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[Opinião] O dinheiro ficou exigente: O novo filtro do crédito para as usinas

O crédito para o setor sucroenergético não acabou, mas escolheu para onde ir: esta decisão é o tema financeiro mais importante do ano

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Por Miguel Angelo Vedana*

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro cresceram 33% no primeiro trimestre e podem bater recorde em 2026, de acordo com a empresa especializada Neot, que aponta cerca de R$ 38 bilhões em passivos sob estresse. As agroindústrias e usinas respondem por dezenas desses pedidos, pressionadas pela alavancagem elevada e pelo custo do dinheiro.

No outro extremo, o crédito contratado pela agricultura empresarial cresceu 10% na safra 2025/26 e somou R$ 404 bilhões. Nesse contexto, as usinas seguem indo a mercado, caso da captação de R$ 200 milhões via debêntures anunciada em junho por um grupo mineiro para as manutenções de entressafra.

Ou seja, o crédito para o setor não acabou, mas escolheu para onde ir. Esta decisão é o tema financeiro mais importante do ano. Afinal, os critérios de seleção são justamente a parte que nenhum relatório público descreve por inteiro.

Se o dinheiro existe e, ainda assim, os pedidos de recuperação avançam, a diferença entre quem capta a custo competitivo e quem paga prêmio de risco está em algo além do tamanho do balanço. Não por acaso, o painel “Inteligência financeira: estruturas de capital e o novo cenário do crédito”, da Conferência NovaCana 2026, coloca a governança como fator de crédito entre os tópicos centrais de discussão, ao lado de hedge, alavancagem e gestão financeira.

Em um negócio exposto a clima, câmbio e preços de commodities, disciplina de gestão, transparência e estrutura de capital viraram um vocabulário comum na conversa com os credores. O menu de instrumentos, por sua vez, nunca foi tão variado; e cada caminho tem seu pedágio, com exigências próprias de rating, garantias e reporte.

Fiagros e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), por exemplo, canalizaram o investidor pessoa física para o agronegócio e, agora, competem com o crédito bancário tradicional. Já o financiamento verde acena com um custo menor para quem comprova credenciais.

Ao mesmo tempo, a reforma tributária redesenha incentivos que moldaram décadas de decisões de investimento no setor. Com isso, até mesmo grandes grupos discutem publicamente soluções para o endividamento. Captar em um momento de alta volatilidade virou uma disciplina em si.

Assim, as perguntas que ficam são as que nenhum relatório responde sozinho. Qual instrumento serve a qual perfil de usina? Que nível de governança, exatamente, o mercado passou a exigir? O capital ESG compensa o custo de comprovação? E o que muda, na prática, com os incentivos fiscais em redesenho?

São questões de quem está com o orçamento da próxima safra em discussão sobre a mesa. E as respostas divergem conforme quem responde: consultorias, assessorias financeiras e bancos enxergam o mesmo balanço por prismas diferentes.

Esses três ângulos estarão frente a frente nos dias 28 e 29 de setembro, em São Paulo (SP). O painel “Inteligência financeira: estruturas de capital e o novo cenário do crédito”, da Conferência NovaCana 2026, reúne a sócia-líder de agronegócio da KPMG, Giovana Araújo, o sócio fundador da FGA, Juliano Merlotto, e o chefe de wholesale do Rabobank, Mario Ferreira.

Para quem precisa decidir como financiar o próximo ciclo, é a hora de ir direto à fonte. Programação e inscrições em NovaCana/conferencia2026.

* Miguel Angelo Vedana é diretor executivo do NovaCana

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