Cana: Safra / Moagem

Cana: Safra / Moagem

CEO da Raízen vê El Niño como principal desafio da safra 2023/24

Empresa anunciou lucro de mais de R$ 2,6 bilhões no quarto trimestre fiscal da safra 2022/23


Globo Rural - Publicado: 17 Mai 2023 - 09:44

Após um quarto trimestre da safra 2022/23 com resultados robustos, a Raízen espera um bom desempenho operacional na nova temporada, contando com a contribuição do clima.

“Vemos uma melhora para os preços do açúcar e do etanol, diluição dos custos e menos pressão inflacionária. Com o aumento do volume [de cana processada], o maior risco é conseguir colher a safra, já que o El Niño pode afetar nossa moagem no final do ciclo”, disse o CEO da Raízen, Ricardo Mussa, durante teleconferência de resultados.

De acordo com ele, a safra da companhia pode chegar a um volume de 80 milhões de toneladas na temporada 2023/24. A anterior foi de 73,5 milhões, com o clima seco afetando a disponibilidade de cana. Além disso, a Raízen disse que intensificou a renovação de seus canaviais em 2022/23, reduzindo a área de colheita.

Ao comentar estratégias de vendas, Mussa disse que a companhia já fixou 85% da safra de açúcar da temporada 2023/24 e ainda fixou 30% da produção da temporada 2024/25, aproveitando a alta nos preços no mercado internacional.

“Estou otimista em relação aos preços. Não sei se eles vão se manter acima dos 25 [centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York], mas acredito que estamos fazendo bons negócios”, pontuou.

Ainda durante a apresentação dos resultados, a Raízen falou sobre os investimentos na produção de etanol de segunda geração. Em novembro do ano passado, a companhia anunciou o desembolso de R$ 6 bilhões para construir cinco novas plantas.

Ao fim da safra 2022/23, a oferta do biocombustível cresceu 64% em relação à temporada anterior, para 30 milhões de litros, volume recorde, segundo a Raízen. “Estamos construindo as cinco novas usinas de forma simultânea e já temos 5,4 bilhões de litros na carteira de contratos. O desempenho de algumas plantas aumenta o nosso otimismo [pela demanda] na próxima safra”, disse o CFO da Raízen, Carlos Alberto de Moura.

Lucro bilionário

A Raízen registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões no quarto trimestre fiscal, ante R$ 315,8 milhões um ano antes. A companhia de energia somou receitas de R$ 54,9 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 2,8% sobre o mesmo período de 2022.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 6,83 bilhões no quarto trimestre fiscal, ante R$ 2,69 bilhões há um ano. Em termos ajustados, ficou em R$ 5,91 bilhões no período.

“Mantivemos o foco na excelência operacional, com um balanço patrimonial robusto, que sustenta nosso ciclo de expansão dos negócios em renováveis, com avanços em nossa jornada agroindustrial para maximizar produtividade e escala”, afirma a companhia.

Na unidade de renováveis e açúcar, a Raízen registrou receitas de R$ 12,5 bilhões no quarto trimestre fiscal, alta de 9,5% na comparação anual. Os volumes de moagem foram prejudicados pelo clima mais seco, reduzindo disponibilidade do insumo.

Na unidade de combustíveis, as receitas da companhia foram de R$ 43,5 bilhões no quarto trimestre fiscal, uma queda de 5,7% em um ano. Apesar da alta de quase 2% nos volumes, as margens acabaram sendo afetadas.

No ano fiscal como um todo, a Raízen registrou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões, uma queda de 23% sobre 2022. As receitas entre janeiro e dezembro somaram R$ 245,8 bilhões, um crescimento de 28,5% no ano. Já o Ebitda foi de R$ 16,7 bilhões no ano fiscal, alta de 16,4% na comparação com 2022. Em termos ajustados, o indicador da companhia ficou em R$ 15,2 bilhões, crescimento de 42,8% no ano.

O resultado financeiro da Raízen foi negativo em R$ 1,36 bilhão no quarto trimestre fiscal, pior do que há um ano atrás, pressionado por pior saldo e maiores juros no período. No entanto, boa geração de caixa da companhia no quarto trimestre fiscal ajudou sua dívida líquida a cair para R$ 20,3 bilhões no fim de março e manteve alavancagem em 1,3 vez o Ebitda.

Paulo Santos e Felipe Laurence