A colheita da safrinha de milho (segunda safra, ou de inverno) 2023 atingiu 0,8% da área estimada para o Centro-Sul do Brasil na quinta-feira, 25
A colheita da segunda safra de milho do Centro-Sul do Brasil chegou na última quinta-feira, 25, a 0,8% da área estimada para a região, contra 1,2% no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da consultoria AgRural, que elevou sua projeção de safra para novo recorde em meio a um clima favorável.
Em relatório nesta segunda-feira, a AgRural disse que os trabalhos de colheita ainda estão concentrados em Mato Grosso, “onde o ritmo é um pouco mais lento que o de um ano atrás”.
O plantio foi feito com atraso em relação a 2022, após chuvas reduzirem o ritmo da colheita de soja, que precede a semeadura do cereal.
Segundo a analista da AgRural Alaíde Ziemmer, quem colhe milho no Brasil neste início é praticamente apenas o Mato Grosso, maior produtor do cereal no Brasil que lidera os trabalhos, e a movimentação das colheitadeiras é mais intensa na região médio-norte do estado.
“Eu acredito que o ritmo ainda vai ficar lento na próxima semana, pois o milho ainda está perdendo umidade. Como já é de costume, as chuvas ‘cortam’ no Cerrado (nesta época), então o produtor aguarda esse milho perder umidade no campo”, previu ela.
O Mato Grosso havia colhido 0,5% da área até a última sexta-feira, com ligeiro atraso ante a média história para a época, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A expectativa é de uma safra recorde, acrescentou a consultoria, que elevou sua projeção de colheita total de milho do Brasil para 127,4 milhões de toneladas, versus 125,1 milhões na estimativa de abril, o que tem pressionado os preços do cereal no Brasil.
“O principal motivo para o aumento veio da safrinha, cuja produção estimada subiu de 95,9 milhões para 97,9 milhões de toneladas”, concluiu.
Segundo a AgRural, uma nova revisão na projeção será realizada na segunda quinzena de junho, “mês em que chuvas e temperaturas ainda serão muito importantes para a definição do tamanho final da safrinha, especialmente nos estados em que o plantio foi mais tardio”.
“Vem muito milho aí. O que talvez pode aliviar essa pressão nos preços pode ser alguma adversidade climática para a safrinha de estados mais tardios como Paraná e Mato Grosso do Sul, que tiveram atraso no plantio e o potencial das lavouras ainda está em aberto”, explicou.
Ela lembrou que o preço do milho já caiu mais de R$ 25 por saca de 60 quilos desde o início do ano, à medida que a grande safra caminha para se confirmar. O produto é cotado em torno de R$ 55 a saca atualmente em algumas praças do Sudeste.
Roberto Samora