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Czarnikow analisa o mercado de açúcar e alerta: mesmo com déficit, queda nas cotações pode persistir

acucar bruto branco 060115A trading inglesa Czarnikow avaliou a situação dos principais mercados de açúcar no mundo e como cada player pode influenciar no balanço da safra

NovaCana 7 min de leitura

A trading inglesa Czarnikow avaliou a situação dos principais players de açúcar no mundo e como cada um pode influenciar no balanço da safra 2015/16. A projeção é de um novo recorde de produção, mas o cenário estará muito sensível ao resultado da safra brasileira.

A seguir as estimativas da Czarnikow, com um panorama sobre:

- Produção global: safra 2014/15

- Produção global: safra 2015/16

- Consumo

- Balanço global

- Açúcar brasileiro

- Índia

- Tailândia

- Conclusão: o que esperar?

 A trading inglesa Czarnikow avaliou a situação dos principais players de açúcar no mundo e como cada um pode influenciar no balanço da safra 2015/16. A projeção é de um novo recorde de produção, mas o cenário estará muito sensível ao resultado da safra brasileira.

Açúcar: déficit de produção na nova safra?

Com 187,1 milhões de toneladas, produção global de açúcar registrou novo recorde na safra 2014/15.

O número supera em quase 2 milhões de toneladas o recorde anterior de 185,5 milhões de toneladas, registrado em 2012/13, mesmo com a commodity apresentando as menores cotações dos últimos anos.

Nossa primeira estimativa para 2015/16 é que a produção alcance a segunda maior marca histórica, 186 milhões de toneladas, mas tudo depende dos números do açúcar de cana brasileiro. Ainda assim, neste início de safra calculamos em 1,7 milhão de toneladas o déficit de produção em 2015/16.

Produção global: safra 2014/15

• Foram produzidas 187,1 milhões de toneladas de açúcar, 2,7 mi/t a mais do que na safra 2013/14 e 1,7 mi/t a mais que em 2012/13, que detinha o antigo recorde.

• Com isso, apesar de as cotações terem caído para os menores níveis em muitos anos, a produção global manteve-se estável nas últimas três safras.

• A produção mundial de beterraba foi de 39,2 milhões de toneladas em 2013/14, alta de 11% em relação ao ano anterior e meras 200 mil toneladas a menos que na safra recorde de 2011/12.

• A Europa respondeu por grande parte dessa variação: a produção dos 28 países da União Europeia cresceu 16% em relação ao ano anterior, chegando a 19,9 milhões de toneladas.

• Em contraste, a produção de açúcar de cana caiu de 149,1 milhões de toneladas na safra passada para 147,9 milhões em 2014/15, sendo ainda assim a terceira maior marca já registrada.

Produção global: safra 2015/16

• Nossa previsão inicial para a safra 2015/16 é que a produção mundial de açúcar permaneça estável.

• Prevemos uma produção de 186 mi/t, mas acreditamos que a temporada 2015/16 alcance um volume recorde de açúcar de cana, 149,7 mi/t.

• Esse número pode variar bastante, conforme o desempenho da moagem de cana e o mix açúcar/etanol no Brasil!

• Contudo, prevemos um recuo na produção de beterraba para 36,3 mi/t, especialmente na União Europeia, onde se observou uma drástica retração na área plantada.

Consumo

• Com a produção estável, foi o aumento no consumo o responsável por colocar o mundo novamente em déficit de produção.

• Estimamos que o consumo chegue a 183,1 mi/t em 2015, alta de 2,2% sobre 2014.

• Esse aumento fica acima do índice de crescimento anual de 1% observado durante o último ciclo de alta e indica que o consumo de açúcar respondeu aos preços mais baixos.

• Nossa primeira estimativa para o consumo em 2016 é de mais 2% de crescimento, totalizando 186,7 mi/t.

• É um aumento mais alto que o do índice mundial de crescimento populacional e reflete uma elevação do consumo mundial per capita.

Balanço global

• Estimamos que em 2014/15 houve um excedente de 3 milhões de toneladas de açúcar (incluído aí 1 milhão de toneladas admitidas como perdas).

• 2015/16 parece fadado a um déficit de 1,7 mi/t – o primeiro déficit mundial de produção em cinco anos.

