"O etanol é o futuro e o Brasil já mostrou o caminho em termos de funcionamento de veículos com biocombustível", disse o Ministro dos Transportes, Nitin Gadkari
Em breve, a Índia irá permitir que montadoras do país fabriquem veículos movidos totalmente a etanol. Contudo, a adoção provavelmente será lenta, uma vez que o país não tem sido capaz de fornecer o produto derivado da cana-de-açúcar nem mesmo para as atuais metas de mistura à gasolina.
O anúncio feito pelo Ministro dos Transportes, Nitin Gadkari, para alavancar o combustível de queima mais limpa veio no mesmo dia em que...
Em breve, a Índia irá permitir que montadoras do país fabriquem veículos movidos totalmente a etanol. Contudo, a adoção provavelmente será lenta, uma vez que o país não tem sido capaz de fornecer o produto derivado da cana-de-açúcar nem mesmo para as atuais metas de mistura à gasolina.
O anúncio feito pelo Ministro dos Transportes, Nitin Gadkari, para alavancar o combustível de queima mais limpa veio no mesmo dia em que o Supremo Tribunal da Índia lançou a proibição temporária para a venda de carros de grande porte movidos a diesel na cidade mais poluída do mundo, Nova Délhi.
"O etanol é o futuro e o Brasil já mostrou o caminho em termos de funcionamento de veículos com biocombustível", disse Gadkari em uma conferência de usinas de açúcar. Ele continua: "Esse passo não somente irá reduzir a nossa dependência das importações de petróleo bruto, mas também ajudar a reduzir a poluição".
Segundo o ministro, os veículos a etanol terão a flexibilidade para mudar para outros combustíveis. Ele ainda acrescentou que mais detalhes estariam disponíveis a partir de 26 janeiro.
Logo após o anúncio, as ações da fabricante indiana de etanol Praj Industries saltaram mais de 13%, indo para seu valor mais alto em cerca de dois meses.
Os fabricantes de automóveis, no entanto, acreditam que o país não tem a infraestrutura necessária para lançar veículos movidos a etanol. Como a Índia não permite a importação de etanol e açúcar, as usinas preferem vender o biocombustível a empresas de bebidas, que oferecem melhor remuneração.
"É muito exagerado. Você não pode esperar que as montadoras globais comecem a trabalhar em algo apenas para você", disse o diretor da consultoria Emerging Market Automotive Advisors, Deepesh Rathore. "A mistura [com a gasolina] é uma opção melhor porque há outros países que estão utilizando isso. Uma mistura de até 20 por cento é uma solução prática".
Atualmente, a Índia é o terceiro maior consumidor de petróleo do mundo. Segundo as metas atuais, o país quer que cada litro de gasolina vendido seja misturado com 5% de etanol, um nível que, eventualmente, deve subir para 10%. Ainda assim, os níveis efetivos de mistura não ultrapassam 3%.
Inclusive, uma licitação realizada em agosto pelas refinarias Bharat Petroleum Corp, Indian Oil Corp e Hindustan Petroleum Corp, que buscavam 2,7 bilhões de litros de etanol, conseguiu garantir apenas 1,03 bilhão de litros, disseram fontes consultadas pela Reuters.
Mesmo assim, a Associação Indiana de Usinas Açucareiras (Isma, na sigla original) disse que está pronta para dobrar a oferta de etanol, chegando a um valor entre 1,25 e 1,30 bilhões de litros em 2015/16. Este número ainda estaria abaixo das exigências de mistura atuais, mesmo que nada seja vendido a fabricantes de bebidas.
Outra razão que faz com que as empresas petrolíferas achem difícil encontrar etanol por valores mais baratos é devido às altas taxações do produto, imposta justamente por seu uso na indústria de bebidas, que é altamente tributada.
Mayank Bhardwaj - Reuters
Com tradução e edição adicional NovaCana