Pela primeira vez, a ANP compilou os números que permitem compreender como evoluiu o mercado de compra e venda de etanol anidro no Brasil. Os dados revelam o resultado das negociações de etanol depois que o governo federal decidiu estabelecer contratos de longo prazo entre usinas e distribuidoras.
Depois que a produção de etanol passou a ser de sua responsabilidade, a ANP precisava resolver o problema da falta de estoques de anidro no começo de cada ano. Sua estratégia foi montar uma série de checkpoints obrigatórios para aqueles que comercializam anidro, reduzindo o risco de desabastecimento do biocombustível misturado à gasolina. Para isso, a agência criou diversas regras para usinas e distribuidoras, as quais vigoram desde 2011.
Agora, o NovaCana teve acesso aos dados que permitem analisar melhor a evolução do sistema criado pela agência, incluindo o impacto que ela está tendo dentro do setor.Depois que a produção de etanol passou a ser de sua responsabilidade, a ANP precisava resolver o problema da falta de estoques de anidro no começo de cada ano. Sua estratégia foi montar uma série de checkpoints obrigatórios para aqueles que comercializam anidro, reduzindo o risco de desabastecimento do biocombustível misturado à gasolina. Para isso, a agência criou diversas regras para usinas e distribuidoras, as quais vigoram desde 2011.
Agora, o NovaCana teve acesso aos dados que permitem analisar melhor a evolução do sistema criado pela agência, incluindo o impacto que ela está tendo dentro do setor.
Nos últimos três anos, o número de produtores de etanol anidro, cooperativas de produtores de etanol e empresas comercializadoras (daqui para frente esse grupo será chamado apenas de “usinas”) permaneceu praticamente o mesmo. Eles variaram entre 161 e 167 usinas, mas a meta de contratação subiu bastante nesta última safra (2015/16).
O número recorde de usinas que não cumpriram o estoque no último ano e foram autuadas expõe um problema a ser resolvido
Nas duas safras em que a meta total permaneceu semelhante, 2013/14 e 2014/15, houve um crescimento significativo na quantidade de usinas que atingiram o objetivo e no percentual de cumprimento. Na safra seguinte, a meta ficou maior e o patamar de cumprimento voltou a níveis mais próximos dos apresentados na safra 2013/14 (veja o gráfico abaixo).
Tamanho dos contratos
Analisando esses dados é possível obter o volume médio anual comercializado pelas usinas. O volume tem aumentado durante o período analisado, já que o número de empresas mudou muito pouco e o volume da meta cresceu. Mas quando separamos as usinas em dois grupos, as que cumpriram a meta de contratação de 90% e as que não cumpriram, vemos que o mercado está avançando em apenas um dos grupos.
O volume médio anual comercializado pelas usinas que não contrataram os 90% sofreu pouca alteração, apesar da necessidade de comercialização (metas) ter crescido mais de 24%.
Na safra 2013/14, o volume médio comercializado no ano civil anterior de cada uma das 102 usinas nessa condição era de 52 milhões de litros de etanol anidro. Na safra seguinte, o número de usinas caiu para 79 e a média de vendas de cada uma delas caiu para 46 milhões de litros por ano. Já na safra 2015/16 a quantidade de usina voltou para o patamar da safra 2013/14 – 107 usinas –, e o volume de vendas anuais também voltou aos níveis daquele período, com uma média de 56 milhões de litros vendidos.
Já a participação de mercado das usinas que se enquadraram na regra dos 90% não parou de crescer. A média era de 68 milhões de litros na safra 2013/14 para cada uma das 63 usinas; passou para 75 milhões na safra seguinte com 82 usinas e atingiu 102 milhões de litros na safra 2015/16 com 60 usinas.
Essa diferença entre os dois grupos mostra que as usinas que estão fechando contratos anuais são as que apresentam maior crescimento no mercado de etanol anidro. Buscar realizar esses contratos com as distribuidoras parece ser o caminho para as usinas que querem aumentar sua participação na venda de anidro.
Estoque de 25% em janeiro
As usinas que não atingem os 90% precisam comprovar no final de janeiro que possuem em estoque o volume equivalente a 25% do total comercializado no ano anterior. Este é o grupo que não tem aumentado sua fatia no mercado de etanol anidro e ele se subdivide em dois outros grupos: as usinas que mantêm no estoque o percentual de 25% exigido e as que descumprem a regra e são autuadas pela ANP.
As usinas que cumprem a regra dos 25% têm mantido constância durante os três anos observados. São entre 40 e 49 companhias que comercializaram em média entre 51 milhões de litros e 52 milhões de litros por ano. Essa constância ao logo do tempo indica que a maioria das usinas que fazem parte desse mercado são as mesmas e têm uma comercialização de anidro bem segura.
Entre as usinas que não atingem a meta de estoque, os números têm variado muito mais. Foram de 38 a 59 usinas nas últimas três safras e o volume médio comercializado anualmente era de 42 milhões de litros na temporada 2013/14, caiu para 36 milhões de litros em 2014/15 e saltou para 59 milhões de litros na safra seguinte.
O número recorde de usinas que não cumpriram o estoque no último ano e foram autuadas expõe um problema a ser resolvido. O número representa mais de um terço de todas as usinas. Elas foram penalizadas pelo descumprimento, assim como foram as 38 usinas da temporada passada e as 47 da safra 13/14. O fato desse número não estar caindo sugere que a agência tem aplicado as penalidades, mas a pena não está sendo suficientemente dura para que as usinas se preocupem em manter o estoque determinado.
Ao final de março, todas as usinas devem comprovar estoques equivalentes a 8% do volume comercializado no ano anterior. Os dados sobre a safra 2015/16 ainda não foram divulgados pela ANP e uma análise sobre como a as usinas vem se comportando nesse checkpoint será feita assim que os números forem disponibilizados.
Miguel Angelo Vedana - NovaCana