Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 22 a 28 de março:

Preço médio da gasolina caiu 1,92% e o do etanol, 2,7%
Na média nacional, o preço do renovável correspondeu a 71,3% do valor de comercialização do combustível fóssil
Com as variações nos estados, o consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas para os motoristas de Goiás e São Paulo
O preço do etanol caiu em 18 estados e no Distrito Federal, subiu em sete e não foi registrado no Amapá
Novamente, o valor de venda do renovável nas usinas teve queda nos principais estados produtores
A redução do consumo de combustíveis devido à epidemia do coronavírus, somada à queda na cotação do petróleo, está tendo influência nos preços dos postos de todo o país e na competitividade do etanol.
De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 22 a 28 de março, o preço do renovável correspondeu a 71,3% do valor de venda da gasolina.
Mesmo que o índice ainda esteja acima do limite considerado economicamente favorável para o etanol – 70% –, este é o menor valor registrado desde o início de fevereiro. A queda foi de 0,83% no comparativo com a semana anterior.
No período, o preço do renovável caiu 2,7%, passando de R$ 3,226 por litro para R$ 3,139/l. A gasolina, por sua vez, caiu relativamente menos, 1,92%, passando de R$ 4,486/l para R$ 4,4/l.
Com os preços registrados entre 22 e 28 de março, o etanol teve a terceira redução desde o início do ano, além de ter atingido o menor patamar desde a primeira semana de 2020. Já a gasolina atingiu seu menor valor desde novembro de 2019.

As reduções para o combustível fóssil dependem de diversos fatores, com destaque para os preços nas refinarias, que já tiveram reduções superiores a 40% desde o começo do ano. O renovável, por sua vez, depende não apenas da oferta disponível nos estoques das usinas – que ainda estão oficialmente em entressafra – mas também do valor do próprio combustível fóssil.
De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, na semana passada, o valor do etanol hidratado nas usinas paulistas caiu 9,47%, de R$ 1,6721 para R$ 1,5137 o litro, em média, chegando novamente ao menor valor do ano.
Já em Goiás e Mato Grosso, as quedas em relação à análise anterior foram de 7,35% e 6,47%, respectivamente.
Conforme dados da ANP, na semana de 22 a 28 de março, o preço do etanol aumentou em sete estados, diminuiu em 18 e no Distrito Federal, e novamente não foi registrado no Amapá. A gasolina, por sua vez, registrou quedas em todo o país.
Neste cenário, o consumo do biocombustível só é vantajoso economicamente para os motoristas de Goiás e, mais uma vez, de São Paulo. O estado do sudeste – que também é o maior produtor e consumidor de etanol do país – não registrava biocombustível competitivo desde a segunda quinzena de fevereiro.

Na semana, São Paulo viu uma queda de 3,66% no valor do etanol – a maior da análise –, com o biocombustível chegando a R$ 2,924. O valor ficou abaixo dos R$ 3,00 pela primeira vez desde a primeira semana do ano. Como a gasolina teve uma redução menor, de 2,59%, a relação entre os preços caiu para 69,4% e voltou a favorecer o renovável.
Já em Minas Gerais, o etanol teve uma redução de 2,07% e a gasolina, de 1,43%. Desta forma, a relação entre os valores caiu para 70,4%, ainda acima do limite da competitividade para o renovável.
Em Goiás, o etanol apresentou queda de 2,53% – chegando a R$ 3,001 – e a gasolina, de 1,24%. Desta forma, a relação entre eles caiu para 67,4%, distanciando-se ainda mais do limite da competitividade para o biocombustível.
Mato Grosso, por outro lado, foi um dos poucos estados que registrou aumento para o renovável na semana, mesmo que de apenas 0,03%. Com a queda de 2,05% para a gasolina, a relação entre os combustíveis ficou em 71,7%, valor que o estado não atinge desde o início de 2017.
No Paraná, o etanol caiu 2,77% e a gasolina, 2,24%. Assim, a relação entre os preços diminuiu para 75,9%, ainda acima do limite considerado favorável para o biocombustível. O estado apresenta o segundo indicador mais alto dentre os seis grandes produtores. O primeiro, Mato Grosso do Sul, está em 80,2%.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusivo para assinantes).
Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Rafaella Coury – novaCana.com