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Cocal detalha projeto de biogás em parceria com Geo Biogás & Tech e planos para o futuro

Diretor comercial da sucroenergética explica sobre comercialização de biometano por carreta e gasoduto isolado, além de expansão da planta de biogás e conversão da frota

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Com a produção de biogás – e do biometano resultante da sua purificação – ganhando mais espaço na estrutura das usinas de açúcar e etanol, estes produtos passaram a trazer resultados relevantes para as empresas do setor. O uso e a comercialização se tornaram mais presentes na rotina das sucroenergéticas, mas ainda há espaço para crescimento.

Até mesmo a questão da sazonalidade, considerada um entrave técnico capaz de atrasar este desenvolvimento, já está resolvida. Embora a produção de vinhaça, que é biodigerida para geração do biogás, ocorra apenas em nove meses do ano, a torta de filtro também pode ser utilizada nesta produção de gás verde. Como pode ser armazenada, ela abre a janela para geração de produto em todos os meses do ano. Com isso, a usina consegue comercializar um gás constante, sem interrupções relacionadas à falta de matéria-prima.

É neste contexto em que a Cocal, em parceria com a Geo Biogás & Tech – que trabalha com soluções para a implementação de unidades de biogás –, inaugurou em outubro de 2021 uma planta de biogás na unidade do grupo localizada em Narandiba (SP). No início deste ano, ocorreu a primeira entrega de biometano via carretas para a empresa de nutrição animal YesSinergy. Em cada veículo, podem ser transportados até 7 mil metros cúbicos de biometano.

O biometano pode ser utilizado em substituição ao diesel e ao GNV em veículos, além de entrar no lugar do gás liquefeito de petróleo e gás natural usados no abastecimento de residências e indústrias.

“Nós estamos exportando biometano, gerando energia e inaugurando a planta de biometano no meio da entressafra. Isso mostra o conceito e a importância da não intermitência para o cliente que quer gás o ano inteiro”, destacou o CEO da Geo Biogás & Tech, Alessandro Gardemann, sobre o projeto.

Além disso, a Cocal também fechou um contrato com a fábrica de alimentos Liane, localizada em Presidente Prudente (SP), para entrega do biometano pela GasBrasiliano. “Essa fábrica trabalha 12 meses, então não podemos acompanhar o ciclo da cana. Com a Geo, conseguimos encontrar isso”, relata.

Segundo a sucroenergética, no ciclo 2022/23, 53% da produção total de biogás será purificada para biometano e os outros 47% usados na geração de energia elétrica.

Confira, na versão restrita para assinantes do NovaCana, mais detalhes sobre o projeto entre a Cocal e a Geo Biogás & Tech, além de outros planos das duas empresas.

Com a produção de biogás – e do biometano resultante da sua purificação – ganhando mais espaço na estrutura das usinas de açúcar e etanol, estes produtos passaram a trazer resultados relevantes para as empresas do setor. O uso e a comercialização se tornaram mais presentes na rotina das sucroenergéticas, mas ainda há espaço para crescimento.

Até mesmo a questão da sazonalidade, considerada um entrave técnico capaz de atrasar este desenvolvimento, já está resolvida. Embora a produção de vinhaça, que é biodigerida para geração do biogás, ocorra apenas em nove meses do ano, a torta de filtro também pode ser utilizada nesta produção de gás verde. Como pode ser armazenada, ela abre a janela para geração de produto em todos os meses do ano. Com isso, a usina consegue comercializar um gás constante, sem interrupções relacionadas à falta de matéria-prima.

É neste contexto em que a Cocal, em parceria com a Geo Biogás & Tech – que trabalha com soluções para a implementação de unidades de biogás –, inaugurou em outubro de 2021 uma planta de biogás na unidade do grupo localizada em Narandiba (SP). No início deste ano, ocorreu a primeira entrega de biometano via carretas para a empresa de nutrição animal YesSinergy. Em cada veículo, podem ser transportados até 7 mil metros cúbicos de biometano.

O biometano pode ser utilizado em substituição ao diesel e ao GNV em veículos, além de entrar no lugar do gás liquefeito de petróleo e gás natural usados no abastecimento de residências e indústrias.

“Nós estamos exportando biometano, gerando energia e inaugurando a planta de biometano no meio da entressafra. Isso mostra o conceito e a importância da não intermitência para o cliente que quer gás o ano inteiro”, destacou o CEO da Geo Biogás & Tech, Alessandro Gardemann, sobre o projeto.

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Além disso, a Cocal também fechou um contrato com a fábrica de alimentos Liane, localizada em Presidente Prudente (SP), para entrega do biometano pela GasBrasiliano. “Essa fábrica trabalha 12 meses, então não podemos acompanhar o ciclo da cana. Com a Geo, conseguimos encontrar isso”, relata.

Segundo a sucroenergética, no ciclo 2022/23, 53% da produção total de biogás será purificada para biometano e os outros 47% usados na geração de energia elétrica.

