Os preços do milho seguem se valorizando no mercado físico brasileiro. Nesta terça-feira, 27, um levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas encontrou apenas elevações nas cotações, que foram registradas nas praças de Não-Me-Toque (RS), Panambi (RS), Ponta Grossa (PR), Rio do Sul (SC), Jataí (GO), Rio Verde (GO), Brasília (DF), Dourados (MS), São Gabriel do Oeste (MS) e Amambai (MS).
De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, o mercado físico do milho iniciou a semana em alta: “Mesmo com o avanço da colheita em boa parte das regiões produtoras, o agricultor retém o cereal cauteloso com as previsões de frio e apuração dos rendimentos da safrinha”.
No Paraná, por exemplo, apenas 9% das lavouras foram avaliadas pelo Deral como em boas condições, enquanto a colheita no estado segue em apenas 7% do total.
Já no Mato Grosso, o Imea apontou que a colheita já chegou aos 72,8% no estado, mas as expectativas de produtividade média desta segunda safra foram reduzidas para menos de 90 sacas por hectare.
Os preços futuros do milho tiveram mais um dia de ganhos na bolsa brasileira B3. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 0,13% e 0,49% ao final da terça-feira.
O vencimento em setembro de 2021 foi cotado à R$ 102,54 com alta de 0,49%; o novembro de 2021 valeu R$ 102,80 com valorização de 0,45%; o janeiro de 2022 foi negociado por R$ 103,25 com elevação de 0,23%; e o março de 2022 teve valor de R$ 102,93 com ganho de 0,13%.
Apesar destas elevações, o alerta para um possível teto de altas segue ligado. Após as altas da terça-feira, o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, já havia adiantado que este movimento positivo estava próximo do limite, uma vez que a importação de milho começou a aparecer.
“Com este câmbio e as cotações de Chicago está se conseguindo trazer milho a R$ 90 por saca nos portos, chegando nas indústrias do Sul mais barato do que o milho nacional. Começa um alerta para o produtor que acha que o mercado vai seguir em alta sempre”, pontuou.
Nesta terça-feira, em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista da Germinar Corretora, Roberto Carlos Rafael, reforçou que as importações de milho estão crescendo. Segundo ele, as compras devem fechar 2021 três vezes maiores do que as de 2020 e pressionar os preços internos.
Nas contas do analista, os milhos argentinos e norte-americanos chegam aos portos brasileiros entre R$ 90 e R$ 91 por saca, o que garante o custo menor para indústrias do Sul do Brasil e próximas aos portos.
Já a bolsa de Chicago (CBOT) contabilizou um leve recuo para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 0,5 e 1 ponto negativo.
O vencimento em setembro de 2021 foi cotado à US$ 5,48 com desvalorização de 1 ponto; o dezembro de 2021 valeu US$ 5,46 com queda de 0,5 ponto; o março de 2022 foi negociado por US$ 5,53 com perda de 0,75 ponto; e o maio de 2022 teve valor de US$ 5,58 com baixa de 1 ponto.
Esses índices representaram quedas em relação ao fechamento da última segunda-feira, 26, de 0,18% para o setembro de 2021, março de 2022 e maio de 2022, além de estabilidade para o dezembro de 2021.
Segundo informações do site internacional Successful Farming, na terça-feira, os mercados agrícolas do CME Group venderam, fechando abaixo de suas máximas diárias.
O analista de mercado do Price Group, Jack Scoville, acrescenta que o movimento também aconteceu devido a existência de movimentos políticos sendo feitos em Washington para tentar encerrar os mandatos para biocombustíveis.
“Os defensores da medida argumentam que é muito caro para as refinarias usarem o etanol em misturas. O presidente Biden está comprometido com o uso de biocombustíveis, incluindo etanol, nos Estados Unidos, portanto, o projeto não deve se tornar lei tão cedo”, diz Scoville.
Guilherme Dorigatti