“2014 foi outro ano onde se aprendeu a viver com excesso de oferta”
A consultoria inglesa Czarnikow divulgou na última quinta-feira (18) suas projeções quanto a produção mundial de açúcar em diferentes países na safra 2014/15, que começou em outubro deste ano.
O relatório revisa a estimativa inicial feita pela trading de açúcar e etanol, que em julho previu um déficit de 500 mil toneladas. Também são apontados dados sobre o consumo e perspectivas quanto aos preços do adoçante.
A consultoria inglesa Czarnikow divulgou na última quinta-feira (18) suas projeções quanto a produção mundial de açúcar em diferentes países na safra 2014/15, que começou em outubro deste ano.
O relatório revisa a estimativa inicial feita pela trading de açúcar e etanol, que em julho previu um déficit de 500 mil toneladas. Também são apontados dados sobre o consumo e perspectivas quanto aos preços do adoçante.
Com uma safra mais “balanceada”, a consultoria espera agora um superávit de 600 mil toneladas. A revisão é resultado de um corte de 1,3 milhão de toneladas nas expectativas de consumo mundial, enquanto as alterações na produção se equilibraram.
Com esta sendo a quarta safra consecutiva com superávit de açúcar, “o mercado continua bem abastecido”. Para a consultoria “isto deve se refletir nos preços nos primeiros meses de 2014”.
Produção
A produção mundial do produto foi estimada em 184 milhões de toneladas em 2014/15, com a cana-de-açúcar sendo a origem de 79,2% deste total, com um volume de 145,9 milhões de toneladas.
A produção de açúcar de beterraba deverá registrar o segundo maior recorde dos últimos ciclos, chegando a 38,1 milhões de toneladas.
Consumo
Para 2014, a consultoria prevê um consumo de 178,8 milhões de toneladas em todo o mundo, um crescimento de 1,9% em relação a 2013. Já para 2015, a expectativa é que este número chegue a 182,5 milhões, alta de 2,1% ao ano.
Mesmo esperando uma alta no consumo em 2014 e 2015, o crescimento não chegará a 3% por ano, como ocorreu em 2009. “Estamos, portanto, à procura de novas fontes de crescimento no consumo a medida em que os preços caem”, considera a análise.
Centro-Sul
Na primeira análise da safra 2014/15 divulgada em agosto, a Czarnikow chegou a dizer que a maior variável para o ciclo atual seria o mix de produção no Brasil.
O cenário de “equilíbrio” foi mantido, mas a expectativa, na época, era de que o déficit poderia ser maior caso os preços do açúcar continuassem a cair, elevando ainda mais o volume de cana destinado à produção de álcool.
No centro-sul brasileiro. “a safra 2014/15 foi marcada pela falta de chuva durante a entressafra. Apesar disso, a produção agrícola foi melhor que o esperado”, reconheceu a Czarnikow.
“A seca também contribuiu para altos níveis de sacarose na cana-de-açúcar, o que acabou compensando parcialmente o aumento no mix de produção para a fabricação de etanol que vimos este ano”, comentou a trading com sede em Londres.
A estima de produção de açúcar no Centro Sul é de 31,9 milhões de toneladas em 2014/15, o mesmo volume previsto pela Unica.
Ásia e União Europeia
Segundo maior exportador de açúcar do mundo, a produção da Tailândia deve recuar para 11,1 milhões de toneladas, ante uma previsão inicial, em julho, de 12,8 milhões de toneladas.
A produção indiana deve alcançar 29 milhões de toneladas no período, alta de 7,8% em relação ao ciclo anterior, e levemente maior que os 27,9 milhões de toneladas previstos em julho deste ano.
Já na China, que enfrenta a terceira queda sucessiva no preço da cana-de-açúcar pago aos produtores, além de dois tufões que afetaram a produção da planta, a produção deverá despencar em 2014/15 para 12,6 milhões de toneladas.
Na União Europeia, a produção de açúcar a partir da beterraba é calculada em 19 milhões de toneladas, alta de 11% em relação à safra passada.
Considerações
Para a trading de commodities, a força do real será determinante para o mix de açúcar.
“A fraca curva do real a frente indica que as usinas se beneficiarão mais das exportações de açúcar a granel”, considerou o relatório.
Já a produção agrícola deverá ter um crescimento “limitado” na próxima safra, 2015/16, mesmo que o clima se mantenha em condições normais na entressafra.
“Os investimentos em canaviais têm diminuído, o que tem levado a uma redução em todos os tipos de plantação de cana”.
O relatório também cita o fechamento de nove usinas no Brasil no ciclo 2015/16 e afirma que a indústria sofre de uma “perda de confiança no mercado de etanol anidro, [com uma política energética] de preços fixos para a gasolina e dificuldades cada vez maiores em manter as dívidas em dólar”.
Para ler o relatório divulgado pela consultoria em dezembro, clique aqui.
Leonardo Siqueira – NovaCana