Gasoduto isolado é único no mundo

Apesar do atual foco no envio de biometano via carretas, a Cocal está desenvolvendo outro projeto, que deve se tornar o carro-chefe da empresa em breve. Prevista para entrar em operação no segundo semestre deste ano, a rede isolada de gasoduto, que está sendo construída em parceria com a GasBrasiliano, é um projeto pioneiro no mundo.

A rede não está conectada ao gasoduto da malha de transporte e é usada quando não há viabilidade técnica e econômica para conectar alguma região nesta malha.

Segundo o diretor comercial e de novos negócios da Cocal, André Gustavo da Silva, a rede isolada foi uma solução para uma “dor” da empresa, uma vez que o grupo está localizado na região de Presidente Prudente (SP), que fica a 200 quilômetros do gasoduto Brasil-Bolívia. “Estamos em uma região que tem uma demanda importante e que está sendo abastecida via carretas em longa distância, com custo de logística excessivamente alto. Então, tínhamos uma oportunidade”, detalha o diretor comercial.

Segundo ele, o objetivo é que a produção e o consumo sejam isolados. “Produzimos, transportamos por 56 quilômetros e consumimos em uma mesma região, chamada de sistema isolado por não estar conectada a nenhum gasoduto”, acrescenta. O principal objetivo desta opção é reduzir os custos logísticos de transporte.

Neste projeto, a Cocal arca com todo o investimento e a operação dentro da planta, além de comprimir o gás e entregar para a GasBrasiliano. Na sequência, a empresa parceira faz o transporte e entrega para o cliente final, conforme relata Silva.

Gardemann destaca que o projeto de biogás da Cocal, que já tem 20 meses de implementação, tem um “grande benefício” ao já possuir destinos certos para a geração de energia elétrica e de biometano. “[O gasoduto isolado] é um negócio super inovador para abastecer Presidente Prudente e que a distribuidora local [GasBrasiliano] construiu”, destaca.

Além disso, Gardemann completa que a construção da planta ocorreu dentro do esperado e que a distribuição de gás por caminhão, recomendada dentro de um raio de 100 a 200 quilômetros, também é um conceito novo. “É a produção de biogás no interior, explorando este ‘pré-sal caipira’ e monetizando um gás que é excelente para substituir GLP, óleo diesel, óleos pesados, carvão e todos os combustíveis fósseis, que são caros no Brasil e têm altíssima pegada de carbono”.

“O biometano tem carbono zero, ou até negativo, e tem previsibilidade de preço”, Alessandro Gardemann (Geo Biogás & Tech)

Silva complementa que a Cocal foi procurada por muitas companhias querendo cumprir compromissos com a sociedade relacionados à redução do consumo de insumos fósseis. Algumas têm metas até 2030 e gostariam de iniciar substituindo o GLP, por exemplo, pelo biometano.

“Fizemos um estudo de viabilidade e estamos entregando para esses clientes via carreta. Aos poucos, vamos desenvolver os dutos. Nós entendemos a carreta como uma ponte para viabilizar o fornecimento, principalmente para quem reconhece isso como adicional de valor”, relata o diretor comercial.

Planos de expansão

A Cocal já está considerando que o projeto de produção de biogás seja expandido para a outra usina do grupo, localizada em Paraguaçu Paulista (SP). “Essa unidade está próxima do gasoduto em Marília (SP) e o estudo é para construir a planta de biogás lá e conectar na rede para atender esse novo nicho, que vem se mostrando muito interessante sob a ótica da sustentabilidade”, detalha Silva.

Ele completa que, com a conexão, os moradoras de Marília poderão usufruir do produto e que ele terá um selo verde vinculado à descarbonização.

Silva ainda cita um estudo da Geo Biogás & Tech e da Datagro. De acordo com ele, considerando a totalidade da vinhaça, da torta de filtro, da palha e do bagaço que as usinas de açúcar e etanol produzem, há potencial para a geração de 20 gigawatts – energia que corresponde a uma vez e meia a binacional de Itaipu. Além disso, caso 15 bilhões de metros cúbicos de biometano fossem produzidos, eles seriam suficientes para converter 85% do diesel no estado de São Paulo.

“O Brasil está enfrentando as consequências tanto da alta do barril de petróleo e do dólar quanto da crise energética pela qual passam a Europa, os Estados Unidos e a China, além de problemas geopolíticos e consequências da pandemia”, destaca o CEO da Geo. Tais fatores, conforme Gardemann, são relevantes para o aumento da participação do biogás e do biometano na matriz energética.

O CEO da Geo destaca que estas oportunidades têm gerado bons frutos para a companhia. “Temos cinco projetos para iniciar a construção este ano. Um é com a Reiter Log [empresa de logística de transporte] e há outro que devemos anunciar em breve. Alguns usam outros resíduos, não só a cana”, resume. Em 2022, ele calcula que os projetos da Geo devem demandar investimentos de R$ 750 milhões.

