Levantamento realizado pela FG/A detalha desempenho financeiro e operacional das companhias em 2017/18; gráficos exclusivos comparam resultados
Dados divulgados em primeira mão pela consultoria FG/A ao NovaCana dão um panorama de como vai a saúde financeira de diversos players do setor e evidenciam as dimensões atuais da heterogeneidade que vem sendo intensificada nos últimos anos.
A disparidade nos resultados dos players do setor sucroenergético se fez cada vez mais evidente nos últimos anos, durante a recuperação após a grande crise econômica. Empresas capitalizadas e com finanças sólidas são capazes de enfrentar altos e baixos, mantendo as dívidas em dia, enquanto grupos com menos dinheiro em caixa, que bambeiam frente a oscilações de mercado, estão com dificuldades para controlar o endividamento.
Conforme o sócio da consultoria Willian Orzari Hernandes, indicadores como liquidez, dívida e geração de caixa mostram que os players sucroenergéticos que estão economicamente bem melhoraram muito no último ano; já os que estão em situação crítica apenas melhoraram, mas de forma gradual e quase imperceptível. Ele acrescenta: “Quando o dinheiro volta, ele volta primeiro para aquele player que não deu sinais de fragilidade”.
A amostra da FG/A compreende 57 empresas sucroenergéticas que representam cerca de 62% da moagem do Centro-Sul. As médias apresentadas no levantamento se referem a este grupo.

Além disso, a pedido do NovaCana, a consultoria divulgou dados individuais de 44 companhias. Em geral, há certa recuperação nos resultados dos grupos sucroenergéticos, porém a disparidade vista há um ano se repete. É importante ressaltar que a amostra estudada pela FG/A foi ampliada no comparativo entre as duas análises.
Confira, na versão completa, a média histórica dos dez indicadores econômico-financeiros de 57 players do setor, além de dez gráficos detalhados referentes ao grupo na safra 2017/18 sobre:
1. Alavancagem
2. Dívida sobre moagem
3. Dívida sobre Ebitda
4. Liquidez corrente
5. Margem Ebitda
6. Faturamento sobre moagem
7. Ebitda sobre moagem
8. Custo-caixa sobre moagem
9. Despesas administrativas sobre moagem
10. Resultado financeiro sobre moagem
Dados divulgados em primeira mão pela consultoria FG/A ao NovaCana dão um panorama de como vai a saúde financeira de diversos players do setor e evidenciam as dimensões atuais da heterogeneidade que vem sendo intensificada nos últimos anos.
A disparidade nos resultados dos players do setor sucroenergético se fez cada vez mais evidente nos últimos anos, durante a recuperação após a grande crise econômica. Empresas capitalizadas e com finanças sólidas são capazes de enfrentar altos e baixos, mantendo as dívidas em dia, enquanto grupos com menos dinheiro em caixa, que bambeiam frente a oscilações de mercado, estão com dificuldades para controlar o endividamento.
Conforme o sócio da consultoria Willian Orzari Hernandes, indicadores como liquidez, dívida e geração de caixa mostram que os players sucroenergéticos que estão economicamente bem melhoraram muito no último ano; já os que estão em situação crítica apenas melhoraram, mas de forma gradual e quase imperceptível. Ele acrescenta: “Quando o dinheiro volta, ele volta primeiro para aquele player que não deu sinais de fragilidade”.
A amostra da FG/A compreende 57 empresas sucroenergéticas que representam cerca de 62% da moagem do Centro-Sul. As médias apresentadas no levantamento se referem a este grupo.

