Censo dos canaviais:

Apesar de aumento da diversidade, variedades antigas seguem relevantes

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Cana: Plantio

Censo dos canaviais:

Apesar de aumento da diversidade, variedades antigas seguem relevantes

CTC4, RB966928 e RB867515 são as três variedades mais cultivadas na média da área total avaliada pela pesquisa do IAC


NovaCana - Publicado: 18 Mar 2026 - 09:49

Quem viaja pelo interior paulista e observa os canaviais que margeiam a estrada nem imagina o quão variadas aquelas plantas podem ser. Ainda que mudanças sutis na aparência possam ser invisíveis a olhos leigos, é a diversidade varietal que garante que a planta se adapte a diferentes características edafoclimáticas.

E se há uma tecla em que o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) sempre bate é a da necessidade de os produtores renovarem e diversificarem os seus planteis a fim de terem um cultivo mais saudável e produtivo.

Com o objetivo de avaliar isso e levantar informações sobre a área das variedades de cana mais usadas no Centro-Sul, o instituto vinculado à secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo realiza um censo varietal todos os anos.

Segundo o mapeamento mais recente, a variedade CTC4 é a mais utilizada no Centro-Sul: conforme os números da pesquisa de 2025/26, ela está presente em 12% dos mais de 7 mil hectares levantados de área de cultivo (total) e em 6% dos 1,17 mil hectares de área de plantio (renovação).

A RB975242, por sua vez, foi a com maior ocupação na área plantada amostrada na média do Centro-Sul, ocupando 8%. O cultivar pode ser considerado jovem, com 28 anos de cruzamento e dez de liberação comercial.

Conforme divulgado pela Ridesa, empresa responsável pelo cruzamento desta variedade, trata-se de uma cana que “tem desenvolvimento médio e hábito de crescimento ereto, além de colmos de fácil despalha e diâmetro médio”.

“A distribuição está muito mais interessante. Há mais opções hoje do que em tempos atrás e creio que as empresas perceberam que diversificar é interessante. Você não pode ficar na mão de poucas variedades. Já vimos ocorrer várias vezes de novas doenças atingiram o canavial e chegaram a praticamente quebrar empresas”, detalha o consultor do IAC, Rubens Braga Junior, ao apresentar o resultado da pesquisa, durante reunião do Grupo Fitotécnico de Cana.

O IAC sempre destaca a importância de uma única variedade não ocupar uma área superior a 15% do total do canavial, a fim de evitar riscos biológicos no canavial.

Apesar da maior diversificação, ainda existem variedades antigas ocupando fatias relevantes no Centro-Sul, como as RB966928 e RB867515, por exemplo, que também estiveram dentre as mais presentes e, também, mais plantadas – ou seja, elas ainda constam nas áreas de renovação.

O NovaCana preparou um infográfico interativo com as áreas cultivadas e plantadas de cada um dos 13 estados e regiões avaliados pelos IAC. A pesquisa separa algumas mesorregiões paulistas e mineiras a fim de tornar a avaliação mais adequada e correspondente a diferentes condições de clima e solo. Além disso, compila alguns estados com menor quantidade de participantes para conferir mais equidade na análise e preservar os dados dos produtores.

Este infográfico, acompanhado de outro que agrega o desempenho dos canaviais das 12 regiões avaliadas em sete indicadores elaborados pelo instituto, são conteúdos exclusivos para os assinantes do NovaCana.


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