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Clima da entressafra deve atrapalhar desenvolvimento dos canaviais para safra 17/18, aponta IAC

cana-energia comparacao granbio D 290715O clima nos três meses da entressafra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul é um fator determinante para estabelecer alguns elementos que devem influenciar a temporada que tem início em abril

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O clima no primeiro trimestre do ano, correspondente aos três meses da entressafra da cultura de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, é um fator determinante para estabelecer alguns elementos que devem influenciar a temporada que tem início em abril.

Na análise do Instituto Agronômico (IAC) de São Paulo, o desenvolvimento da cana para a temporada que começa em abril não foi bom. Apesar do clima chuvoso do início do ano, a cana precisa de mais que apenas uma boa precipitação.

A seguir, o pesquisador do Programa Cana IAC, Maximiliano Salles Scarpari, fala sobre o desenvolvimento da cana nos últimos meses, e como as condições do clima impactou os canaviais.

O clima no primeiro trimestre do ano, correspondente aos três meses da entressafra da cultura de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, é um fator determinante para estabelecer alguns elementos que devem influenciar a temporada que tem início em abril.

De acordo com o pesquisador do Programa Cana IAC, Maximiliano Salles Scarpari, esse é um período importante de desenvolvimento da planta. “Por isso, é necessário que se tenha a combinação de altas temperaturas, radiação solar e precipitação elevadas. Esses elementos são essenciais para que o potencial de crescimento da cana-de-açúcar ocorra”, afirma.

Dessa maneira, já é possível perceber que esse desenvolvimento pode ser aquém do esperado. Ainda no início do ano, o clima chuvoso para o desenvolvimento da cana em janeiro fez com que algumas apostas ficassem mais otimista para a safra 2017/18. Porém, a cana não se desenvolve apenas com boas chuvas.

O pesquisador aponta que mesmo que muitos locais tenham registrado índices de grande precipitação, no mesmo período, a insolação foi muito baixa. “Essa fase é de desenvolvimento das raízes. Se juntamente com as chuvas fortes, houvesse alta insolação e temperaturas altas, o crescimento teria sido vigoroso. Mas, com o clima notado no mês, o risco é que as raízes da cana fiquem superficiais”, relata.

Já em fevereiro foi o contrário, aponta Scarpari: “Tivemos quase a totalidade de áreas de cana com altas temperaturas, muita radiação e baixo volume de chuvas. Naquelas regiões onde a retenção do solo não é boa, pode ter havido inclusive déficit pelo baixo índice [pluvial] em fevereiro”.

Scarpari destaca ainda que as regiões do Centro-Sul apresentaram no trimestre comportamentos bem diversos no clima, o que não permite generalizações já que deve acarretar em diferenças no desenvolvimento dos canaviais.

Herança da última safra

Ainda de acordo com o pesquisador, de uma forma geral, os canaviais do Centro-Sul já haviam sofrido com as geadas do ano passado. Além disso, em 2016, as temperaturas foram menores de agosto até final do ano, na comparação com 2015.

Segundo ele, é a partir de outubro que a cana passa por um estágio importante de desenvolvimento, em decorrência do início do verão. Essas temperaturas devem influenciar no crescimento do canavial, principalmente naqueles que tem cana para serem colhidas no início de safra. “Não que a cana esteja ruim, mas se tivéssemos uma temperatura maior, poderíamos aproveitar o excesso hídrico que foi observado ao longo do ano passado”.

Na última análise do Banco Pine sobre a safra 2017/18, a instituição também indicou essa visão. Para o banco, um dos fatos marcantes do final do ano passado foram as relativamente baixas temperaturas que afetaram Paraná, partes do Mato Grosso do Sul e algumas regiões de São Paulo.

Segundo os dados, até praticamente dezembro, as temperaturas ficaram abaixo de 20°C em média em uma significante área produtora do Centro-Sul. De acordo com a Embrapa, o brotamento e o crescimento vegetativo precisariam de temperaturas médias de 32 a 38°C e de 22 a 30°C, respectivamente.

Nesses casos, temperaturas médias abaixo dos 20°C prejudicam e retardam o desenvolvimento. Dessa maneira, seria necessário um período maior até a maturação da planta.

Marina Gallucci – NovaCana

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