Em setembro, o uso de etanol hidratado no Brasil ficou 25% abaixo do volume visto no mesmo período do ano passado. No mês, foram consumidos 1,27 bilhão de litros ante os 1,7 bilhão de litros registrados em 2020. Além disso, na comparação com os 1,31 bilhão de litros de agosto deste ano, a queda foi de 2,6%.
Com isso, já são quatro meses de queda no consumo do biocombustível na comparação anual; o último crescimento foi em maio, com elevação de 17,6%.
Os valores foram divulgados na última sexta-feira, 29, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biodiesel (ANP).
No acumulado do ano, o consumo de etanol chegou a 13,16 bilhões de litros, queda de 4,3% em relação aos 13,75 bilhões contabilizados entre janeiro e setembro de 2020. O volume também é 19,6% menor que o visto no mesmo período de 2019, com 16,37 bilhões de litros, recorde da série histórica iniciada em 2000.
Enquanto isso, a demanda por gasolina continua em crescimento. Em setembro, foram consumidos 3,49 bilhões de litros, aumento de 11,6% ante o mesmo período de 2020. No acumulado do ano, a alta foi de 10,7%, com o volume chegando a 28,23 bilhões de litros.
Com isso, o consumo de combustíveis do ciclo Otto alcançou a marca de 4,39 bilhões de litros em setembro e 37,53 bilhões de litros no acumulado. Em relação ao ano anterior, os aumentos foram de 1,4% e 0,9%, respectivamente.
Os números evidenciam a falta de competitividade do etanol nos postos. Na média nacional, o biocombustível tem custado mais de 70% do preço da gasolina – valor considerado limite para sua vantagem econômica – desde a semana encerrada no dia 24 de abril.
Em setembro, o volume consumido do renovável correspondeu a 20,5% do total demandado pelo ciclo Otto, queda de sete pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor do biocombustível, o índice chegou a 35,7%, inferior aos 49,7% de setembro de 2020.
As usinas do Centro-Sul continuam priorizando a produção e a estocagem de etanol anidro, a ser misturado à gasolina. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até 16 de outubro, a produção acumulada de anidro na safra 2020/21 chegou a 9,48 bilhões de litros, aumento de 19,9% em relação à safra anterior. Por outro lado, a fabricação de hidratado caiu 17,9%, totalizando 14,54 bilhões de litros.






Giully Regina – NovaCana
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