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Copersucar: safra deve ser adiada devido ao tempo seco

copersucar-pogetti-170114"Se as chuvas voltarem na próxima semana, apesar da perda do excesso de cana, ainda será possível moer o equivalente à capacidade total de processamento"
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Um persistente clima seco no centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, deve adiar o início da safra, com a opção dos produtores por deixar a cana no campo por mais tempo para crescer, de acordo com a Copersucar.

O começo da temporada, que geralmente acontece no início de abril, deve ser atrasado em duas semanas, segundo o presidente da cooperativa baseada em São Paulo, Luis Roberto Pogetti, que participa da Conferência de Açúcar Kingsman, realizada em Dubai. A pluviosidade nas áreas de cultivo de cana no sudeste brasileiro ficou abaixo da média histórica em janeiro, condição semelhante à esperada para este mês, conforme a Somar Meteorologia.

"A safra vai começar mais tarde, porque os produtores vão esperar a cana crescer", explicou o principal executivo da Copersucar. "Os próximo 10-20 dias serão cruciais para determinar o quantidade de cana que vai estar, de fato, disponível para a colheita".

Apesar de as projeções iniciais terem apontado que a colheita seria superior...

Um persistente clima seco no centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, deve adiar o início da safra, com a opção dos produtores por deixar a cana no campo por mais tempo para crescer, de acordo com a Copersucar.

O começo da temporada, que geralmente acontece no início de abril, deve ser atrasado em duas semanas, segundo o presidente da cooperativa baseada em São Paulo, Luis Roberto Pogetti, que participa da Conferência de Açúcar Kingsman, realizada em Dubai. A pluviosidade nas áreas de cultivo de cana no sudeste brasileiro ficou abaixo da média histórica em janeiro, condição semelhante à esperada para este mês, conforme a Somar Meteorologia.

"A safra vai começar mais tarde, porque os produtores vão esperar a cana crescer", explicou o principal executivo da Copersucar. "Os próximo 10-20 dias serão cruciais para determinar o quantidade de cana que vai estar, de fato, disponível para a colheita".

Apesar de as projeções iniciais terem apontado que a colheita seria superior à capacidade de processamento da cana, o clima seco agora indica que a quantidade de cana retirada do campo será basicamente igual à capacidade industrial, de acordo com a Copersucar. A moagem no centro-sul deve se manter no patamar das 595 milhões de toneladas em 2014/2015, com possibilidade de queda, disse Pogetti.

O sudeste brasileiro teve 75 mm de chuva em janeiro, estimou a Somar, enquanto a média histórica é de 275 mm. Em fevereiro a precipitação deve ser menor do que a metade do que o registrado nos últimos anos, segundo o meteorologista da Somar Celso Oliveira. Condições climáticas semelhantes registradas em 1999-2000 resultaram na perda de 23% da safra, conforme a Copersucar.

Capacidade ociosa

"Se as chuvas voltarem na próxima semana, apesar da perda do excesso de cana, ainda será possível moer o equivalente à capacidade total de processamento", disse Souza. "Se nos próximos 15 a 20 dias as chuvas não retornarem, daí começamos a ter capacidade ociosa de aproximadamente cinco, dez ou vinte milhões de toneladas".

O clima seco deste ano também pode ter impactos negativos sobre a safra do ano que vem, já que os produtores não podem plantar neste momento, afirmou Souza. Os pés de cana que foram colhidos tarde no ano passado não terão água o suficiente para crescer novamente para serem colhidos este ano. Um padrão climático do tipo El Niño, que poderia trazer chuvas ao Brasil no início da temporada, também atrasaria o desenvolvimento da cultura e a colheita, reduzindo o tempo disponível para moagem, de acordo com Souza.

A Copersucar está reconstruindo seu terminal no Porto de Santos, o maior do Brasil, depois que ele pegou fogo em 18 de outubro, fazendo com que o açúcar fosse negociado ao preço mais alto do ano. Em janeiro, a companhia embarcou 100 mil toneladas do terminal. Para fevereiro e março, a previsão é de que sejam exportados 250 mil toneladas de açúcar por mês, disse Souza. Os carregamentos devem atingir 400 mil toneladas em abril, volume equivalente à metade da capacidade mensal do terminal.

Incentivo para estocagem

A redução na capacidade do terminal da Copersucar está sendo equilibrada pela demanda fraca e pelo carregamento do produto por outros terminais, explicou Pogetti. A grande disponibilidade de açúcar no mercado e uma estrutura de mercado em que os contratos com datas mais antigas são menores do que os mais recentes também incentivam à estocagem, disse Souza. Esta estrutura de mercado é chamada de contango.

Os futuros do açúcar bruto em Nova York caíram nos últimos três anos, à medida que a oferta superou a demanda. Esta foi a maior queda nas últimas duas décadas. O excedente global de açúcar deve chegar a 4,73 milhões de toneladas nesta temporada, ante as 10,6 milhões de toneladas do ano anterior, segundo a Organização Internacional do Açúcar. Para 2014/15, a Kingsman e a Louis Dreyfus preveem excedentes, enquanto a Macquarie Group Ltda. e a Datagro estimam déficit.

"Os sinais dos preços começaram a atingir os produtores e estamos começando a ver uma queda na produção", afirmou Souza. "Se esse decréscimo for associado a problemas climáticos como o que estamos vendo agora no Brasil, não podemos falar em excedente de açúcar para o próximo ano.

Produção de etanol

Os usineiros do centro-sul do Brasil vão provavelmente direcionar mais cana para a produção de etanol nesta safra, especialmente se a mistura de anidro na gasolina subir para 27,5% dos 25% atuais, disse Pogetti. Isso pode retirar 2 milhões de toneladas do mercado. As exportações de etanol devem cair para 1,5 bilhões de litros este ano, ante os 2,5 bilhões de litros da safra 2013/2014, estima a Copersucar.

Para Souza, para os produtores optarem pela fabricação de açúcar ao invés do etanol, o preço do adoçante terá que subir para 17, 18 cents por libra-peso. A partir da cana-de-açúcar os usineiros do Brasil podem produzir tanto açúcar quanto etanol. Hoje, o açúcar bruto foi negociado a 15,62 cents em Nova York.

Isis Almeida (Bloomberg)
Tradução: Vivian Faria – NovaCana
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