Além disso, a pedido do NovaCana, a consultoria divulgou dados individuais de 44 companhias. Em geral, há certa recuperação nos resultados dos grupos sucroenergéticos, porém a disparidade vista há um ano se repete. É importante ressaltar que a amostra estudada pela FG/A foi ampliada no comparativo entre as duas análises.
Segundo Hernandes, a melhora no cenário de preços do açúcar e do etanol, bem como no cenário macroeconômico (baixa nas taxa de juros e câmbio estável), favoreceu o Ebtida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somado ao resultado financeiro. A ampliação foi de 32% na média da amostra, ou R$ 11,00 por tonelada de cana moída. O resultado é ainda mais significativo entre as empresas menos alavancadas, com um aumento de 46%, ou R$ 20,00/t.
O grupo das dez empresas mais desalavancadas inclui as que possuem menor dívida líquida dividida pelo Ebitda, ou seja, são as que estão em melhores condições financeiras: São Luiz, Agropeu, Alta Mogiana, Jatiboca, Uberaba, Ipiranga Agro, Alto Alegre, Aroeira, São José da Estiva e Pedra Agroindustrial.
Além disso, a receita líquida e o Ebitda também melhoraram de forma equivalente nos dois grupos (média da amostra e menos alavancados): R$ 25,00/t e R$ 8,00/t, respectivamente.
Como os indicadores são formados
As relações entre as usinas, dada a diferença de tamanho entre elas, são traçadas a partir de indicadores que visam reduzir as diferenças, equilibrando a análise.
A dívida líquida, por exemplo, está presente em três indicadores: dividida pelo Ebitda, pela moagem e pelo patrimônio líquido, ou seja, a alavancagem. O Ebitda, por sua vez, é balizado pela receita líquida (margem Ebtida) e também pela moagem.
Aliás, o indicador de quanto de cana a usina esmagou na temporada é o mais usado pela FG/A para a análise dos resultados. Ele também aparece para balizar o faturamento, o custo-caixa, as despesas administrativas e o resultado financeiro.
Por fim, o ativo circulante dividido pelo passivo demonstra a liquidez corrente do grupo.
1. Alavancagem
A desalavancagem é o sonho de todas as usinas do setor. Afinal, esse é o indicador que evidencia aos investidores quais são os players mais estáveis economicamente, ou seja, onde vale a pena investir. A alavancagem é dada por vezes e os grupos com o indicador abaixo de 1 vez têm o patrimônio líquido superior às dívidas.
Na média dos 57 players, o índice subiu de 1,3 para 1,8 vez entre as duas safras. Segundo a FG/A, 16 players da amostra têm alavancagem abaixo de 1 vez, porém existem grupos com o índice muito elevado, passando de 10 vezes – a Araporã, por exemplo, registrou uma alavancagem de 45,03 vezes em 2017/18.
Por outro lado, sua despesa financeira líquida por moagem foi de R$ 11,24/t, valor que é pago para cada tonelada de cana moída. “O grupo paga menos do que a média setorial [R$ 15,00/t] e é um dos casos que não nos traz tanta preocupação, pois tivemos outros players pagando muito mais, como R$ 20,00 ou R$ 30,00 por tonelada de cana no ano passado", esclarece Hernandes.
Além disso, seis players apresentaram alavancagem negativa – neste caso, até mesmo o patrimônio líquido do grupo é negativo, distorcendo o indicador.
De acordo com Hernandes, dentre as empresas com baixa alavancagem há uma redução de endividamento mais expressiva do que na amostra total. Os players em melhores condições financeiras conseguiram reduzir mais de R$ 45,00/t ou até 50% da dívida líquida. “Outros dentro do top 10 preferiram não reduzir tanto o endividamento e optaram pelo crescimento das atividades”, relata.

2. Dívida sobre moagem
Em um setor amplamente endividado, a análise dos débitos pela moagem é importante e ameniza fatores estratégicos que influenciam no Ebitda, demonstrando o verdadeiro potencial da companhia. Segundo Hernandes, as despesas financeiras por tonelada de cana são muito maiores para os players que possuem dívida mais elevada. “É o resultado do perfil de risco de cada companhia”, esclarece.
Em 2017/18, a dívida média por tonelada de cana foi de R$ 131,08, um número menor do que o da última safra, que foi de R$ 135,20/t. Algumas empresa que estão abaixo da média são: Alto Alegre (R$ 59,85/t), Biosev (R$ 101,91/t), Cerradinho (R$ 107,53/t) e Raízen (R$ 121,36/t). Por outro lado, a amplitude da dívida por moagem na amostra é elevada, indo de R$ 0,26/t (São Luiz) até R$ 369,43/t (Bevap).
Segundo Hernandes, a dívida caiu cerca de R$ 30,00/t tanto na média da amostra quanto no grupo das empresas menos alavancadas. Por outro lado, esta redução pode ter pesos diferentes dependendo do tamanho da dívida de cada companhia.
“Estes R$ 30,00/t em uma usina que deve R$ 100,00/t são o pagamento de um terço da dívida, mas para uma empresa que tem dívida de R$ 300,00/t, não é nada, a melhora é muito menor”, reflete e questiona: “Qual é a probabilidade de uma Biosev ou de uma Atvos baixar mais do que R$ 30,00/t de dívida de um ano para o outro? É muito baixa”.
De acordo com o consultor, a possibilidade desta redução em empresas altamente endividadas só existe se há venda de ativos ou liquidação de passivo via diminuição da dívida. “O que leva a uma situação de melhora é o tempo, um ciclo de bons preços e resultados de produção”, complementa.

