Commerzbank, Czarnikow, J Ganes Consulting, ISO, Macquarie e Rabobank divergem quanto aos preços do açúcar em 2015
Os contratos futuros do açúcar bruto tiveram o quarto ano consecutivo de queda em 2014, pressionados pela grande oferta do produto em todo o mundo.
Mas será que os baixos preços finalmente levarão a uma resposta significativa, em termos de uma produção desanimadora, abrindo caminho para uma retomada nos preços do adoçante?
Os contratos futuros do açúcar bruto tiveram o quarto ano consecutivo de queda em 2014, pressionados pela grande oferta do produto em todo o mundo.
Embora especialistas tenham opiniões divergentes quanto a premissa de que 2014/15 trará um déficit de produção global (com o argumento ainda incerto pelo uso, por um lado, de informações de safra de abril a março, e por outro baseado em dados da safra de outubro a setembro), os quatro últimos anos de excedente do produto aumentaram os estoques mundiais.
De fato, os estoques deverão atingir 76,6 milhões de toneladas no fim de 2015/16, de acordo com a Organização Internacional do Açúcar (ISO), o equivalente a 42,8% do consumo global em um ano.
Mas será que os baixos preços finalmente levarão a uma resposta significativa, em termos de uma produção desanimadora, abrindo caminho para uma retomada nos preços do adoçante?
Commerzbank
“Atualmente, não há um consenso a respeito de quando a produção global em 2014/15 ainda será suficiente para atender a demanda crescente”.
Em novembro, a Organização Internacional do Açúcar deu a primeira concreta estimativa para o déficit que ela também espera em 2015/16, o qual é visto como o primeiro de um grande número de déficits.
“Espera-se que a safra do próximo ano [2015] no Brasil ocorra em níveis similares ao do último ano, caso o clima permaneça como está. Também se espera que a produção cresça em alguns outros países que foram recentemente afetados pelo clima ruim, mas a produção projetada deverá cair acentuadamente na União Europeia depois da safra recorde deste ano”.
“Entendemos que os preços do açúcar vão subir a medida em que os participantes do mercado ficarem mais cientes da perspectiva de uma escassez crescente”.
“Além disso, os preços baixos estão tornando os investimentos na manutenção de canaviais menos vantajosos, e isso pesa na projeção da produção no médio prazo”.

Czarnikow
“Não estamos vendo nenhuma resposta aos baixos preços na produção mundial de açúcar. De fato, algumas regiões como a União Europeia buscam alcançar safras recordes em 2014/15”.
“Isso sugere que o decrescente preço mundial de mercado até hoje não tem sido severo o suficiente para mudar as decisões dos plantadores [de cana]”.
“Parte do problema é que muitos produtores ficaram isolados da sinalização de preços pelas políticas governamentais.
“Consequentemente em muitas regiões são os produtores de cana que estão sendo os mais pressionados”.
“Considerando a reconstrução dos estoques globais do açúcar nas últimas três safras de 21 milhões de toneladas, em volume bruto, o mercado continua bem abastecido. É provável que isso reflita nos preços nos primeiros meses de 2015”.
J Ganes Consulting
“A China ainda continua a ser um fator fundamental”.
“O governo chinês está tentando tomar medidas para estimular a economia depois de ver o crescimento estagnar e isso deverá ajudar o consumo de açúcar e impulsionar a demanda de importações, uma vez que a produção do país foi reduzida. Isso deverá ajudar a sustentar os preços”.
“Não acredito que as compras irão aumentar o suficiente a ponto de impulsionar os preços e desencadear um aumento acentuado, mas serão o suficiente para evitar que o mercado caia ainda mais”.
“Boa parte das notícias baixistas já leva em conta os níveis atuais e parece irreal para o mercado continuar caindo de forma tão acentuada a partir dos preços atuais, quando a atenção está começando a mudar para o balanço de 2015/16 e se espera uma produção deficitária”.
Organização Mundial do Açúcar
“Considerando condições de clima normais nos próximos 21 meses, pode-se esperar que a produção de açúcar se recupere em alguns países [em 2015/16] onde o clima ruim tem reduzido significativamente ou afetado seriamente a produção durante 2014/15”.
“Por outro lado, um recuo significativo na produção de açúcar é esperada na União Europeia”.
“Se colocarmos juntas todas as possíveis mudanças na produção e o crescimento de consumo esperado, o déficit de cerca de 2-2,5 milhões de toneladas aparece, anunciando o início de uma nova fase de déficit no ciclo mundial do açúcar em 2015/16”.
“Como o nosso entendimento da atual situação da oferta e demanda – uma oferta e demanda bem balanceada em 2014/15, mas ainda com estoques elevados e o provável retorno de um déficit global em 2015/16 – pode ser interpretado em termos de valores futuros pelo mercado?”
“Espera-se que qualquer pressão altista de um déficit iminente seja mitigada pelos estoques elevados. Portanto, maiores correções do preço para cima seriam improváveis”.
Macquarie
“Continuamos otimistas quanto ao preço [do açúcar] pois acreditamos que a persistente seca na região Centro-Sul do Brasil já afetou os canaviais e as chuvas recentes chegaram muito tarde”.
“Além disso, um mercado de etanol ativo deve encorajar mais a safra de cana a ser usada na produção de biocombustível, reduzindo a produção de açúcar”.
“De forma incomum, o fechamento precoce de plantas no período de moagem no Centro-Sul também fornece sinais de uma reduzida disponibilidade do adoçante”.
Rabobank
“Os contratos futuros do açúcar bruto devem manter uma trajetória de elevação em 2015”.
“Contudo, os elevados estoques em ambos os destinos e origens e um real fraco limitarão a extensão da recuperação de preços ao longo do ano”.

“O equilíbrio entre a oferta e a demanda deve mudar para um leve déficit de 1,9 milhões de toneladas, o primeiro em cinco safras”.
“O clima continua como o principal fator para a safra brasileira de 2015/16. Espera-se que a produção de açúcar continue em cerca de 31,8 milhões de toneladas no Centro-Sul”.
“A mistura obrigatória do etanol [na gasolina] no Brasil deve aumentar em 2,5 pontos percentuais para 27,5%”.
“Somado ao aumento de 3% no preço doméstico da gasolina, a demanda por etanol deve fortalecer e dar suporte aos preços do etanol e, consequentemente, aos contratos futuros do açúcar na bolsa de valores ICE”.
Tradução e adaptação NovaCana
Fonte: Agrimoney