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Colombo comemora lucro estável e avanço na moagem; perspectiva é de recordes em 2023/24

Na temporada passada, grupo teve uma alta anual de 15,6% na produção de cana-de-açúcar e uma retração de 0,5% em seu resultado líquido

NovaCana 13 min de leitura

Enquanto muitas sucroenergéticas registraram quedas consideráveis em seus números na temporada 2022/23 – especialmente após os recordes vistos em 2021/22 –, a Colombo vive um cenário diferente. A companhia, que já sofria com uma alta nos custos na safra anterior e teve uma queda de 24,5% no lucro líquido, praticamente manteve seu resultado.

“O ano passado, realmente, foi um pouco complicado. A companhia foi atingida em cheio com a seca e as geadas, e isso acabou prejudicando o canavial”, relembra o especialista contábil da Colombo, Gustavo Barboza, que completa: “No entanto, a companhia vem com uma estratégia assertiva de investir no campo. Isso vem entregando excelentes resultados”.

Assim, o lucro líquido no ciclo encerrado em março deste ano ficou em R$ 317,45 milhões, retração anual de 0,5%. O valor representa o desempenho do grupo, englobando as empresas Colombo Agroindústria, João Colombo Agrícola, CGC - Administradora e Corretora de Seguros e as quatro termelétricas da Colombo Bioenergia.

“Nosso sentimento é que a safra 2021/22 (ano de severa crise climática) colocou à prova nosso modelo de negócio e que a safra 2022/23 coroou e mais uma vez comprovou o sucesso desta construção, superando nossas expectativas iniciais e nossa resiliência nos momentos de crise”, afirma a administração da companhia, em documento divulgado em conjunto com seu relatório financeiro.

Por sua vez, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) foi de R$ 1,37 bilhão, alta de 24,7% em relação ao R$ 1,1 bilhão da safra anterior.

“A melhora no resultado se deu principalmente por conta da eficiência da companhia em recuperar de forma muito acelerada a moagem, a produtividade agrícola (a usina foi capaz de diluir e otimizar seus custos agroindustriais), além da manutenção da estratégia comercial de sucesso”, complementa a Colombo.

Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):

- Moagem na temporada e perspectiva para 2023/24
- Produção de açúcar e etanol da companhia
- Resultados da estratégia de comercialização
- Formação da receita bruta da Colombo
- Relação entre receitas e custos
- Balanço financeiro da companhia
- Investimentos realizados
- Perfil da dívida e liquidez
- Resultados em relação à moagem

Enquanto muitas sucroenergéticas registraram quedas consideráveis em seus números na temporada 2022/23 – especialmente após os recordes vistos em 2021/22 –, a Colombo vive um cenário diferente. A companhia, que já sofria com uma alta nos custos na safra anterior e teve uma queda de 24,5% no lucro líquido, praticamente manteve seu resultado.

“O ano passado, realmente, foi um pouco complicado. A companhia foi atingida em cheio com a seca e as geadas, e isso acabou prejudicando o canavial”, relembra o especialista contábil da Colombo, Gustavo Barboza, que completa: “No entanto, a companhia vem com uma estratégia assertiva de investir no campo. Isso vem entregando excelentes resultados”.

Assim, o lucro líquido no ciclo encerrado em março deste ano ficou em R$ 317,45 milhões, retração anual de 0,5%. O valor representa o desempenho do grupo, englobando as empresas Colombo Agroindústria, João Colombo Agrícola, CGC - Administradora e Corretora de Seguros e as quatro termelétricas da Colombo Bioenergia.

“Nosso sentimento é que a safra 2021/22 (ano de severa crise climática) colocou à prova nosso modelo de negócio e que a safra 2022/23 coroou e mais uma vez comprovou o sucesso desta construção, superando nossas expectativas iniciais e nossa resiliência nos momentos de crise”, afirma a administração da companhia, em documento divulgado em conjunto com seu relatório financeiro.