3. Dívida sobre Ebitda
A comparação da dívida com o Ebitda também é útil para mensurar a saúde financeira do setor, levando em conta o desempenho operacional do grupo durante a safra. O resultado médio da amostra da FG/A é de 2,37 vezes.
Neste caso, a empresa com maior dívida sobre o Ebitda é a Abengoa, com 7,87 vezes, e a menor é a São Luiz, com 0,01 vez.
Também é válido verificar os indicadores combinados. O grupo Diana, por exemplo, possui alavancagem elevada, mas dívida sobre Ebtida abaixo da média setorial, evidenciando um potencial de melhora dos indicadores financeiros.
Adecoagro, Raízen, Bungue, Cerradinho e CMAA foram outros grupos que também ficaram abaixo da média, demonstrando bons resultados neste indicador.
Além disso, Bazan, Monte Alegre, Santo Antônio e Ferrari apresentaram o indicador negativo, ou seja, possuem caixa suficiente para cobrir as suas dívidas. O cenário é ainda mais favorável do que para as que possuem uma relação entre os indicadores baixa, mas, ainda assim, positiva.
Vale lembrar que índices relacionados à dívida se referem à posição do grupo na data do fechamento do balanço financeiro e podem mudar em pouco tempo caso se realize pagamentos ou contrate novos financiamentos.

4. Liquidez corrente
A liquidez corrente é o resultado mais analisado pelos investidores, pois avalia a capacidade da empresa em arcar com pagamentos de curto prazo, com vencimento em até doze meses. O dado é obtido pela divisão entre o ativo e o passivo circulantes do grupo.
Neste indicador, valores inferiores a 1 vez significam a ausência de aptidão imediata de arcar com os compromissos a curto prazo. Entre as sucroenergéticas, a média da amostra na última safra foi favorável e de 2 vezes, o que representa uma melhora em relação à última safra, quando o indicador foi de 1,6 vez.
Doze empresas tiveram o resultado abaixo de 1, incluindo Della Coletta, Diana Bioenergia e Ferrari. A com pior desempenho da amostra foi a Abengoa (0,16 vez). Na outra ponta, dentre os melhores players neste quesito estão o Grupo Cocal, a Energética Morrinhos, a Alta Mogiana e a Bunge. A com melhor resultado foi a Alto Alegre, com 4,47 vezes.
Conforme Hernandes, houve uma recuperação do índice em relação aos dois últimos anos. "Vamos fechar [2019/20] com uma média geral perto de 2 vezes, enquanto a média da amostra era de 1,10 vez, 1,20 vez nos anos anteriores", esclarece, indicando certa estabilidade entre os resultados das safras corrente e passada.
Segundo o profissional, os 15 players que têm liquidez abaixo de 1 possuem situação financeira bem crítica. “Agora, os outros players estão bem melhores. Há uma diminuição do spread bancário, do custo do financiamento, o que se reflete na amostra que não tem uma melhora tão expressiva”, conclui.

5. Margem Ebitda
A margem Ebtida faz uma relação percentual entre o Ebitda e a receita líquida: quanto maior ela for, melhor a eficiência operacional da empresa.
No comparativo entre as duas últimas safras, a média do indicador das sucroenergéticas aumentou de 32,2% para 36,6%. Entre as empresas que superaram a média estão a Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial (37,1%), Bunge (43,5%), Da Mata (48,8%), Adecoagro (52,5%) e Balbo (40,5%).
Neste caso, também houve uma grande variação entre as companhias. O indicador ficou entre 65,47% (Energética Morrinhos) e 8,98% (Jatiboca).

6. Faturamento sobre moagem
Este indicador analisa a receita das companhias sob outro ângulo, com valores a receber já considerados desde que a nota fiscal tenha sido emitida dentro do período analisado. No levantamento, é possível notar que houve uma redução de R$ 170,50/t para R$ 164,70/t na média setorial entre as duas últimas safras.
Neste dado, o grupo Diana Bioenergia teve o pior desempenho (R$ 115,85/t). Além dele, Umoe Bioenergia, Adecoagro e Della Colleta também ficaram abaixo da média.
Por sua vez, entre as empresas com desempenhos favoráveis estão a Zilor, a Bazan e a Alto Alegre. A Alta Mogiana apresentou o melhor faturamento sobre a moagem (R$ 198,25/t), enquanto Atvos, Cerradinho, Biosev e Raízen também apresentaram resultados acima da média da amostragem.

