Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 17 a 23 de janeiro:

Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,7% e o do etanol, 0,28%
Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 69,7% do preço de comercialização do fóssil
O consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Minas Gerais, Goiás e, novamente, de Mato Grosso
O preço do biocombustível segue subindo nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás
Em uma semana de aumentos no preço do etanol nas usinas produtoras do biocombustível, o acréscimo no valor para os consumidores nos postos de combustíveis pode não ter sido tão sentido.
De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado segue subindo nas usinas dos principais estados produtores. Em São Paulo, na última semana, o aumento foi de 1,66%. Já em Goiás e Mato Grosso, ele foi de 1,56% e 1,1%, respectivamente.
O reflexo destes acréscimos no preço nos postos pode ser notado no levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente à semana de 17 a 23 de janeiro. O etanol passou de R$ 3,202 por litro para R$ 3,211/L, um incremento de 0,28%. A gasolina, por sua vez, subiu mais, 0,7%, passando de R$ 4,572/L para R$ 4,604/L.
Com isso, a relação entre os preços dos combustíveis caiu 0,43% e ficou em 69,7%, abaixo do limite comercialmente estabelecido como favorável para o etanol, de 70%. Essa é a primeira vez que o renovável fica competitivo na média nacional desde outubro de 2020.

Ainda assim, é importante lembrar que o levantamento dos preços de combustíveis da ANP ficou em pausa por dois meses no ano passado e ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 137 municípios, apenas um a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas é pequeno e muda a cada análise.
Na semana de 17 a 23 de janeiro, o preço do etanol subiu em 17 estados e no Distrito Federal, caiu em 8 e, mais uma vez, não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina novamente registrou aumento em 19 estados.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o renovável subiu 0,39%, chegando a R$ 3,05/L, mas se manteve com o menor valor da análise. Como a gasolina teve uma elevação de 0,79%, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 70,2%.
No comparativo semanal, o biocombustível se favoreceu, mas ainda está acima do limite comercialmente estabelecido. Já o número de cidades pesquisadas no estado caiu no mesmo comparativo, ficando em 39.
Por sua vez, Minas Gerais teve dois municípios pesquisados a mais, chegando a 12. Neles, em média, o preço do etanol aumentou 0,81% e ficou em R$ 3,234/L. Como a gasolina subiu um pouco menos, 0,6%, a relação entre os valores subiu para 69%, ainda dentro do limite considerado comercialmente favorável ao biocombustível.
Em Goiás, o etanol segue competitivo, novamente apresentando queda no indicador no comparativo semanal e ficando em 67,7%. Para isso, o renovável subiu 0,15%, chegando a R$ 3,262/L, enquanto a gasolina teve maior acréscimo, de 0,58%. O estado também manteve o número de municípios pesquisados, dois: Anápolis e a capital Goiânia.
Mato Grosso também manteve as mesmas duas cidades no levantamento, Cuiabá e Várzea Grande. Nelas, o etanol caiu 1,51% no comparativo semanal, a segunda maior queda da análise, e ficou em R$ 3,186/L – o segundo preço mais baixo. Como a gasolina subiu 0,31%, a relação entre os preços caiu para 69,7% e o renovável voltou a ser competitivo no estado, depois de seis semanas acima do limite.
Já em Mato Grosso do Sul, ambos os combustíveis registraram aumento: 0,54% para o etanol e 1,77% para a gasolina. Assim, a relação entre os valores caiu para 70,9%. O resultado ainda está acima da linha favorável para o biocombustível, mas é o menor desde outubro de 2020 e um dos menores desde 2018. No estado, a pesquisa está sendo realizada apenas na capital Campo Grande.
No Paraná, o número de cidades reduziu entre as duas semanas, saindo de dez para oito. Desta forma, o comparativo semanal não é preciso. Ainda assim, na média, o renovável apresentou queda de 0,5%, enquanto a gasolina subiu 0,58%. Desta forma, a relação entre eles ficou em 73,9%, acima do limite considerado favorável para o biocombustível, ainda que mais baixo que o registrado na semana anterior.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 17 e 23 de janeiro, 137 cidades foram pesquisadas, apenas uma a mais do que no período anterior. O número inclui todas as capitais, exceto Macapá (AP), no caso do etanol. O estado não apresenta qualquer dado desde o retorno da análise. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Rafaella Coury – novaCana.com