Empresas selecionadas entre as maiores do país tiveram bons resultados em quatro de seis critérios
As maiores empresas brasileiras no setor de bioenergia vivenciaram bons resultados em 2021, aponta um levantamento realizado a partir de dados do Valor Econômico. Em uma amostra de 43 companhias, as receitas e os lucros cresceram, ainda que as dívidas também tenham subido. Os números, inclusive, destacaram-se em um contexto nacional em relação a outros segmentos econômicos.
A publicação Valor 1000, compilada pelo jornal, reúne informações das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. A partir dos dados apresentados, é possível observar critérios econômico-financeiros para analisar o crescimento das companhias e compará-las entre si. Com a média das amostras de cada setor também é possível contrastar 28 segmentos.
Ao longo das últimas semanas, o NovaCana já compilou indicadores das dez melhores bioenergéticas, levando em conta os seis critérios da publicação, além de trazer os números das 43 maiores empresas do setor em 2021.
O desempenho médio do setor de bioenergia, em comparação com os outros setores da economia destacados na publicação, teve uma melhoria entre 2020 e 2021. O resultado, porém, precisa ser analisado com cautela por conta de uma mudança na amostragem: até o ano anterior, a publicação usava a classificação “açúcar e etanol”; agora, foram incluídas empresas de biodiesel e de etanol de milho, antes enquadradas em “química e petroquímica”.
Entre os seis aspectos financeiros que puderam ter suas médias calculadas pelo NovaCana, as bioenergéticas apresentaram queda apenas nas margens Ebitda (-20,7%) e de atividade (-40,2%). Já os aumentos aconteceram nos quesitos de rentabilidade patrimonial (+64,6%), liquidez corrente (+48,8%), receita líquida (+41,8%) e giro do ativo (+21,6%).
Além disso, a média do setor ficou acima da nacional em quatro dos seis critérios: margem Ebitda, rentabilidade patrimonial, margem da atividade e giro do ativo.
As bioenergéticas que fizeram parte da análise de 2021 são (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Batatais, Bazan, Binatural, BP Bunge, BSBios, Caeté, Cerradão, Cerradinho, Clealco, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), Cocal, Colombo, Copersucar, Coprodia, Coruripe, Da Mata, FS, Inpasa, Jalles, Lincoln Junqueira, Lins, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Oleoplan, Olfar, Olho D’Água, Pedra Agroindustrial, Potencial Biodiesel, Santa Adélia, Santa Fé, São João, São Manoel, São Martinho, SJC Bioenergia, Tereos, Uisa, Viterra e Zilor.
Dentre os setores listados, o de bioenergia é o nono com maior número de empresas representantes, com a adição de dez companhias entre os dois últimos anos. Em 2020, o setor de açúcar e álcool contou com 33 sucroenergéticas.
No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere os comparativos entre os 28 setores em seis resultados econômico-financeiros:
- Receita líquida
- Margem Ebitda
- Margem da atividade
- Liquidez corrente
- Giro do ativo
- Rentabilidade patrimonial
As maiores empresas brasileiras no setor de bioenergia vivenciaram bons resultados em 2021, aponta um levantamento realizado a partir de dados do Valor Econômico. Em uma amostra de 43 companhias, as receitas e os lucros cresceram, ainda que as dívidas também tenham subido. Os números, inclusive, destacaram-se em um contexto nacional em relação a outros segmentos econômicos.
A publicação Valor 1000, compilada pelo jornal, reúne informações das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. A partir dos dados apresentados, é possível observar critérios econômico-financeiros para analisar o crescimento das companhias e compará-las entre si. Com a média das amostras de cada setor também é possível contrastar 28 segmentos.
Ao longo das últimas semanas, o NovaCana já compilou indicadores das dez melhores bioenergéticas, levando em conta os seis critérios da publicação, além de trazer os números das 43 maiores empresas do setor em 2021.
O desempenho médio do setor de bioenergia, em comparação com os outros setores da economia destacados na publicação, teve uma melhoria entre 2020 e 2021. O resultado, porém, precisa ser analisado com cautela por conta de uma mudança na amostragem: até o ano anterior, a publicação usava a classificação “açúcar e etanol”; agora, foram incluídas empresas de biodiesel e de etanol de milho, antes enquadradas em “química e petroquímica”.
Entre os seis aspectos financeiros que puderam ter suas médias calculadas pelo NovaCana, as bioenergéticas apresentaram queda apenas nas margens Ebitda (-20,7%) e de atividade (-40,2%). Já os aumentos aconteceram nos quesitos de rentabilidade patrimonial (+64,6%), liquidez corrente (+48,8%), receita líquida (+41,8%) e giro do ativo (+21,6%).
Além disso, a média do setor ficou acima da nacional em quatro dos seis critérios: margem Ebitda, rentabilidade patrimonial, margem da atividade e giro do ativo. Em 2020, as companhias de açúcar e etanol ficaram acima da média em cinco de oito critérios. Houve uma variação no número de indicadores entre os dois anos porque o Valor 1000 não apresentou as médias setoriais da cobertura de juros e do crescimento sustentável, nem dados que permitissem a realização do cálculo.
As bioenergéticas que fizeram parte da análise de 2021 são (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Batatais, Bazan, Binatural, BP Bunge, BSBios, Caeté, Cerradão, Cerradinho, Clealco, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), Cocal, Colombo, Copersucar, Coprodia, Coruripe, Da Mata, FS, Inpasa, Jalles, Lincoln Junqueira, Lins, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Oleoplan, Olfar, Olho D’Água, Pedra Agroindustrial, Potencial Biodiesel, Santa Adélia, Santa Fé, São João, São Manoel, São Martinho, SJC Bioenergia, Tereos, Uisa, Viterra e Zilor.