7. Ebitda sobre moagem
Apesar da queda do faturamento, a margem Ebitda das sucroenergéticas aumentou consideravelmente. Logo, o indicador de Ebitda sobre a moagem – que indica a capacidade das sucroenergéticas de lucrar a cada tonelada de cana moída –, também teve um crescimento na comparação anual do grupo analisado, indo de R$ 54,10/t para R$ 59,80/t, o valor mais elevado das últimas seis safras considerando a amostra.
Por outro lado, há, como em outros indicadores, uma disparidade entre o melhor e o pior resultado. O valor vai de R$ 92,38/t (São Manoel) a R$ 14,12/t (Jatiboca).
Cerradinho, Da Mata, Bungue e Alta Mogiana estão entre as empresas que tiveram bons desempenhos, ficando acima da média. Já Abengoa, Diana Bioenergia, Biosev e Raízen tiveram resultados desfavoráveis neste quesito.

8. Custo-caixa sobre moagem
O custo-caixa em relação à moagem das usinas também caiu no comparativo entre as duas últimas safras, com a média da amostragem indo de R$ 116,30/t para R$ 104,90/t. Ou seja, o custo de fabricação dos produtos vendidos diminuiu no período.
A Zilor foi a companhia que apresentou o maior custo sobre a moagem, de R$ 143,39/t, enquanto a Energética Morrinhos teve o mais baixo, de R$ 45,62/t. Algumas empresas que ficaram abaixo da média setorial foram a Adecoagro (R$ 63,38/t), a Cerradinho (R$ 83,77/t) e a Balbo (R$ 91,83/t).

9. Despesas administrativas sobre moagem
Representando os custos indiretos na produção de açúcar e etanol, o indicador de despesas administrativas sobre a moagem teve uma elevação no comparativo entre as duas temporadas, denotando certa dificuldade das usinas em conter gastos: de R$ 10,10/t para R$11,60/t.
O grupo Ipiranga Agro foi o que teve menores despesas, R$ 4,10/t. Outros que também registraram baixos custos administrativos são Da Mata, Delta, Della Coletta e Umoe Bioenergia.
Na outra ponta, a Biosev foi a companhia que teve os maiores custos, com R$ 18,91/t. Entre os players que também registraram resultados desfavoráveis estão Bazan, Zilor e Atvos.

10. Resultado financeiro sobre moagem
Este indicador divide o resultado financeiro dos grupos pela moagem. Apenas quatro usinas apresentaram resultado positivo: Ferrari, São Luiz, Santo Antônio e Bazan. A média da amostragem foi um prejuízo de R$ 15,00/t.
Segundo Hernandes, quando o resultado financeiro por tonelada de cana moída é negativo, a empresa está pagando juros; quando é positivo, ela está recebendo valores, ou seja, as entradas são superiores às saídas.
Em 2017/18, os piores resultados foram da Atvos (R$ 41,97/t negativo) e Bevap (R$ 49,09/t negativo).
De acordo com Hernandes, ao considerar o resultado financeiro, os players menos alavancados ganharam muita competitividade no último ano e conseguiram lucrar, algo que não era visto nos últimos anos. "Quando um player piorava, todos pioravam, e quando um melhorava, todos melhoravam. No último ano, observamos que os que estavam menos alavancados fizeram jus e usufruíram disto para pagar muito menos despesas financeiras", explica.

Luz no fim do túnel
Segundo o consultor, a safra 2017/18 foi de menos investimentos do que a anterior: antes, houve expansão de fábricas de açúcar, investimentos em canaviais e leve aumento das plantas industriais. “O ano foi, basicamente, de produção, sem novos investimentos relevantes”, afirma. Ele ainda reflete que a atual safra tende a ser de desalavancagem; talvez um pouco menor, mas melhor na média, e também com um pouco menos de dívidas.
Hernandes também apresenta algumas saídas de recuperação para os players em condições piores. Além da troca de produção do açúcar pelo etanol – afinal, o renovável tem pago perto de 15% de prêmio sobre o açúcar –, os movimentos de brownfields também são possibilidades.
“Há expansões marginais de produção e empresas precisando de mais cana para completar a capacidade de produção industrial, e até alguns raros casos de unidades com matéria-prima sobrando e que precisam aumentar a indústria para otimizar a moagem”, explica.
Além disso, os investimentos em cogeração geram bons resultados, com players fazendo ampliações nesta área e iniciando até mesmo a instalação de estrutura para a exportação de energia. O consultor explica que uma boa cogeração gera uma receita de R$ 10,00/t, o que não traz muitos reflexos imediatos, mas é um resultado constante e que se transforma em efeitos positivos a médio e longo prazos.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana