No total, 43 empresas de bioenergia foram listadas entre as mil com maiores ganhos do país em 2021
Diferentes parâmetros podem ser utilizados para medir o crescimento do setor sucroenergético. A forma mais comum é por meio de seus dados financeiros, contabilizando por exemplo, receita líquida, lucro líquido, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o nível do seu endividamento oneroso, abrangendo débitos bancários.
Mas, indo além dos ganhos de uma empresa, ações ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) também têm sido destacadas para elencar a evolução das companhias.
A publicação Valor 1000, por exemplo, utiliza anualmente a receita para ranquear as mil maiores empresas do país. No levantamento mais recente, 43 companhias de bioenergia aparecem na lista, dez a mais do que um ano antes, quando 33 sucroenergéticas ultrapassaram a linha de corte.
O aumento, entretanto, veio com uma mudança no critério. Agora, também foram contabilizadas companhias do setor de biodiesel; até 2020, elas eram classificadas como química e petroquímicas. Também nesse segmento constavam Inpasa e FS, que produzem etanol a partir do milho. Na publicação mais recente, entretanto, o Valor Econômico criou a categoria bioenergia, que contempla essas empresas junto às sucroenergéticas, da antiga seção de açúcar e álcool.
De qualquer modo, grande parte das maiores companhias de bioenergia demonstrou crescimento em sua receita líquida entre os anos 2020 e 2021. As únicas que tiveram retração foram Coruripe e Batatais, com variações negativas em 1,6% e 1%, respectivamente.
As demais chegaram a registrar aumentos entre 10,7% e 248,9%. Contabilizando os resultados de todas as companhias do ranking, a receita média do setor ficou em R$ 4,5 bilhões, um acréscimo anual de 41,8% – no ano anterior, o setor de açúcar e álcool teve uma receita média de R$ 3,15 bilhões.
Mesmo com a atualização de categoria, a Copersucar foi líder do ranking de receita líquida pelo décimo primeiro ano consecutivo, com um resultado de R$ 74,88 bilhões, aumento anual de 87,1%. Em 2020, a companhia reportou uma receita de R$ 40,03 bilhões.
Em comunicado, a empresa afirmou que seu resultado financeiro foi reflexo da capacidade de “capturar oportunidades em um cenário adverso”, citando a pandemia, conflitos geopolíticos e as condições climáticas desfavoráveis no Brasil.
No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, confira mais detalhes sobre os resultados financeiros das maiores empresas de bioenergia:
- Receita líquida
- Lucro líquido
- Ebitda
- Endividamento oneroso
- Histórico das cinco maiores empresas de 2021
- Resultados da Raízen
Diferentes parâmetros podem ser utilizados para medir o crescimento do setor sucroenergético. A forma mais comum é por meio de seus dados financeiros, contabilizando por exemplo, receita líquida, lucro líquido, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o nível do seu endividamento oneroso, abrangendo débitos bancários.
Mas, indo além dos ganhos de uma empresa, ações ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) também têm sido destacadas para elencar a evolução das companhias.
A publicação Valor 1000, por exemplo, utiliza anualmente a receita para ranquear as mil maiores empresas do país. No levantamento mais recente, 43 companhias de bioenergia aparecem na lista, dez a mais do que um ano antes, quando 33 sucroenergéticas ultrapassaram a linha de corte.
O aumento, entretanto, veio com uma mudança no critério. Agora, também foram contabilizadas companhias do setor de biodiesel; até 2020, elas eram classificadas como química e petroquímicas. Também nesse segmento constavam Inpasa e FS, que produzem etanol a partir do milho. Na publicação mais recente, entretanto, o Valor Econômico criou a categoria bioenergia, que contempla essas empresas junto às sucroenergéticas, da antiga seção de açúcar e álcool.
De qualquer modo, grande parte das maiores companhias de bioenergia demonstrou crescimento em sua receita líquida entre os anos 2020 e 2021. As únicas que tiveram retração foram Coruripe e Batatais, com variações negativas em 1,6% e 1%, respectivamente.
As demais chegaram a registrar aumentos entre 10,7% e 248,9%. Contabilizando os resultados de todas as companhias do ranking, a receita média do setor ficou em R$ 4,5 bilhões, um acréscimo anual de 41,8% – no ano anterior, o setor de açúcar e álcool teve uma receita média de R$ 3,15 bilhões.
Mesmo com a atualização de categoria, a Copersucar foi líder do ranking de receita líquida pelo décimo primeiro ano consecutivo, com um resultado de R$ 74,88 bilhões, aumento anual de 87,1%. Em 2020, a companhia reportou uma receita de R$ 40,03 bilhões.
Em comunicado, a empresa afirmou que seu resultado financeiro foi reflexo da capacidade de “capturar oportunidades em um cenário adverso”, citando a pandemia, conflitos geopolíticos e as condições climáticas desfavoráveis no Brasil.
A verdade é que a Copersucar apresenta a maior receita líquida do setor desde o início da publicação do levantamento, em 2011. O resultado atual rendeu o 13º lugar na colocação geral das maiores empresas do país, subindo quatro colocações em relação ao ano anterior.
No ranking de receita líquida entre as empresas de bioenergia, o segundo lugar também se repetiu na comparação anual. A Tereos obteve uma receita de R$ 15,1 bilhões, alta anual de 33,3%. Já a terceira colocação ficou com a BSBios, produtora de biodiesel, que aumentou em 65,5% seus resultados, totalizando R$ 7,85 bilhões.
No ano anterior, a posição foi ocupada pela Biosev. A companhia foi adquirida pela Raízen em 2021 e não foi considerada pela publicação atual.
Com um acréscimo de 113,5% em seus resultados, a FS aparece em quarto lugar, somando R$ 6,64 bilhões. Em 2021, a produtora de etanol de milho foi destaque como um dos maiores acréscimos em receita líquida, ainda na categoria de química e petroquímica.
A BP Bunge aparece em seguida, registrando o maior aumento da lista e totalizando uma receita líquida em R$ 6,12 bilhões. Apesar dos bons resultados, a joint-venture entre BP Biocombustíveis e a Bunge, formalizada em 2019, anunciou que pretende vender a companhia.