Dentre os setores listados, o de bioenergia é o nono com maior número de empresas representantes, com a adição de dez companhias entre os dois últimos anos. Em 2020, o setor de açúcar e álcool contou com 33 sucroenergéticas.
Mesmo com a diminuição de 20 empresas, o setor de comércio varejista ainda conta com o maior número de companhias dentre as mil maiores do país, totalizando 85. Em seguida, o agronegócio aparece com 82 empresas, 19 a mais do que no ano anterior. O terceiro lugar ficou com transportes e logística, que manteve o número de companhias entre as duas últimas publicações.
Do total, dez áreas tiveram quedas no número de empresas listadas, 13 apresentaram aumentos e quatro permaneceram com a mesma quantidade entre um ano e outro. Além disso, as empresas de mineração passaram a integrar uma seção distinta; no ano anterior, elas eram contabilizadas em conjunto com as de metalurgia.
Receita líquida
Utilizada como parâmetro para definir o ranqueamento das mil maiores empresas do país, a receita líquida também é o critério com maior peso para analisar as melhores de cada setor.
O compilado das empresas de bioenergia ficou com a 12ª maior receita líquida da lista entre as 28 áreas, mesma posição que ocupou no ranking do ano anterior.
O primeiro lugar se manteve com as companhias de petróleo e gás. Em seguida, os setores de mineração e alimentos e bebidas inverteram posições, aparecendo agora em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Mesmo mantendo a colocação do ano anterior, a receita média das bioenergéticas cresceu 41,8%, totalizando R$ 4,46 bilhões – novo recorde na série histórica, iniciada em 2011. O número, contudo, ainda se mantém aquém da média vista pelas mil maiores empresas, que totalizou R$ 5,44 bilhões no período, alta anual de 14,7%.
Nos últimos oito anos, a média de receita líquida das bioenergéticas não ultrapassou a das mil maiores.

