Etanol: Preços

Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol é competitivo apenas em Goiás

Com alta de 4,53% na média nacional – contra aumento de somente 0,38% para a gasolina –, renovável perde vantagem econômica


NovaCana - Publicado: 19 Abr 2022 - 11:12 | Atualizado: 02 Mai 2022 - 08:41

Errata (02/05, às 8h40): Ao contrário do que foi noticiado inicialmente, o etanol mais barato da semana foi visto em Mato Grosso, a R$ 4,927 por litro, e não em São Paulo. O texto abaixo foi alterado para corrigir essa informação.

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 10 a 16 de abril:

  1. O preço do etanol subiu em 21 estados e no Distrito Federal, enquanto o da gasolina aumentou em 17 unidades da federação

  • O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Goiás

  • O valor do hidratado subiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses

  • Levantamento de preços da ANP foi realizado em 421 municípios, dez a mais do que na semana anterior


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    Pela sexta semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros. Desta vez, a alta acontece de forma mais relevante do que a da gasolina, que teve um incremento após três semanas de queda.

    Entre 10 e 16 de abril, o biocombustível passou de R$ 5,014 por litro para R$ 5,241/L na média nacional, alta de 4,53%. Já a gasolina foi de R$ 7,192/L para R$ 7,219/L, elevação de 0,38%.

    Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Segundo representantes das usinas ouvidos pela Folha de S. Paulo, a escalada dos preços do etanol é reflexo da demanda elevada em um período de entressafra, quando os estoques estão mais baixos. Com isso, existe a expectativa de que os preços comecem a ceder nas próximas semanas, com o início da colheita da cana-de-açúcar.

    Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 72,6%, acima do resultado do período anterior, de 69,7%. Este é o quarto aumento consecutivo depois de dez semanas de redução no indicador.

    Com esta alta, o etanol deixa de ser comercialmente competitivo na média nacional. Ou seja, o preço do biocombustível ficou acima de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como vantajoso para os consumidores.

    Considerando as médias estaduais, o biocombustível só está economicamente vantajoso em Goiás.

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    As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 421 municípios, dez a mais do que no período anterior.

    Por sua vez, nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 3,55/L para R$ 3,8366/L, aumento de 8,1%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve acréscimo de 10,42% nas produtoras goianas e de 4% nas mato-grossenses.

    Variações nos estados

    Segundo a ANP, entre 10 e 16 de abril, o preço do etanol subiu na média de 21 estados e no Distrito Federal, caiu em quatro e ficou estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, subiu em 17 unidades da federação.

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    Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um acréscimo de 5,89%, o maior aumento de todas as unidades da federação, custando R$ 5,036/L em média; já a gasolina foi vendida a R$ 6,925/L, aumento de 0,86%. Com isso, a relação entre os preços subiu, ficando em 72,7%, acima dos 69,3% de uma semana antes e deixando de ser favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 107 cidades paulistas, mesma quantidade do que na semana anterior.

    Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 5,173/L na média da semana analisada, incremento de 5,08%. Enquanto isso, a gasolina subiu 1,99%, para R$ 7,497/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 69%, acima dos 67% de uma semana antes, mas ainda favorável ao etanol. Segundo a ANP, 16 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesmo número do que uma semana antes.

    Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 4,87% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,406/L. A gasolina passou por uma alta de 0,65% e foi negociada a R$ 7,561/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 71,5% do preço do combustível fóssil, acima dos 68,6% vistos na semana anterior, com o etanol deixando de ser competitivo no estado. No total, 53 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesmo número que na semana anterior.

    Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um crescimento de 0,14%, indo para R$ 4,927/L – ainda assim, o menor valor entre todos os estados do país. Na semana, a gasolina subiu 0,21%, passando a custar R$ 7,028/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 70,1%, abaixo dos 70,2% de uma semana antes, não sendo economicamente vantajoso ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, mesmo valor do total registrado no último levantamento.

    Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 3,11%, ficando em R$ 5,365/L. A gasolina, por sua vez, teve um incremento de 0,46%, para R$ 7,028/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 76,3% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 74,4% de uma semana antes e a mais alta relação entre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.

    Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 75,6% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma alta de 3,3%, sendo vendido por R$ 5,480/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina subiu 0,3%, indo para R$ 7,251/L. No total, 27 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantia do que o visto uma semana antes.

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    Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

    Comparação comprometida

    Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

    Entre 10 e 16 de abril, 421 cidades foram pesquisadas, dez a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

    Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

    Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

    Gabrielle Rumor Koster – NovaCana