Em 2021, oito sucroenergéticas saíram da relação elaborada pelo Valor: Bevap; Biosev; Caeté; Delta Sucroenergia; Ester; Ipiranga; Santa Isabel; e Petribu.
Com a alteração do setor e a presença de receitas mais elevadas, outras 18 companhias foram acrescentadas ao ranqueamento. As sucroenergéticas que entraram na lista foram: Atvos, Balbo, Barralcool, BP Bunge, Cerradão, Clealco, Cocal, Coprodia, Pedra Agroindustrial e Uisa. Além disso, também fazem parte da nova categoria as produtoras de etanol de milho FS e Inpasa, assim como quatro fabricantes de biodiesel: Potencial Biodiesel, Oleoplan, Olfar e Binatural.
Crescimento nos lucros
Seguindo o movimento visto no índice da receita líquida, o lucro líquido médio do setor de bioenergia cresceu 59,1%, chegando a R$ 339,9 milhões em 2021.
A FS liderou neste quesito, com R$ 1,49 bilhão, variação anual positiva de 362,5%. Com um resultado bem próximo, a São Martinho ficou em segundo lugar, totalizando R$ 1,48 bilhão, acréscimo de 59,7% em relação ao ano anterior, quando ficou na primeira posição da lista.
Com alta de 306,3% em seu lucro líquido, a Inpasa aparece em terceiro no ranking, com R$ 1,36 bilhão. Já a vencedora da receita líquida, Copersucar, ficou em quarto lugar entre os maiores lucros, registrando R$ 781,1 milhões, alta anual de 108,1%.
A variação mais expressiva foi da sucroenergética Caeté, que aumentou seu resultado em 1.642,8%, alcançando R$ 317,5 milhões.

Em 2020, duas empresas registraram resultados negativos: a Lincoln Junqueira, com R$ 95,9 milhões; e a Bevap, com R$ 10,4 milhões. A primeira, conseguiu reverter o prejuízo, com ganhos de R$ 555,3 milhões em 2021, alta anual de 679%. A segunda, por sua vez, não entrou no ranking atual e não pode ser comparada.
Na lista atual, três companhias apresentaram prejuízos: Santa Fé (R$ 19,5 milhões); Atvos (R$ 264,2 milhões); e Tereos (R$ 404 milhões). Destas, apenas a Atvos teve uma variação positiva entre um ano e outro, a companhia ampliou suas perdas em 83,2%.
Desempenho operacional
Da mesma forma, o desempenho operacional das empresas de bioenergia, mensurado pelo Ebitda, também seguiu tendência de alta. Nos últimos dois anos, a média setorial subiu 13,1%, totalizando R$ 1,05 bilhão.
O destaque ficou com a São Martinho, que registrou R$ 4,04 bilhões. Com um crescimento de 37,5%, a sucroenergética subiu uma posição em relação à lista de 2020.
A FS aparece em segundo lugar, tendo aumentado seu Ebitda em 126% e alcançado R$ 2,62 bilhões.

