São sete anos de existência e uma constância: prejuízo. Mas em 2015 a situação foi diferente, o rombo deixou a casa das centenas de milhões para se aproximar de um bilhão de reais em apenas 12 meses
Operando no vermelho desde que iniciou suas atividades, a Petrobras Biocombustível (PBio), subsidiária da petroleira no setor de etanol e biodiesel, divulgou os resultados detalhados relativos ao exercício de 2015.
A PBio possui participação três empresas do setor e nove usinas, porém, apenas uma delas apresentou lucro. Nas demais oito usinas a presença da PBio é marcada por prejuízos sistemáticos praticamente desde o início da operação em conjunto.
Somados, os prejuízos do braço da estatal alcançaram R$ 955,9 milhões, o pior resultado da história da divisão de biocombustíveis da Petrobras em apenas um ano.
Deste total, mais de R$ 340 milhões são atribuídos às operações no mercado sucroenergético.
Veja na reportagem:
- Evolução do prejuízo da PBio ao longo dos anos;
- Dados sobre a produção das coligadas;
- Detalhamento dos resultados da PBio;
- Resultados detalhados por ano de cada uma das empresas;
Operando no vermelho desde que iniciou suas operações, a Petrobras Biocombustível (PBio), subsidiária da petroleira no setor de etanol e biodiesel, divulgou os resultados relativos ao exercício de 2015.
Diferente de 2014, quando houve uma leve recuperação do prejuízo, no ano passado a empresa registrou prejuízo quase três vezes maior que no período anterior.
O prejuízo líquido total foi de R$ 955,9 milhões, o maior da história da PBio e três vezes superior ao maior valor registrado até então, os R$ 323 milhões perdidos em 2013.

Com o aumento nas perdas, o prejuízo acumulado quase dobrou de um período para outro, salto de R$ 1,199 bilhão em 2014 para R$ 2,154 bilhões em 2015. O prejuízo por lote de mil ações também saltou drasticamente, atingindo R$ 2.730,41, ante R$ 843,19 do exercício anterior – aumento de 223,8%.
Do total, R$ 340,4 milhões são atribuídos às operações envolvidas na produção de etanol.
Das três empresas em que a PBio possui participação no setor – Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG) – apenas a Nova Fronteira, joint venture em parceria com o grupo São Martinho, registrou lucro no período. Foram R$ 67,3 milhões. No entanto, o prejuízo somado das outras duas participações em 2015 alcançou R$ 279 milhões.
A receita com a venda de biodiesel apresentou aumento de 19%, passando de R$ 623 milhões para R$ 768,7 milhões. Ainda assim não foi suficiente para cobrir os custos de produção, que também aumentaram, saltando de R$ 707,4 milhões para R$ 844,5 milhões, incremento de 16,3%.
O aumento da receita segurou um pouco o prejuízo bruto, que caiu 10,3%, baixando de R$ 84,3 milhões para R$ 75,7 milhões.
De acordo com o relatório, no setor de etanol, a PBio obteve faturamento líquido 8% maior em 2015 devido à manutenção do volume de processamento de cana e preços maiores de etanol e açúcar, que compensaram em parte a redução dos volumes e preços da energia elétrica no mercado spot. Ainda assim, o lucro operacional foi 26% menor por causa dos maiores custos de produção, principalmente do açúcar.
Apesar de não detalhar os dados relativos ao etanol, o documento traz informações sobre o resultado líquido do segmento. Segundo a empresa, em dezembro de 2015 foram analisados os ativos do setor do biocombustível e foram provisionados R$ 290 milhões para perda, sendo R$ 217 milhões para a Guarani e R$ 73 milhões para a Bambuí. Além disso, também foram provisionados R$ 91,7 milhões referentes ao aporte de R$ 268,1 milhões na Guarani. Com essas perdas, o resultado líquido do segmento foi de R$ 488 milhões negativos.
Produção
Juntas, as três empresas encerraram a safra 2015/2016 com 26,1 milhões de toneladas de cana processadas, redução de 1,1% em relação ao processamento da safra anterior.
Etanol, açúcar e energia elétrica, consequentemente, também apresentaram diminuições. A produção do biocombustível foi de 1,2 milhão de m³, queda de 4,6%; o adoçante registrou 1,5 milhão de toneladas produzidas, número 6,6% menor.
A maior queda registrada foi nas vendas de energia elétrica. Com 1,2 GWh comercializados a diminuição foi 8,2% em comparação à safra passada.
Única a ter lucro: Nova Fronteira Bioenergia
A joint-venture entre a PBio e o Grupo São Martinho foi, mais uma vez, a única entre as empresas sucroenergéticas com investimentos da Petrobras a apresentar lucro. Os 49% da sociedade pertencente à Petrobras Biocombustível representam o controle da Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), capaz de moer 4 milhões de toneladas de cana.
Segundo o relatório, a operação registrou lucro de R$ 67,3 milhões.
A usina Boa Vista se manteve como a maior produtora exclusiva de etanol do Brasil com 393 milhões de litros gerados. Aumento de 2,3% em relação à safra anterior.

Bambuí: prejuízo em dobro
Mesmo com moagem e produção de etanol 8% e 11% superiores, respectivamente, a Bambuí Bioenergia apresentou prejuízo praticamente dobrado em relação ao período anterior.
O documento não apresenta informações que detalhem o prejuízo da empresa, mas diz que o resultado de R$ 138,4 milhões negativos impactou na financiabilidade do negócio.
A PBio tem participação de 43,58% na usina que é controlada pela Total Agroindústria Canavieira. A planta pode moer 2,4 milhões de toneladas de cana e recebeu quase R$ 155 milhões em investimentos da estatal.

Guarani: perdas R$ 50 milhões maiores
Controla pela francesa Tereos Internacional, a Guarani é o maior investimento da PBio em termos de volume de produção. Em janeiro deste ano a Petrobras Biocombustível integralizou o último aporte do acordo de investimento entre as empresas no valor de R$ 268,1 milhões, aumentando sua participação acionária na Guarani de 42,95% para 45,97%.
As perdas nas unidades do grupo chegaram a R$ 140,7 milhões.
De acordo com o relatório, os resultados da Guarani foram afetados por condições climáticas adversas. Houve queda na moagem de cana devido ao início antecipado da temporada de chuvas.
Foram processadas 20,1 milhões de toneladas de cana, 0,5% a menos que no período anterior, e produzidos 681 milhões de litros de etanol, aumento de 5,3%. Não há informações sobre produção de açúcar e energia nas unidades.
Etanol de segunda geração
O documento apresenta apenas um parágrafo sobre o etanol de segunda geração, dizendo que o “desenvolvimento do processo de produção do etanol celulósico prosseguiu em 2015 e foi prioridade nas pesquisas relacionadas aos biocombustíveis. Foram realizados testes para determinar as condições mais eficazes de produção e os equipamentos mais adequados”.
A estatal também realizou estudos utilizando resíduos da cultura da palma, em que cachos vazios e folhas apresentaram viabilidade técnicas para produção de etanol.
Segundo as informações do relatório, a Fase 2 do projeto Etanol 2G foi concluída e a estatal admitiu que não há previsão para implantação do investimento.
Jorge Mariano – NovaCana


