Etanol: Mercado: Gasolina

Reduções de preços da gasolina não chegam ao bolso do consumidor

Segundo dados da ANP, apesar de ter registrado oito quedas consecutivas, o valor do combustível no varejo até a semana passada está apenas 3,87% menor do que há um ano


O Estado de S. Paulo - 25 mar 2020 - 07:22

A Petrobras vai reduzir a partir desta quarta-feira, 25, o preço do litro da gasolina em 15% nas refinarias, a terceira queda em 10 dias e a décima no ano, acumulando redução de 40,5%, percentual que ainda está longe de chegar ao bolso do consumidor.

Apesar de ter registrado oito quedas consecutivas nos postos, até a semana passada, o preço da gasolina no varejo está apenas 3,87% menor do que há um ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em relação há um mês, a redução joga os preços para os níveis praticados em setembro de 2019.

A queda de 15% segue outras concedidas no dia 13 de março, de 9,5%, e no dia 19 de março, de 12%. O repasse não representa nem mesmo o registrado pelas distribuidoras, que compram a gasolina da Petrobras e revendem aos postos. Na semana passada, a distribuição praticava preço 2% menor do que há quatro semana. Já o preço do diesel não foi alterado na última terça-feira, 24, registrando no ano queda de 29,1%.

Na semana passada, no último dado disponível na ANP, a média do preço da gasolina nos postos era de R$ 4,486 o litro, sendo o maior valor registrado na região Sudeste (R$ 5,889/litro) e o menor na região Norte (R$ 3,620/litro).

Segundo o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, o que segura o preço na bomba é a incidência de impostos, que no caso da gasolina representa 45% do total, quase a metade do preço, composto por 30% de ICMS e 15% pela cobrança de PIS/Pasep/Cofins e a Contribuição de Intervenções sobre o Domínio Econômico (Cide).

A queda do combustível anunciada pela estatal ocorre um dia depois que o petróleo ensaiou uma leve alta na terça, em relação ao fechamento de segunda-feira, 23, puxada pela expectativa da aprovação, pelo Senado norte-americano, de um pacote trilionário para ajudar a maior economia do mundo.

O petróleo tipo Brent, referência mundial usada pela Petrobras, subiu 0,44%, para US$ 27,15 o barril, uma alta ainda tímida diante dos sucessivos tombos da commodity desde o início do ano por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que deixaram o valor bem distante dos US$ 70/barril no início de 2020.

“Por mais que o preço do petróleo caia no mercado internacional, pouco reduz na bomba; são as falhas de uma tributação errada. Enquanto não for feita a reforma fiscal estas distorções irão continuar ocorrendo. A Petrobras está fazendo o papel dela, acompanhando as flutuações do preço internacional”, avaliou.

Apesar de preços mais baixos, que voltaram aos níveis praticados pelos postos no final do ano passado, as vendas estão em franca queda, abatidas pela redução da demanda provocada pelo coronavírus. De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, em mensagem para a indústria, as vendas devem cair 50% “no cenário mais otimista”, por causa da crise causada pela pandemia.

A expectativa é que a redução da demanda ajude a puxar os preços para baixo, o que afetaria ainda mais a receita dos postos de abastecimento.

A entidade está solicitando ao governo várias medidas para enfrentar a crise, como o fechamento de postos de abastecimento aos domingos e suspensão temporária da contratos de trabalho dos frentistas, para que possam acionar o seguro-desemprego pelo período de cinco meses e evitar demissões em massa enquanto durar a crise da pandemia.

A flexibilização do horário de funcionamento dos postos já foi conseguida, com a redução em uma hora na abertura e fechamento, que agora vai das 7h às 19h (antes, das 8h às 20h).

Segundo o analista Thadeu Aguiar, da consultoria INTL FCStone, a gasolina no mercado internacional está no menor valor da história e a Petrobras ainda não repassou para o mercado interno toda a oscilação do preço do combustível. “Talvez a Petrobras esteja esperando um pouco para ver o que acontece com o preço lá fora e também queira evitar uma quebra nas distribuidoras que ainda possuem estoques aos preços mais altos”, explicou.

Denise Luna