Entre 2015 e 2019, as sucroenergéticas registraram uma receita estável, na casa dos R$ 2 bilhões. O resultado de 2021 representa o segundo crescimento seguido do setor.
As mil maiores empresas, por outro lado, seguem aumentando seus números desde 2016.
Margem Ebitda
Apesar de ter apresentado uma margem Ebitda acima da média das mil empresas, com 23,1%, o setor de bioenergia caiu da quinta posição em 2020, para a 12ª no levantamento mais recente. Isso ocorreu devido à queda de seis pontos percentuais no índice entre um ano e outro.
O indicador corresponde à relação entre o Ebitda (lucro antes de juros, depreciação e amortização, na sigla em inglês) e a receita líquida, sendo calculado em porcentagem. A partir deste dado, é possível comparar a capacidade de lucrar entre empresas de diferentes tamanhos, ainda que desconsidere taxações ou pagamentos de juros que podem ser diferentes entre setores da economia.

Com um aumento de sete pontos percentuais, o setor de papel e celulose se manteve na primeira colocação, somando 51,9%. Construção e engenharia, por sua vez, segue na última colocação, apesar de ter saído de uma margem negativa de 10,2% em 2020 para uma positiva de 2,9% em 2021.
Contabilizando o resultado médio de todas as companhias da publicação, a margem Ebitda subiu dois pontos percentuais, chegando a 21,3%. Este é o primeiro aumento depois de uma certa estabilidade de três anos, quando os resultados ficaram na casa dos 18%.

Para o setor de bioenergia, por outro lado, esta é a primeira queda depois de três aumentos consecutivos. Entre 2014 e 2017, as companhias registraram uma média de 19%. Ainda assim, considerando a série histórica, as bioenergéticas tendem a ficar acima da média das mil maiores neste quesito.
Margem da atividade
A margem da atividade é calculada pela divisão do lucro ou prejuízo operacional (ou seja, sem o resultado líquido das transações financeiras) pela receita líquida. O indicador tem como objetivo apontar a capacidade da companhia lucrar, levando em conta fatores que não são considerados no índice da margem Ebitda.
Neste quesito, o setor de bioenergia apresentou sua maior queda entre os seis indicadores. Com um resultado de 7,7%, as empresas compilaram uma retração de cinco pontos percentuais, o que fez com que o setor caísse da oitava posição no ano anterior para a 16ª em 2021.

A nova categoria de mineração ficou em primeiro lugar, com 34,4%. Na outra ponta da lista aparece o setor de construção e engenharia, com um índice negativo em 64,7%.
As mil maiores empresas tiveram uma margem da atividade média de 7,3%, uma queda anual de quatro pontos percentuais. Considerando a série histórica, esta é a primeira vez desde 2015 que o índice fica abaixo de 8%.

Em contrapartida, as companhias de bioenergia registraram altos e baixos em sua margem da atividade. Os 12,8% vistos em 2020 foram os mais altos já vistos pelo setor, que chegou a 4,3% em 2014.
Esta, inclusive, é a primeira queda na margem da atividade após dois aumentos consecutivos.
Liquidez corrente
Um dos maiores aumentos nas médias do setor de bioenergia foi no quesito liquidez corrente. O índice é formado pela divisão entre os valores do ativo circulante pelo passivo circulante, sendo indicado em pontos.
Neste caso, o ativo representa bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo, enquanto o passivo é formado por obrigações que devem ser quitadas no curto prazo, como dívidas e empréstimos.
Com 1,8 ponto, o setor de bioenergia subiu sete posições, ficando em 14º lugar. No ano anterior, o setor ficou em 21º, e em 2019 foi o último da lista.

O primeiro lugar ficou com empreendimentos imobiliários, com 3,3 pontos. No ano passado, a área também liderou o ranking de liquidez, com 2,6 pontos. O setor de fumo, que conta com duas companhias entre as maiores do país, ficou em último lugar, com 1,1 ponto.
Neste ano, todas as áreas somaram mais de 1 ponto, o que indica que há mais recursos disponíveis, ou a receber em até um ano, do que obrigações de pagamento no mesmo período. Em 2020, três setores estavam abaixo desta métrica.
Em 2019, o setor sucroenergético apresentou um índice de 0,8 ponto, menor resultado da série histórica. O valor subiu para 1,21 ponto no ano seguinte, chegando a 1,8 ponto no levantamento atual e batendo o recorde anterior, de 1,65 ponto, em 2017.

