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Em meio à crise no consumo, gasolina brasileira se torna a 14ª mais barata do mundo

Levantamento global aponta que, no período em que o petróleo teve os preços mais baixos já registrados, combustível não teve quedas expressivas entre maiores produtores

NovaCana 19 min de leitura

Trimestralmente, a Bloomberg atualiza seu levantamento do preço médio da gasolina ao redor do mundo com base em dados de 61 países. Analisando o segundo trimestre de 2020, o Brasil ficou na 14ª posição entre as nações com a gasolina mais barata, com o preço médio de R$ 4,02 por litro – o menor valor desde o terceiro trimestre de 2017, quando estava em R$ 3,88/l. Em contrapartida, no quesito acessibilidade, o brasileiro precisa gastar mais do salário do que as pessoas das outras 50 nacionalidades para adquirir um litro do combustível.

Um ano antes, o Brasil estava em 23º lugar, com o combustível fóssil sendo comercializado, em média, a R$ 4,45/l. Já no primeiro trimestre de 2020, período em que o país começou a sentir o impacto da queda mundial na demanda por combustíveis por conta da pandemia de covid-19, o preço médio da gasolina brasileira ficou em R$ 4,40/l.

As variações podem ter inúmeros motivos, nem sempre tão diretos. No Brasil, a gasolina é afetada pela carga tributária e tem concorrência direta com o etanol hidratado, o que não ocorre em outros mercados. Além disso, há uma mistura de 27% de anidro na gasolina que chega às bombas dos postos, entrelaçando ainda mais os dois mercados.

Outro exemplo é que o preço na bomba pode demorar a refletir o que ocorre nas unidades produtoras. Segundo a analista da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, desde 7 de maio, a Petrobras vinha aumentando os preços da gasolina nas refinarias. A alta acumulada chegou a 86%, mas o preço médio do combustível fóssil nas bombas do Sudeste subiu 7,12% no mesmo período. Com isso, é possível notar que há uma grande diferença entre as variações nas refinarias e o impacto para os consumidores.

Essas correlações – que aparentam ser óbvias, mas não são – também aparecem na análise do atrelamento do preço do petróleo mundial aos da gasolina nos países pesquisados pela Bloomberg. Ainda que o valor do combustível acompanhe o do óleo na maioria das vezes, o reflexo do recente baque no mercado de petróleo sobre o que é pago pelo consumidor na bomba não é tão direto e equivalente.

Considerando os 61 países analisados pela Bloomberg, em comparação com o trimestre anterior, 34 sofreram acréscimos na gasolina que variaram entre US$ 0,01/l e US$ 0,28/l. Outras 25 nações tiveram retrações de US$ 0,01/l a US$ 0,25/l. No mesmo período do ano passado, foram 57 reduções e quatro aumentos.

Confira, na versão para assinantes, os fatores que impactam o preço do combustível fóssil. Além disso, veja gráficos e análises dos dados trimestrais da Bloomberg, incluindo:

- As gasolinas mais caras e baratas do mundo
- O consumo anual per capta dos 61 países pesquisados
- As nacionalidades que precisam gastar mais do salário para adquirir um litro de gasolina

Trimestralmente, a Bloomberg atualiza seu levantamento do preço médio da gasolina ao redor do mundo com base em dados de 61 países. Analisando o segundo trimestre de 2020, o Brasil ficou na 14ª posição entre as nações com a gasolina mais barata, com o preço médio de R$ 4,02 por litro – o menor valor desde o terceiro trimestre de 2017, quando estava em R$ 3,88/l. Em contrapartida, no quesito acessibilidade, o brasileiro precisa gastar mais do salário do que as pessoas das outras 50 nacionalidades para adquirir um litro do combustível.

Um ano antes, o Brasil estava em 23º lugar, com o combustível fóssil sendo comercializado, em média, a R$ 4,45/l. Já no primeiro trimestre de 2020, período em que o país começou a sentir o impacto da queda mundial na demanda por combustíveis por conta da pandemia de covid-19, o preço médio da gasolina brasileira ficou em R$ 4,40/l.

20200807 Bloomberg gasolina brasil

As variações podem ter inúmeros motivos, nem sempre tão diretos. No Brasil, a gasolina é afetada pela carga tributária e tem concorrência direta com o etanol hidratado, o que não ocorre em outros mercados. Além disso, há uma mistura de 27% de anidro na gasolina que chega às bombas dos postos, entrelaçando ainda mais os dois mercados.

Outro exemplo é que o preço na bomba pode demorar a refletir o que ocorre nas unidades produtoras. Segundo a analista da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, desde 7 de maio, a Petrobras vinha aumentando os preços da gasolina nas refinarias. A alta acumulada chegou a 86%, mas o preço médio do combustível fóssil nas bombas do Sudeste subiu 7,12% no mesmo período. Com isso, é possível notar que há uma grande diferença entre as variações nas refinarias e o impacto para os consumidores.

Essas correlações – que aparentam ser óbvias, mas não são – também aparecem na análise do atrelamento do preço do petróleo mundial aos da gasolina nos países pesquisados pela Bloomberg. Ainda que o valor do combustível acompanhe o do óleo na maioria das vezes, o reflexo do recente baque no mercado de petróleo sobre o que é pago pelo consumidor na bomba não é tão direto e equivalente.


O atual cenário do mercado mundial de combustíveis foi analisado pela analista de biocombustíveis da S&P Global Platts, Beatriz Pupo. Ela explica os reflexos da guerra de preços do petróleo e da pandemia de coronavírus, que causaram um impacto sem precedentes. Clique aqui para ler o texto completo.


Considerando os 61 países analisados pela Bloomberg, em comparação com o trimestre anterior, 34 sofreram acréscimos na gasolina que variaram entre US$ 0,01/l e US$ 0,28/l. Outras 25 nações tiveram retrações de US$ 0,01/l a US$ 0,25/l. No mesmo período do ano passado, foram 57 reduções e quatro aumentos.

O final do primeiro e o início do segundo trimestre de 2020 foi o período mais crítico para o preço do petróleo. O Brent teve a máxima de US$ 68,91/barril em 1º de janeiro; depois, sofreu algumas quedas e recuperações, chegando a US$ 59,31/barril em 20 de fevereiro. Dali em diante, sucessivas retrações com pequenas recuperações fizeram o produto chegar aos U$S 19,33/barril em 21 de abril. Após um “vale” em sua linha de preços, a commodity foi se recuperando, tendo fechado o segundo trimestre do ano em US$ 41,15/barril.

20200807 Bloomberg gasolina preço petróleo

Em relação ao preço da gasolina, uma comparação entre os cinco países que mais produzem petróleo – Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia, Canadá e China – demonstra que apenas a Arábia Saudita registrou uma redução no preço do combustível entre o primeiro e segundo trimestres deste ano. Por lá, a queda foi de US$ 0,25/l, enquanto os outros quatro países tiveram aumentos entre US$ 0,07/l e U$$ 0,24/l.

Já em relação a um ano antes, no segundo trimestre de 2019, os cinco países tiveram reduções na gasolina, oscilando entre US$ 0,07/l e US$ 0,27/l.

20200807 Bloomberg gasolina petroleo 10maiores produtores

Queda no petróleo não garante queda na gasolina

Conforme o especialista em inteligência de mercado da StoneX, Fábio Rezende, o custo da gasolina no mercado internacional costuma apresentar um prêmio mais ou menos regular em relação ao petróleo.

Sua fala é reforçada pelo analista de fluxos comerciais de produtos e preços da Platts, Lenny Rodriguez: “O preço do petróleo é um fator chave, dado que os produtos refinados são derivados do petróleo bruto, de modo que o preço absoluto da gasolina varia em relação ao custo dele”.

No Brasil, assim como na maior parte dos países, os preços seguem o mercado internacional. “A Petrobras, que possui o poder de mercado muito grande, afeta a maior parte do mercado brasileiro. Ela é quem acaba determinando os preços dos combustíveis no Brasil e, atualmente, a política tem sido de seguir os preços internacionais,” relembra Rezende.

Por outro lado, o analista da Platts destaca que o preço da gasolina pode flutuar por uma série de outras razões, pontuando três principais: balanço entre oferta e demanda, especificações técnicas da gasolina e logística.

A relação entre oferta e demanda a nível local ou regional e a posição dos estoques, aliás, têm grande impacto. “No momento, os estoques globais de gasolina estão mais do que amplos, dada a forte queda da demanda induzida pela pandemia de covid-19. Outros imprevistos, como furacões, podem interromper o fornecimento e impactar a demanda, geralmente de curto prazo”, relata Rodriguez.

Outro fator que influencia o mercado, as especificações da gasolina, trata de octanagem, destilação, enxofre e pressão de vapor de Reid (RVP), por exemplo. O analista da Platts destaca que, nos Estados Unidos, as exigências mudam conforme a estação do ano. No verão, é mais caro produzir o combustível (particularmente por conta da RVP, que precisa ser baixa porque as temperaturas externas são mais altas) em relação ao inverno, quando os itens de mistura mais baratos podem ser usados, já que as especificações são mais relaxadas.

No Brasil, não é diferente. O analista da StoneX relembra que o que é precificado internacionalmente é a gasolina sem mistura de etanol, na refinaria e sem tributação. Ou seja, é preciso levar em conta que, no Brasil, há o impacto da mistura de 27% de etanol, além das tributações estaduais e federais.

“As taxas não dependem do preço. Isso quer dizer que elas dão uma amortecida nas variações dos preços finais. Digamos que tenha um aumento muito forte no preço da gasolina A. Em percentual, a variação no preço na bomba não será tão grande. Mesma coisa na queda. Dá uma aliviada nas variações”, detalha o analista da StoneX.

O mercado europeu é semelhante ao Brasil, com carga tributária também elevada; a diferença é uma mistura de etanol menor, em geral, adotando o E15, com 15% de etanol na gasolina. “Existem mais impostos diretos, o que acaba fazendo com que os choques sejam maiores, ainda que os custos logísticos sejam menores. Mas, em geral, o local costuma seguir o mercado internacional”, complementa.

Por sua vez, o analista da Platts acrescenta que cada nação tem uma dinâmica única de tributação, seja federal ou local, para os preços na bomba, que podem variar significativamente de país para país.

“Alguns países têm subsídios fortes, outros têm mecanismos mais brandos. Mais comumente, os preços levam em consideração os custos de logística, uma certa margem para o distribuidor, armazenamento, custos de seguro, flutuação nas taxas de câmbio se a gasolina for importada e outras despesas diversas”, afirma.

Aliás, o terceiro fator elencado por ele entre os que geram variações nos preços é a logística, pois o comércio do produto depende do acesso às instalações de fornecimento e distribuição e dos diferentes modos de transporte que podem estar em jogo, que podem ter estruturas de custos diferente.

“Mover o produto do ponto A para B terá o uso de navios – de tamanhos diferentes dependendo do porto e do tamanho do mercado –, dutos, caminhões e/ou vagões ferroviários e isso resultará no custo geral de transporte”, enumera Rodriguez, que opina: “Economias de escala são um fator chave a considerar”.

O que o analista pondera é que, quanto menor for o volume a ser movimentado, maior será o custo por unidade, seja barril, galão ou litro. “Existem outros custos logísticos a serem considerados, como seguro, moratória, taxas de inspeção, armazenamento e valor do dinheiro no tempo [se o benefício é maior ao receber uma quantia imediatamente ou posteriormente]”, esclarece.

O câmbio, aliás, é outro item de influência no preço final do combustível. Segundo Rezende, no Brasil, o valor vindo do mercado internacional é convertido pela Petrobras para reais.

“O que aconteceu nesse último semestre foi que o preço do petróleo e da gasolina realmente caíram muito no mercado internacional, porém o dólar também desvalorizou em relação ao real”, observa e completa: “Com isso, o preço do combustível no mercado doméstico voltou ao mesmo patamar do que estava no final do ano passado, apesar do preço no mercado internacional ter ficado mais barato”.

O analista destaca que, entretanto, há países onde o preço do combustível é administrado pelo governo, como já foi o caso do Brasil. “O preço era fixado pela Petrobras e pelo governo, havia reajustes anuais que tentavam compensar o do mercado internacional”, relembra e completa: “Mas hoje eu não consigo pensar em nenhum país grande que adote este tipo de precificação”.

Impactos irreversíveis

Sem uma gestão governamental sobre o preço do petróleo, os países permitem que as forças de mercado sejam as responsáveis por reagir às variações no preço da commodity, o que inclui lidar com quedas abruptas.

Rodriguez exemplifica este cenário com o momento em que os preços do petróleo despencaram no início do ano devido à guerra de preços da Arábia Saudita e Rússia. Isso fez com que os preços dos produtos refinados, como a gasolina, despencassem, beneficiando o consumidor, mas prejudicando os negócios de refino e upstream.

“Em particular, as margens das refinarias foram muito fracas este ano devido à baixa demanda por produtos refinados, excesso de capacidade e estoques muito altos de petróleo e produtos”, completa o analista da Platts.

Ele relata que, recentemente, duas refinarias na Califórnia foram fechadas devido a margens muito baixas de lucro e há a intenção de transformá-las em instalações de diesel renovável. A produção de petróleo também foi impactada, com muitos operadores nos Estados Unidos e em outros lugares tendo que fechar a produção devido ao baixo preço do óleo e grande excedente no mercado.

Ainda de acordo com Rodriguez, outros locais, como a Argentina, introduziram um preço mínimo para o petróleo produzido no país. O objetivo é apoiar os produtores locais que estavam sofrendo devido aos preços internacionais muito baixos.

De menos de um real a mais de dez

Conforme a análise da Bloomberg, os preços da gasolina nos 61 países analisados no segundo trimestre de 2020 variaram de R$ 0,13 por litro a R$ 12,09/l. O menor valor corresponde ao combustível venezuelano, que chegou a custar o equivalente a R$ 0,01/l entre o último trimestre de 2016 e o primeiro de 2020. Em análises anteriores, o valor foi de, no máximo, R$ 0,02/l.

O custo baixo ocorre por conta da crise que perdura no país há anos e do plano governamental do presidente Nicolás Maduro. Segundo a própria pesquisa da Bloomberg, o governo venezuelano abandonou a política usada há décadas – de uma gasolina praticamente gratuita – e adotou um valor correspondente a cinco mil bolívares por litro.

De acordo com uma reportagem da revista Época, 1º de junho foi o primeiro dia em que as vendas do combustível, importado do Irã, foram realizadas em dólares e não na moeda local. Com isso, o preço passou a ser de US$ 0,50/l.

Ainda segundo a publicação, os venezuelanos que recebem benefícios estatais têm a opção de pagar cinco mil bolívares por litro, desde que obedeçam ao rodízio instituído. Além disso, há o limite de 120 litros por mês. Aos que precisam pagar o valor em dólares, o custo é considerado inviável dado o baixo salário dos venezuelanos.

Conforme a Bloomberg, os trabalhadores do país ganham, em média, R$ 2,56 por dia; a título de comparação, os brasileiros recebem R$ 93,91 por dia de trabalho.

Porém, de acordo com outra reportagem, desta vez da IstoÉ, nem mesmo o combustível iraniano vendido à tarifa dolarizada foi suficiente para suprir a demanda. Segundo fontes consultadas, os postos seguem com filas quilométricas para adquirir o combustível.

20200807 Bloomberg gasolina preço

A segunda gasolina mais barata, aliás, é a vendida no Irã. O país ocupa essa posição na pesquisa da Bloomberg desde o primeiro trimestre de 2018. O valor, na análise mais recente, foi equivalente a R$ 0,42/l.

Segundo a Bloomberg, o país sofreu com anos de sanções econômicas que o privaram de receitas vindas do petróleo. “As finanças ficaram tão ruins que, em 2010, o Irã deu início a um plano em etapas para conter seus populares subsídios à energia”, detalhou a publicação.

Em meados de novembro de 2019, uma grande alta nos preços dos combustíveis provocou protestos em todo o país, quando cerca de 200 pessoas morreram por conta da consequente repressão governamental. Novas sanções do governo Trump reduziram ainda mais as exportações de petróleo iraniano, destacou a Bloomberg.

Na outra ponta, está Hong Kong, com a gasolina mais cara da análise: R$ 12,09 por litro. De acordo com a Bloomberg, o valor é quase o dobro dos vizinhos chineses, onde o governo define os preços dos combustíveis. Custo de vida elevado, além de impostos altos, são algumas das justificativas para os preços. O fato é amenizado pelo baixo consumo da gasolina e renda elevada da população.

Já a segunda gasolina mais cara é a dos Países Baixos, R$ 9,48/l. O país está consumindo cada vez menos combustíveis fósseis em detrimento de maiores taxas de adoção de veículos elétricos. Outros fatores relevantes, trazidos pela Bloomberg, é que o país tem os maiores impostos para o combustível da União Europeia e também o maior número de bicicletas, além
de infraestrutura para ciclovias, túneis e semáforos que incentivam a adoção do meio de transporte alternativo em detrimento dos veículos à combustão.

Desconsiderando o câmbio para reais, em uma média simples de todos os países analisados, a gasolina custou o equivalente a US$ 1,07/l no segundo trimestre de 2020 – 15,07% a menos do que um ano antes, quando a média foi de US$ 1,26/l. Já em comparação com o trimestre anterior, quando o litro era vendido a US$ 1,04, o fóssil custou US$ 0,03/l a mais.

Vale destacar que os valores da gasolina são fornecidos pela GlobalPetrolPrices.com e convertidos para a moeda local usando taxas de câmbio do dia correspondente. Para o levantamento, a Bloomberg ainda considera informações de consumo retiradas de documentos da ONU. Outras fontes utilizadas incluem o FactBook da CIA, agências governamentais e relatórios da própria Bloomberg.

