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Preço do milho sobe no Brasil e fecha a segunda-feira ultrapassando os R$ 103 na B3

Cotação em Chicago reverte tendência e sobe neste início de semana, mas analistas enxergam volatilidade pela frente


Notícias Agrícolas - 27 jul 2021 - 07:28

A semana começou com os preços do milho retomando o caminho de altas no mercado físico brasileiro, após encerrarem a última semana com o mercado mais calmo, conforme aponta o reporte diário da Radar Investimentos.

Nesta segunda-feira, 26, um levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas encontrou apenas valorizações. O acompanhamento envolveu as praças de Londrina (PR), Palma Sola (SC), Jataí (GO), Rio Verde (GO), Brasília (DF), São Gabriel do Oeste (MS), Amambai (MS), Cândido Mota (SP), Itapetininga (SP) e Campinas (SP).

Os trabalhos de colheita da segunda safra seguem avançando pelo país, mas ainda estão atrasados em comparação com as safras anteriores. A consultoria Pátria AgroNegócios aponta que 44,32% das lavouras já foram colhidas, enquanto este índice era de 54,62% no mesmo período de 2020.

Já os dados da AgRural apontam que 39% do milho já foi colhido em Centro-Sul do Brasil, seguindo atrasado em relação aos 53% vistos em igual período do ano anterior.

Ainda nesta segunda-feira, o Cepea divulgou sua nota semanal apontando que as preocupações com o clima nas regiões produtoras de milho do Brasil e dos Estados Unidos têm impulsionado as cotações do cereal, visto que as recentes geadas, as previsões de uma nova frente fria no Brasil e o clima seco e quente nos EUA podem reduzir o potencial produtivo das lavouras. “Neste contexto, vendedores brasileiros estão reticentes em negociar a preços menores, reduzindo a liquidez interna”, aponta.

Além disso, segundo colaboradores do Cepea, os produtores no Brasil estão focados na colheita da segunda safra 2020/21, que segue atrasada em relação à temporada anterior em todas as regiões produtoras. “Assim, agricultores priorizam as entregas dos lotes negociados antecipadamente, aguardando o avanço da colheita para contabilizar possíveis perdas de produtividade”, afirma.

Do lado dos consumidores, uma parte tem optado por aguardar as entregas e/ou um maior volume colhido para retornar aos negócios. “No entanto, os que não têm mercadoria para o curto prazo têm aceitado os patamares pedidos por vendedores, que, em alguns casos, superam R$ 100 por saca de 60 kg”, relata o Cepea.

Em Campinas (SP), o Indicador Esalq/BM&FBovespa avançou 2,7% entre 16 e 23 de julho, indo a R$ 99,99 por saca de 60 kg na sexta-feira, 23, o maior valor nominal desde 31 de maio deste ano. De 1º a 23 de julho, o Indicador já acumula alta de 11,6%.

B3

Os preços internacionais do milho futuro também subiram na bolsa brasileira B3, ultrapassando a barreira dos R$ 103 por saca no vencimento em janeiro de 2022, que subiu 2,48%. Outras elevações foram percebidas nos contratos de setembro de 2021, que subiu 2,40% para R$ 102,04, no novembro de 2021, que se valorizou 3,37% para R$ 102,34; e no março de 2022, que chegou aos R$ 102,80 subindo 2,17%.

Apesar das altas, o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que este movimento positivo está próximo do limite, uma vez que movimentos de importação buscando milho no mercado internacional começam a aparecer.

“Com esse câmbio e as cotações de Chicago, [o negociante] está conseguindo trazer milho a R$ 90 nos portos, chegando nas indústrias do Sul mais barato do que o milho nacional. Começa um alerta para o produtor que acha que o mercado vai seguir em alta sempre”, pontua.

Brandalizze explica que o limite do milho sempre foi o mercado externo de importação e o volume que chega deste milho. “A Argentina está precisando fazer caixa e está fazendo negócios. Nos próximos dias, muitos negócios deverão ser feitos na Argentina e grandes compradores vão sair do mercado interno”, diz.

Para se ter uma ideia do crescimento deste movimento, dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia, apontam que, nas quatro primeiras semanas de julho, o Brasil já importou 136,85 mil toneladas de milho, contra 44,39 mil toneladas em todo o mês de julho de 2020. Na média diária, o sétimo mês de 2021 elevou em 317% as importações do cereal na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Mercado externo

Já no mercado internacional, os preços do milho futuro começaram o dia em baixa, refletindo um sentimento de queda de demanda dos grãos norte-americanos. Entretanto, eles se recuperaram e fecharam a segunda-feira subindo na bolsa de Chicago (CBOT).

O vencimento em setembro de 2021 foi cotado à US$ 5,48 com alta de 2,5 pontos; o dezembro de 2021 valeu US$ 5,45 com elevação de 3,75 pontos; o março de 2022 foi negociado por US$ 5,53 com ganho de 3,5 pontos; e o maio de 2022 teve valor de US$ 5,57 com valorização de 4 pontos.

Segundo informações do site internacional Successful Farming, os mercados agrícolas do CME Group tiveram uma reversão e fecharam em alta, com os fundamentos ainda enraizados nas últimas previsões meteorológicas. “Com a previsão de temperaturas quentes e secas para grande parte do Meio-Oeste, o mercado reluta em extrair muito prêmio de risco”, diz Britt O'Connell, da gerenciadora de riscos ever.ag.

Outro fator que contribuiu para a reversão das posições foi o relatório de embarques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que trouxe número dentro do esperado pelo mercado nesta segunda-feira.

O analista Al Kluis, da Kluis Advisors, acredita que os mercados de grãos continuarão agitados daqui para frente. “O padrão instável continua, os preços subiram em uma semana e caíram na outra. O relatório de progresso da safra do USDA mostrará as classificações de milho mais baixas do que na semana passada. Esta é uma janela de tempo importante para a produtividade do milho e avaliações mais baixas nesta época do ano começarão a reduzir os rendimentos de milho projetado”, coloca.

Guilherme Dorigatti


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