Entre as 43 maiores empresas do setor de bioenergia, nove apresentaram variações negativas no índice em questão, com as mais expressivas sendo vistas por BSBios (-46%) e Binatural (-40,9%). No ano anterior, três companhias apresentaram quedas.
Já considerando as variações positivas, as maiores foram: BP Bunge (+935,6%); Clealco (433,3%); e Inpasa (+207,1%).
Aumento nas dívidas
Apesar do crescimento nos quesitos financeiros, o endividamento oneroso das empresas de bioenergia também aumentou em 2021. No período, a dívida das companhias foi de, em média, R$ 2,47 bilhões, crescimento anual de 22,4%. No ano anterior, o montante era de R$ 2,02 bilhões.
De acordo com o Valor Econômico, o critério engloba parte do endividamento geral da empresa, incidindo encargos financeiros.
Dentro da amostra, o maior endividamento foi o da Atvos, com R$ 15,34 bilhões. Por não ter aparecido na lista de maiores empresas do ano anterior, não consta a sua variação anual.

No mesmo recorte, dez companhias conseguiram diminuir seus débitos. Entre as maiores retrações se destacam: São João (-93,4%); Caeté (-52,5%); e Bazan (-46,2%).
Por outro lado, 18 empresas aumentaram seus endividamentos, enquanto outras 11 não puderam ser comparadas por falta de dados do ano anterior. O menor nível de endividamento oneroso foi registrado pela Barralcool, com R$ 7 milhões, enquanto a Potencial Biodiesel não teve seu dado apresentado.
As cinco maiores empresas de bioenergia
Considerando a série histórica divulgada pelo Valor Econômico e compilada pelo NovaCana, a Copersucar vem aumentando sua receita líquida progressivamente desde 2014, tendo alcançado R$ 74,88 bilhões na análise mais recente.
A Tereos, por outro lado, havia se mantido praticamente estável, com uma receita de cerca de R$ 10 bilhões nos últimos anos. Agora, entretanto, a multinacional conseguiu aumentar seus ganhos em 33,3%.
A terceira colocada, BSBios, vem registrando aumentos graduais em sua receita líquida desde 2018, ano da primeira aparição da companhia na publicação.
Das cinco maiores empresas de bioenergia, quatro apresentaram aumentos em suas receitas líquidas e uma não teve números divulgados para comparação. Além disso, todas tiveram ganhos acima dos R$ 6 bilhões em 2021.

A FS, especificamente, apresentou alta em todos os critérios compilados, incluindo endividamento. A companhia, entretanto, só aparece nas publicações de 2020 e 2021.
Por fim, a BP Bunge não é passível de comparações da série histórica. Por ser uma joint-venture nova, os dados da sucroenergética aparecem apenas na publicação mais recente. Neste caso, sua receita líquida atual foi de R$ 6,12 bilhões, enquanto o seu lucro líquido totalizou R$ 395,8 milhões.
Desempenho da Raízen
Apesar de ser a maior sucroenergética do país, controlando atualmente 34 usinas, a Raízen não aparece na lista das maiores companhias de bioenergia do país. Isso acontece porque a metodologia utilizada pelo Valor Econômico a classifica na categoria de petróleo e gás devido a sua atuação no setor de distribuição de combustíveis.
Neste último levantamento, a Raízen demonstrou uma melhora em seus rendimentos. Depois de apresentar uma queda em seus ganhos entre 2019 e 2020, a companhia registrou aumento de 66,9%, contabilizando R$ 191,27 bilhões. Mesmo com a expressiva variação, a empresa se manteve na quarta posição do ranking geral por receita líquida.
Este é o quarto ano seguido em que a Raízen fica na mesma colocação, atrás apenas de Petrobras, JBS e Vale.

Em 2021, a gigante sucroenergética apresentou variações positivas em todos os outros quesitos levantados pelo Valor: seu lucro líquido somou R$ 3,25 bilhões, alta de 110,1%; já o Ebitda teve um acréscimo de 50,1%, totalizando R$ 12,54 bilhões.
Da mesma forma, mas em menor intensidade, o endividamento oneroso alcançou R$ 30,73 bilhões – elevação anual de 6,5%.
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Giully Regina – NovaCana