Da mesma forma, a média das maiores empresas subiu para 1,9 ponto – o maior resultado até então. Entre 2016 e 2020, o indicador variou entre 1,2 e 1,3 ponto.
Inclusive, 2017 e 2018 foram os únicos anos em que o setor sucroenergético conseguiu ultrapassar a média das mil companhias, tendo somado 1,6 ponto em ambos os levantamentos.
Giro do ativo
O giro do ativo das empresas de bioenergia, por sua vez, subiu 21,6%, chegando a 0,88 ponto em 2021. Ainda assim, o setor se manteve em décimo lugar, mesma posição do ano anterior, quando registrou 0,72 ponto.
O indicador representa o aproveitamento dos ativos ao longo dos anos, sendo calculado por meio da divisão da receita líquida pelo total do ativo. Assim, o aumento das bioenergéticas demonstrou uma expansão na capacidade de gerar faturamento de acordo com o tamanho da empresa, o que pode significar melhora financeira.

O maior resultado da lista foi o do setor de comércio atacadista e exterior, com 1,99 ponto. Este segmento aumentou seu resultado e repetiu o feito de 2020, mantendo-se na liderança do ranqueamento. A última colocação também se repetiu, com serviços especializados, que mesmo com um aumento anual, ficou com 0,25 ponto.
A média de todas as empresas teve um acréscimo de 31%, chegando a 0,76 ponto. Este crescimento representa o maior resultado no índice, que chegou a 0,6 ponto em 2016. No ano anterior, as maiores companhias registraram 0,72 ponto.

As bioenergéticas, por sua vez, apresentaram o segundo aumento consecutivo, depois da queda brusca vista entre 2018 e 2019: no primeiro ano, foi registrado o atual recorde da categoria, com 1,71 ponto, enquanto o segundo viu uma retração para 0,6 ponto.
Além disto, com exceção de 2014 e 2019, o setor de bioenergia tende a ficar acima da média das mil maiores empresas no giro do ativo.
Rentabilidade patrimonial
O índice de rentabilidade patrimonial foi o que registrou o maior salto para as empresas de bioenergia – um feito que ocorreu pelo segundo ano seguido.
O dado apresenta a relação entre o resultado líquido e o patrimônio líquido das empresas, sendo expresso em porcentagem. Assim, o indicador demonstra a capacidade de lucro da companhia no comparativo com o seu tamanho.
Apesar do aumento de 18 pontos percentuais entre os dois últimos anos, o setor de bioenergia caiu uma posição no ranking, ficando em quinto lugar, com 32,4%.

O primeiro lugar ficou com o setor de construção e engenharia, que totalizou uma rentabilidade patrimonial de 126,4%. Isso representa um aumento significativo em comparação com os 0,4% vistos no ano anterior.
Em 2021, a última colocação ficou com transportes, que registrou um índice negativo em 5,7%, queda de sete pontos percentuais entre os dois anos.
Além do líder, os setores de mineração (61,5%), química e petroquímica (58,2%) e metalurgia e siderurgia (42,8%) foram os únicos que ficaram acima da bioenergia.
Na média das mil empresas também houve um salto entre 2020 e 2021. As companhias passaram de 6,7% em 2020 para 24,3% no levantamento mais recente – o maior valor da série histórica.

O resultado das bioenergéticas também representa um recorde, além de ser o segundo ano seguido de crescimento. O maior resultado visto até então tinha sido em 2016, com 13,9%. Antes disso, a média chegou até mesmo a uma margem negativa, de 0,4%, em 2014.
Este também é o segundo ano seguido em que a média das empresas de bioenergia supera a das mil maiores. Antes disto, o feito só havia sido registrado entre os anos de 2015 e 2016.
NovaCana DATA
Giully Regina – NovaCana