A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e consórcio GeoMit assinaram nesta quinta-feira, 25, em Uberaba (MG), o contrato que marca o início do projeto de produção e distribuição de biometano no Triângulo Mineiro.
O empreendimento prevê investimento de cerca de R$ 1 bilhão, a implantação de aproximadamente 400 quilômetros de gasodutos, com capacidade de produção de 50 mil metros cúbicos diários, e o fornecimento do combustível renovável para Uberaba, Uberlândia, Indianópolis e Araxá a partir de 2028.
O objetivo, segundo as companhias, é criar uma malha regional capaz de atender consumidores que atualmente dependem de combustíveis fósseis como óleo combustível, diesel e GLP.
O combustível será produzido a partir de resíduos orgânicos gerados na usina Vale do Tijuco, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), em Uberaba. A expectativa é que a produção contribua para ampliar o uso de fontes renováveis e reduzir as emissões de carbono.
A construção da fábrica já havia sido anunciada durante a abertura da safra mineira de açúcar e álcool em 2025. O licenciamento ambiental para a instalação foi aprovado em dezembro do mesmo ano.
O acordo é resultado da maior chamada pública de biometano já realizada pela Gasmig. Lançado em maio deste ano, o processo recebeu 27 propostas de 11 empresas. Após análises técnicas, econômicas e regulatórias, a Geomit foi selecionada para fornecer o combustível renovável por meio de um contrato com vigência de dez anos.
Segundo a Gasmig, a previsão é que as obras da planta de produção e da infraestrutura, a cargo da Geomit – formada pela Mitsui Gás e Energia do Brasil e pela Geo Bio Gas&Carbon – comecem em 2027.
Já a operação comercial da fábrica está prevista para maio de 2028. O volume de 50 mil metros cúbicos ao dia contratado pela Gasmig representa aproximadamente 20% da demanda de biometano projetada pela distribuidora para os próximos anos.
A expectativa é que a infraestrutura impulsione o mercado de gás renovável em Minas Gerais e amplie o abastecimento de indústrias, comércios e do setor de transportes.
A Gasmig trabalha com a meta de alcançar o volume contratado de 250 mil metros cúbicos ao dia de biometano para distribuição, consolidando o combustível renovável como um dos pilares do portfólio de suprimento da companhia.
Para a secretária de estado de desenvolvimento econômico, Mila Corrêa, a assinatura do contrato converge com a política de mudança climática que o estado tem conduzido.
O projeto também está alinhado à Lei do Combustível do Futuro, que prevê a inclusão gradual de gases renováveis na matriz energética brasileira.
A regulamentação estabelece uma participação mínima de 1% de biometano no consumo nacional de gás natural em 2026, percentual que deverá crescer gradualmente até atingir 10% em 2034.
Segundo o presidente da Gasmig, Gustavo de Marchi, o potencial do agronegócio no Triângulo Mineiro foi um dos fatores que motivaram a implantação do projeto na região. Além disso, a posição estratégica da região e a proximidade das plantas produtoras com o mercado consumidor também contaram por que reduzem o custo logístico.
“O biometano é uma tecnologia nova, mas que veio para ficar. Aqui, materializamos um projeto que tenho certeza que será replicado país afora”, disse Marchi.
O biometano é um combustível renovável produzido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, como dejetos de animais e restos de culturas agrícolas. Depois de purificado, ele pode ser utilizado da mesma forma que o gás natural, mas com a vantagem de ser uma fonte renovável.
Loise Monteiro e Gisele Barcelos