Também é preciso considerar que os valores expressos pela Bloomberg levam em conta a gasolina vendida nas bombas dos postos de combustíveis e não pondera as diferenças de formulação (como mistura de etanol e aditivos) e a eficiência da frota em cada país.

Quem gasta mais salário com gasolina

Uma das análises feitas pela Bloomberg é o de acesso ao combustível, uma vez que apenas o preço não dá um panorama adequado a respeito de quanto o combustível pesa no bolso das pessoas de cada nacionalidade. Por isso, o preço é cruzado com a renda média diária do trabalhador, a fim de saber o percentual dispendido para pagar um litro do combustível fóssil.

No Brasil, por exemplo, ainda que a gasolina seja a 14ª mais barata do mundo, ela é a 11ª menos acessível. Segundo os dados apresentados, o brasileiro gasta 4,28% do seu salário diário para adquirir um litro do combustível, considerando uma renda média diária de R$ 93,91. O valor é calculado a partir do PIB per capita anual, em moeda local.

Nestes termos, o país de menor acessibilidade é a Índia. Por lá, o percentual de renda comprometido é de 19,68%, já que o salário médio do indiano é de R$ 30,29 por dia. De acordo com a Bloomberg, tanto os baixos salários como a infraestrutura limitada resultaram na “pobreza generalizada” do país.

A publicação ainda destaca que, em 2016, o governo indiano declarou que planeja encerrar a venda de motores de combustão interna em 2030 – um dos objetivos “mais agressivos do mundo”. Desde então, contudo, o país parece ter reduzido tais ambições.

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Na outra ponta, o país com melhor acesso ao combustível fóssil é os Estados Unidos. Um litro de gasolina custa apenas 0,37% do salário do estadunidense, que recebe, em média, R$ 964,15 por dia. Além disso, de acordo com a publicação, o presidente Donald Trump descartou as regulamentações ambientais, relaxou os padrões de emissões e apoiou a produção do combustível fóssil.

“Se a gasolina barata e a preferência dos americanos por SUVs continuarem a ser a norma a longo prazo, os Estados Unidos enfrentarão dificuldades para cumprir as ambiciosas metas globais de redução das emissões de carbono”, pontua a pesquisa.

Estadunidenses consomem mais, mas não gastam mais

Como a demanda por combustíveis varia de país para país, a análise da Bloomberg também considerou quanto do salário anual é gasto conforme o consumo, anual e per capita, de cada país. A análise considera o período de um ano encerrado em junho de 2020.

O país que mais consumiu gasolina entre julho de 2019 e junho de 2020 foi os Estados Unidos, com 1,61 mil litros por pessoa. Porém apenas 1,64% da renda anual dos estadunidenses foi comprometida.

Os Emirados Árabes vieram em seguida com um consumo de 1,33 mil litros anuais por pessoa e o comprometimento da renda correspondeu a 1,72% do total do adquirido ao longo do ano. Já o canadense, que compromete 2,46% do salário anual, adquiriu 1,24 mil litros anuais, na média.

20200807 Bloomberg gasolina consumo

Na outra ponta, o país que menos consumiu foi a Índia, com 26,42 litros anuais por pessoa. Além disso, 1,42% da renda anual foi comprometida com gasolina no período.

Já o país onde a renda ficou mais comprometida com a compra do combustível fóssil é a Venezuela, com 5,25%. Na sequência está o México, com 3,48%. Singapura e Hong Kong, por sua vez, são os países que menos comprometeram a renda anual da população, com 0,34% e 0,38%, respectivamente.

Os brasileiros ficam em 32º no ranking dos maiores consumidores, com 217,16 litros anuais por pessoa. Em relação à renda anual, 2,55% dela é usada para comprar gasolina.

20200807 Bloomberg gasolina brxmundo

A posição do Brasil é a menor desde os doze meses encerrados no segundo trimestre de 2017, quando o percentual de renda comprometido com a compra da gasolina era de 2,40%. Já o período quando o gasto foi maior ocorreu no acumulado de julho a setembro de 2018, com 2,86%. A série da Bloomberg se iniciou no primeiro trimestre de 2014.

Enquanto isso, na média mundial, o comprometimento da renda ficou em 1,34% no período analisado. O valor representou um aumento de seis pontos percentuais ante o período anterior, o acumulado entre abril de 2019 e março de 2020. O cálculo, porém, desconsidera diferenças populacionais e de demanda.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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