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Por sua vez, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) foi de R$ 1,37 bilhão, alta de 24,7% em relação ao R$ 1,1 bilhão da safra anterior.

“A melhora no resultado se deu principalmente por conta da eficiência da companhia em recuperar de forma muito acelerada a moagem, a produtividade agrícola (a usina foi capaz de diluir e otimizar seus custos agroindustriais), além da manutenção da estratégia comercial de sucesso”, complementa a Colombo.

Moagem e produção

Os números relativos ao campo corroboram com esta afirmação. A princípio, conforme as perspectivas divulgadas ao final da safra anterior, a companhia pretendia chegar a uma moagem de entre 8,3 milhões e 8,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Entretanto, o processamento em 2022/23 somou 8,75 milhões de toneladas, um avanço de 15,6% ante as 7,57 milhões de toneladas contabilizadas em 2021/22.

“Ainda está longe da capacidade. No entanto, esse resultado deixou a companhia bem satisfeita, visto que demonstrou a assertividade dos investimentos no canavial”, relata Barboza. De acordo com ele, a perspectiva é chegar a cerca de 11 milhões de toneladas em 2023/24: “Vai ser recorde, vai ser uma moagem excepcional”.

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Segundo a Colombo, a produtividade dos canaviais subiu 33,3% na temporada, para 83,1 t/ha. Além disso, a concentração de açúcar total recuperável (ATR) aumentou 2,5% no mesmo comparativo, indo a 136,8 kg/t. Unindo os dois indicadores, a companhia obteve 11,4 toneladas de ATR por hectare, alta anual de 36,7%.

“Devido aos investimentos e estratégias adotados para a safra finalizada em março de 2023, o desempenho agrícola demonstrou forte recuperação do canavial, com a retomada do patamar histórico de produtividade da companhia”, afirma o relatório da administração. A empresa alega registrar, em média, uma produtividade 10% superior à da região Centro-Sul.

Os números, contudo, foram minimizados por uma retração de 14,7% na área colhida, para 103,6 mil ha. De acordo com Barboza, isso aconteceu porque houve a renovação de mais de 25 mil hectares de canavial visando um aumento da colheita já em 2023/24.

Além disso, a Colombo relata ter direcionado 49,2% da matéria-prima para a fabricação de açúcar, ante 41,6% na safra anterior. “A escolha do mix mais voltado ao açúcar deu-se pela manutenção dos preços mais remuneradores em relação ao etanol”, justifica a administração.

Desta forma, a usina produziu 560 mil toneladas de açúcar (alta anual de 29,3%) e 376 milhões de litros de etanol (+2,3%). Embora não tenha divulgado os volumes por tipo de etanol, a Colombo revelou que optou por uma maior participação de anidro em comparação com a temporada anterior.

“A companhia priorizou a produção e a comercialização do etanol anidro em detrimento do hidratado por conta da queda menos expressiva nos preços líquidos”, afirma o relatório, citando reduções de 4,6% no valor do anidro e de 11,6% no do hidratado.

Estratégia de vendas

De acordo com os números divulgados, a receita bruta da Colombo totalizou R$ 3,07 bilhões em 2022/23, alta de 5,1% na comparação anual. Segundo o especialista contábil Gustavo Barboza, o montante representa um recorde para a empresa.

Dentro deste total, os produtos mais representativos foram o açúcar vendido no mercado interno, com R$ 1,3 bilhão (+23%), e o etanol, com R$ 1,24 bilhão (-9,4%).

“Pela primeira vez na história de mais de 27 anos da marca, durante a safra 2022/23, o Açúcar Caravelas alcançou a primeira posição em vendas de açúcar refinado no Brasil, atingindo 25,7% de market share e se consolidando como um dos principais players varejistas”, comemora a empresa.

Este foi o terceiro ano consecutivo em que a Colombo implementou a estratégia comercial de comprar açúcar bruto no mercado para fazer o refino e a distribuição no varejo. No período, a sucroenergética relata ter adquirido e comercializado cerca de 29 mil toneladas de açúcares, uma quantia equivalente a 229,7 mil toneladas de cana processadas.

