, e foi vendido a R$ 4,552/L. Já a gasolina teve uma retração de 0,36%, passando a custar R$ 6,143/L. Desta forma, a relação entre os preços foi de 74,1%, a mesma da semana anterior e a melhor relação dentre todas as unidades da federação. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mantendo a quantia do período anterior.
Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,32%, para R$ 4,769/L. A gasolina, por sua vez, teve aumento de 0,23%, ficando em R$ 6,003/L. Assim, o biocombustível seguiu custando o equivalente a 79,4% do preço de seu concorrente fóssil, mesmo índice de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.
Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o produto custando o equivalente a 81,7% do preço da gasolina; o valor representa uma redução semanal do índice.
No período, o renovável teve um incremento de 2,04%, sendo vendido por R$ 4,848/L na média estadual, o maior valor dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina teve um aumento de 2,31%, ficando em R$ 5,936/L. No total, 20 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 19 e 25 de setembro, 346 cidades foram pesquisadas, seis a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana