Segundo o banco, o preço do biocombustível deve subir R$ 0,35 o litro para voltar à correlação com a gasolina registrada um ano atrás
Após quase quatro meses em que o etanol hidratado vem oferecendo vantagem econômica aos motoristas de carro flex, a demanda enfim está começando a reagir. A conclusão é do BTG Pactual, que estima que os preços podem começar a subir.
Segundo o banco, o volume de etanol em estoque no fim de junho representava 11,8% da demanda pelo biocombustível em 12 meses, o que já estava abaixo da média histórica em dez anos para essa época de ano, que é de 14%.
A relação entre estoque e uso no fim de junho só estava maior do que a do mesmo período do ano passado (de 8,9%), quando o renovável era vendido nas bombas a 66% do preço da gasolina.
Em relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o BTG estimou que a relação entre estoque e consumo no fim de julho deve ter ficado em 14,2%, comparado a uma média histórica de 20%.
Os analistas observaram que os dados históricos indicam que, em média, o motorista brasileiro de carros flex leva cem dias para reagir de forma mais impactante a uma relação de preços mais favorável para o etanol hidratado nas bombas.
Segundo eles, até quarta-feira, 12, já havia se passado 98 dias em que o etanol se apresentou claramente mais favorável que a gasolina – ou seja, em que os preços do renovável estão em 65% do valor da gasolina. “Os dados de estoques sugerem que a resposta da demanda está começando”, afirmaram.
Segundo o banco, o preço do biocombustível deve subir R$ 0,35 o litro para voltar à correlação com a gasolina registrada um ano atrás. Os analistas ainda escreveram no relatório que “não se surpreenderiam” se os preços subissem de forma expressiva, de forma a fazer com que a correlação com a gasolina superasse 66%.
Ainda assim, eles mantiveram suas recomendações “neutras” para as ações das empresas que atuam no setor, como São Martinho, Jalles, Adecoagro e 3tentos.
Camila Souza Ramos