O volume, contudo, representa uma retração ante as 121,11 mil toneladas de açúcar compradas em 2021/22. Barboza explica que a diminuição na temporada mais recente é justificada pela entrada de uma maior quantidade de matéria-prima própria.

“O açúcar comprado no ano passado veio para suprir a quebra do canavial. Então, com a recuperação, nós precisamos de menos açúcar para atender o mercado”, afirma e completa: “Mesmo reduzindo o total adquirido, o volume de açúcar comercializado foi maior”.

O relatório da empresa também reforça que a estratégia deve seguir nas próximas safras. “A companhia entende que a atividade de trading de açúcar, embora apresente uma margem operacional menor do que a produção de açúcar próprio, é uma vantagem competitiva do grupo e deverá ser realizada nas safras em que houver oportunidade”, declara a administração.

Segundo o documento, a estratégia contribui para a diluição dos custos fixos industriais e gera um resultado financeiro positivo incremental, além de contribuir para o posicionamento da marca Caravelas no mercado de varejo. Em 2022/23, o volume de açúcar vendido pela empresa teve alta de 13,3%.

Para completar, a Colombo também contabilizou exportações de açúcar, que geraram uma receita bruta de R$ 404,05 milhões (+19,9%), além de R$ 52,48 milhões com vendas de CBios (+19,9%), R$ 46,91 milhões com energia elétrica (-41,1%) e R$ 29,38 milhões com produtos não especificados (-19,7%).

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“A comercialização de CBios apresentou fortes resultados na safra 2022/23”, destaca a empresa. A administração da Colombo, entretanto, pondera que o volume vendido caiu 33,1%, para 527 mil créditos. O menor volume foi compensado pela alta de 114,2% nos preços, atingindo um valor médio de R$ 84,60 em 2022/23, contra R$ 39,50 na safra anterior.

“Os resultados com os CBios passam a ser significativos no negócio de açúcar e etanol, representando 3,3% do Ebitda ajustado da companhia na safra, contra 2,8% na safra anterior”, completa.

Receitas e custos em alta

Considerando as deduções com impostos e devoluções, por sua vez, a receita líquida da companhia na safra passa a ser de R$ 2,72 bilhões, alta de 8,2% em comparação com os R$ 2,51 milhões da temporada anterior.

Ao mesmo tempo, os custos com os produtos vendidos subiram 5,1%, de R$ 1,93 bilhão para 2,03 bilhões. Afinal, ainda que a sucroenergética tenha reduzido em R$ 112,12 milhões seus custos com matéria-prima, ela viu altas significativas com: amortização do direito de uso (R$ 125,03 milhões); amortização para a entressafra (R$ 56,27 milhões); amortização do ativo biológico (R$ 41,32 milhões); frete, transporte e armazenagem (R$ 34,66 milhões); e combustíveis e lubrificantes (R$ 30,98 milhões).

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Desta forma, os gastos da Colombo em 2022/23 corresponderam a 74,8% da receita no mesmo período. O indicador ficou 2,2 pontos percentuais abaixo do registrado uma safra antes, caracterizando uma melhora na margem operacional.

Além disso, contabilizando uma valorização de R$ 82,28 milhões no ativo biológico (cana em pé), a empresa teve um lucro bruto de R$ 766,35 milhões na temporada. O montante ficou 0,1% abaixo do visto um ano antes (R$ 767,18 milhões), quando o valor justo da cana em pé acrescentou R$ 188,73 milhões ao resultado.

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Assim, parte do impacto que levou à leve retração de 0,5% no lucro líquido da companhia deriva de seu resultado financeiro. Em 2022/23, as despesas da Colombo nesta área totalizaram R$ 477,6 milhões, alta de 5,2% em relação à safra anterior.

Dentro deste valor, as despesas mais significativas foram empréstimos e financiamentos, com R$ 288,5 milhões (+23,1%); operações com derivativos, com R$ 115,8 milhões (-20,2%); e passivos de arrendamentos, com R$ 111,39 milhões (+42,7%).

