Cana: Mercado

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Crise da Raízen coloca o produtor de cana em estado de alerta às vésperas da nova safra


Agência Estado - Publicado: 27 Fev 2026 - 14:54

A safra 2026/27 de cana ainda não começou e o campo já está em alerta. Quem fornece cana para a Raízen, maior processadora do mundo, está de olho aberto: nos noticiários, nos balanços e, sobretudo, nos pagamentos.

Os números da companhia controlada pela Cosan e pela Shell não deixam muito espaço para otimismo: R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, com alavancagem de 5,3 vezes em relação ao Ebitda, e prejuízo de R$ 15,6 bilhões acumulados até dezembro.

Para o produtor independente que planta, colhe e entrega cana à Raízen, esses dados são um sinal de que a renovação do contrato para a safra que começa em abril precisa ser pensada com mais cuidado do que o de costume.

A cada ano, os contratos de fornecimento vencem. A renovação, que em tempos normais seria quase automática, agora é motivo de reflexão. Produtores que antes assinavam sem muita hesitação estão considerando outras opções, entre elas, operar no modelo à vista (spot), entregando cana sem vínculo de longo prazo, com pagamento imediato.

Para a Raízen, esse cenário é um risco real, afinal, usina parada por falta de cana é prejuízo garantido. Até agora, os pagamentos aos fornecedores estão em dia, segundo as associações que os representam.

Mas um detalhe mudou nesta safra: a Raízen deixou de usar o risco sacado – modelo em que os bancos intermediavam o pagamento aos canavieiros – e passou a assumir diretamente essa obrigação. Enquanto os pagamentos fluem, a mudança não representa problema. Entretanto, ela eleva a exposição do produtor caso a situação se agrave.

A safra começa em semanas. O tempo para a Raízen apresentar um plano crível ao mercado – e aos seus fornecedores – diminui a cada dia. Por ora, o campo observa.

Leandro Silveira