• 23,6 mi/t foram acrescentadas aos estoques nesse período. Portanto, o mundo voltará a ter praticamente os mesmos níveis de reserva que na safra 2008/09.

• Consequentemente, pode demorar para que os efeitos desse déficit sejam sentidos no mercado.

Açúcar de cana brasileiro

• A lavoura de cana evoluiu muitíssimo bem em 2015/16: estimamos uma disponibilidade de 615 mi/t de cana na atual temporada – novo recorde.

• A pressão agora recai sobre as usinas que vão processar toda essa cana.

• Se o clima se mantiver em conformidade com as médias históricas pelo resto da safra, acreditamos que o setor esmague 596 mi/t de cana.

• Contudo, se chover mais que o esperado, pode haver uma queda no volume de cana esmagada, ou então as usinas podem adentrar a estação de chuvas, no final do ano, ainda realizando a moagem.

• Nossa suposição atual é que as usinas venham a maximizar a produção de açúcar a partir de julho, quando o açúcar oferece melhores margens de Ebit para o setor de esmagamento.

• Isso resultaria numa participação de 44,4% para o açúcar no mix 2015/16, traduzindo-se em 34 mi/t de açúcar.

• Contudo, houve uma convergência das margens do açúcar e do etanol hidratado, e o mercado de etanol propicia uma geração de caixa mais imediata para as usinas.

• Além disso, a demanda de etanol hidratado está forte desde o começo do ano. A paridade com a gasolina vem se mantendo em 65% no estado de São Paulo.

• Tendo em vista os riscos climáticos e a situação do etanol, consideramos que a nossa estimativa de 34 mi/t para a produção de açúcar seja uma meta apertada para a indústria.

Índia

• A safra 2014/15 ficou em 31,5 milhões de toneladas e cravou um novo recorde de produção na Índia, excedendo em 200 mil toneladas o recorde da safra 2006/07.

• O principal indutor desse resultado foi o desempenho da moagem de cana em Maharashtra (MH) e Karnataka (KN).

• Em MH, a alta disponibilidade de água para irrigação levou os agricultores a utilizarem terras que estavam em pousio.

• Estimamos a produção de açúcar em 10,5 mi/t em MH e 5,0 mi/t em KN (recorde em ambos os casos).

• Em Uttar Pradesh (UP) a produção de cana também cresceu, alcançando 7,1 mi/t nesta safra, contra 6,5 mi/t no ano passado (sem incluir a produção não registrada).

• Apesar de atrasos nos pagamentos em UP, a cana ainda remunera melhor do que outras culturas concorrentes como o arroz e o trigo.

• Para a safra 2015/16, esperamos outra safra grande na Índia.

• Os altos níveis dos reservatórios em MH e KN devem favorecer a manutenção do forte plantio de cana.

• Em UP, teremos uma redução de 5% na área plantada mas os rendimentos devem ser melhores, uma vez que os plantios de cana estão sendo deslocados de áreas marginais para terras mais nobres.

• Nossa previsão para a produção na Índia é de 30,6 milhões de toneladas, terceira maior marca histórica.

Tailândia

• O volume de cana esmagada na safra 2014/15 foi recorde, quase 106 milhões de toneladas.

• O açúcar proporciona melhores ganhos aos agricultores do que outras culturas, em especial o arroz.

• Os pagamentos aos agricultores vêm sendo repetidamente majorados, para assegurar que se mantenham inalterados ano após ano. Nossa expectativa é que esse processo continue.

• Assim, acreditamos num aumento da área plantada em 2015/16, gerando 110 mi/t de cana.

• Neste estágio inicial, prevemos que a produção de açúcar na Tailândia fique em 12,7 mi/t na safra 2015/16.

Conclusão

Stephen Geldart, gestor de análise: “Embora nossa primeira estimativa para a safra 2015/16 preveja um déficit de produção, após cinco anos de excedente os estoques foram repostos até níveis observados pela última vez em 2008. Portanto, não fica imediatamente claro o quanto esse déficit pode ajudar o mercado no curto prazo”.

Ana Carolina Ferraz, gestora de análise: “Para a produção de 2015/16 acreditamos que haja maiores riscos de queda nas cotações do que de alta. A moagem da cana e o mix de produção no Brasil, em particular, serão ainda mais importantes do que de costume para o mercado”.

NovaCana - tradução e adaptação

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