“Temos dinheiro disponível, além de mercado. É uma possibilidade de melhorar a pegada ambiental, reduzir custos, ganhar eficiência energética, melhorar o aproveitamento de resíduos e aumentar a receita por tonelada de cana processada”, Alessandro Gardemann (Geo Biogás & Tech)

Ele destaca que, apesar de serem projetos com capital intensivo, em que é importante o acesso ao financiamento, há muito interesse de investimento neste setor.

Redução das emissões

Além da comercialização do biometano, a Cocal também possui motivadores internos para produção de biogás. Um deles é o consumo de diesel da companhia, que atualmente chega a 30 milhões de litros por safra.

“Apesar do setor sucroenergético ser considerado verde, pois consome mais CO2 do que emite, ele ainda emite”, completa Silva. Ele diz que 30% das emissões da Cocal vêm deste combustível fóssil e outros 60% do uso de fertilizantes.

“Temos, na Cocal, seis equipamentos – três caminhões, dois tratores e uma motobomba a gás – que queremos testar e comprovar para fazer a migração de diesel para biometano”, relata.

O diretor comercial destaca que cada litro de diesel que é substituído por biometano reduz em 95% as emissões de CO2 no processo. “É algo muito importante e que vai nos ajudar a sermos ainda mais verdes”, acredita.

Um segundo passo é a substituição dos fertilizantes fósseis pelo biofertilizante, resultante da biodigestão dos resíduos da cana. “A vinhaça e a torta, quando passam pelo processo de biodigestão, consomem matéria orgânica e os micro e macro nutrientes, que são importantes para o desenvolvimento da planta; então, voltam para o campo”, explica Silva.

Ele detalhe que o digestato – que não tem matéria orgânica, o que faz com que a planta o assimile com mais rapidez – mantém a concentração de micro e macro nutrientes no solo, além de ter um grande volume de bactérias que auxiliam no processo de biodigestão e que vão, por consequência, para o campo.

“Quando temos um biofertilizante substituindo um fertilizante, nós reduzimos em 65% a emissão de CO2 no campo. Isso melhora o nosso critério de sustentabilidade”, comemora Silva. “Com o RenovaBio, temos um incentivo a produzir um etanol ainda mais verde, competitivo, melhorando a nossa nota de eficiência”, complementa.

O projeto também é citado por Gardemann, que ainda acrescenta a possibilidade de aumento deste setor, trazendo resíduos de outras agroindústrias para a produção de adubo orgânico, por exemplo. “Acho que essa visão da Cocal é muito moderna ao enriquecer os resíduos gerados – a vinhaça e a torta – e agregar mais matéria-prima para gerar mais matéria orgânica”, acrescenta o CEO da Geo.

Um terceiro incentivador da Cocal é a produção de energia elétrica, já que uma parte do biogás está sendo destinado para este fim até que o mercado de biometano se desenvolva. “É algo que já conhecemos em um modelo de geração distribuída, que é de contrato com entrega ao longo dos 60 meses”, detalha Silva.

Flexibilização e novos caminhos

A exemplo de como as usinas trabalham atualmente, escolhendo a produção de açúcar ou de etanol a depender da demanda, Silva acredita que o biogás e o biometano também devem ser aproveitados nesta ambivalência. “Nós conseguimos o contrato geração distribuída, temos uma flexibilidade e uma produção de energia que já conhecemos e o mercado de biometano que está começando e crescendo”, detalha.

Ele completa que a empresa ainda não possui caminhões, colhedoras e tratores adaptados ao biometano, uma frota que precisa ser desenvolvida. “Neste momento, acreditamos em ambos [biogás e biometano], entendendo que a tendência é ir para biometano, dado esse uso por empresas que enxergam a sustentabilidade como um diferencial e também para o nosso uso”, prevê.

Silva ainda faz um paralelo com o início da cogeração de energia a partir do bagaço da cana, quando a Cocal também foi pioneira no país. “O grupo está sempre buscando diversificar as suas atividades com a utilização da cana. Em 2002, fomos umas primeiras usinas a iniciar a cogeração”, relembra

“Entendemos que 2020 está para o biogás como 2002 esteve para a cogeração. Vai haver sim esta migração”, André Gustavo da Silva (Cocal)

Para este processo, a sucroenergética conseguiu suporte financeiro com linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que conferiram segurança para o investimento, além de apoio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), tendo conseguido as licenças de operação em tempo recorde.

“O que precisamos para o desenvolvimento da energia é a equiparação”, relata. Neste sentido, o diretor comercial cita que, juntamente com a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a empresa busca um projeto de lei que visa equiparar o biogás ao gás natural. “Isso [é importante] para que possamos concorrer nos leilões de maneira atrativa. Hoje, somos entendidos como biomassa, mas precisamos ser caracterizados como gás natural”, defende.

O esforço é para aprovar um projeto de lei para que, institucionalmente, o biogás tenha benefícios em leilões específicos e dedicados. Segundo Silva, há uma necessidade de investimento em tecnologia e, principalmente, de nacionalização, já que todas as tecnologias são estrangeiras e o investimento para importar, realizar a manutenção e adquirir peças é muito alto. “O nosso investimento de operação é muito grande, até porque é em euro, e precisamos nacionalizar”, destaca.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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