Por sua vez, as receitas financeiras da Colombo somaram R$ 179,15 milhões no período, queda anual de 26,1%. Com isso, o balanço financeiro da companhia ficou negativo em R$ 298,45 milhões, caracterizando perdas 41,1% maiores que as vistas na temporada anterior.

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Dívidas e investimentos

De acordo com o relatório da Colombo, os investimentos totais da safra 2022/23 somaram R$ 1,07 bilhão, alta de 31,2% ante os R$ 795 milhões de um ano antes. Os valores foram direcionados para os canaviais, com o objetivo de ampliar a produtividade em 2023/24, e para a indústria.

“A Colombo tem elevado seus investimentos, que têm sido direcionados não somente para o plantio e tratos agrícolas, mas também para a revitalização do maquinário e dos equipamentos, de modo a manter a operação pronta para o maior nível de moagem nas próximas safras”, afirma o documento.

Apesar do aumento nos aportes, a companhia divulgou uma redução de 1,2% na sua dívida bruta com empréstimos e financiamentos, que era equivalente a R$ 1,84 bilhão em 31 de março de 2023. Dentro deste montante, R$ 198,75 milhões se referiam aos débitos com vencimento ao longo da safra 2023/24, retração de 55,2% ante os valores contabilizados um ano antes como dívidas de curto prazo.

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Desta forma, R$ 1,64 bilhão se referem a empréstimos com prazo de vencimento superior a um ano, alta de 15,7% na comparação anual. Segundo a companhia, a maior parte deste montante se refere a captações para capital de giro, totalizando R$ 734,51 milhões (+51,9%). Na sequência, estão debêntures, com R$ 500,47 milhões (-8,9%), e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), com R$ 418,68 milhões (+5,3%).

“No fechamento da safra 2022/23, a companhia detinha 53,3% do seu endividamento no mercado bancário e o restante estava alocado no mercado de capitais”, afirma o relatório, que segue: “As duas emissões (CRA e debênture), na avaliação da companhia, foram alternativas bastante atrativas do ponto de vista de custo e prazo”.

Considerando as disponibilidades de caixa, a Colombo afirma ter encerrado a safra com um endividamento líquido de R$ 875 milhões, queda de 7,4% ante os R$ 944 milhões da temporada anterior.

Além disso, Barboza destaca a liquidez da empresa. Segundo ele, a disponibilidade de caixa da Colombo é suficiente para pagar todo o passivo circulante. “Isso é um ponto que a companhia preza bastante. Se você tem uma liquidez forte, você acaba conseguindo as melhores taxas nos financiamentos, capturando os melhores benefícios”, explica.

Desempenho em relação à moagem

Os resultados da sucroenergética na safra também podem ser comparados à moagem de cana-de-açúcar.

Em 2022/23, por exemplo, a Colombo obteve um lucro líquido positivo equivalente a R$ 36,28 por tonelada, com queda de 13,9% em relação aos R$ 42,14/t vistos em 2021/22. Desta forma, fica evidente o peso que a maior produção de matéria-prima teve na estabilidade dos resultados absolutos.

Além disso, a companhia registrou uma queda de 6,4% nas receitas no mesmo comparativo, indo a R$ 310,32/t. Já os custos caíram 9,1%, para R$ 232,14/t, indicando uma maior diluição das despesas fixas. Ainda assim, o lucro bruto da companhia caiu 13,6%, para R$ 87,58/t.

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Em relação ao endividamento, os R$ 210,31/t registrados correspondem à posição bruta com empréstimos e financiamentos em 31 de março de 2023. Neste caso, houve uma retração de 14,6% na comparação anual.

Mas a Colombo destaca, em seu relatório, que o endividamento líquido por tonelada de cana processada teve uma redução ainda mais acentuada, de 19,9%, saindo de R$ 125/t para R$ 100/t.

Renata Bossle – NovaCana

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