Marcos Fava Neves, colunista do portal NovaCana, revela sua opinião sobre as estratégias da estatal e os fatos intrigantes sobre as informações divulgadasProf. Dr. Marcos Fava Neves
A Petrobras, que congrega subsidiárias, veio a público hoje, logo após a nossa Quarta-feira de Cinzas, com um relatório geral sobre a empresa e suas atividades, ocupando uma página dos principais jornais. Estes relatórios são importantes peças de comunicação usadas pelas empresas, e mostram, na essência, o que fazem e pensam, quase que um resumo do seu plano.
Prof. Dr. Marcos Fava Neves
A Petrobras, que congrega subsidiárias, veio a público hoje, logo após a nossa Quarta-feira de Cinzas, com um relatório geral sobre a empresa e suas atividades, ocupando uma página dos principais jornais. Estes relatórios são importantes peças de comunicação usadas pelas empresas, e mostram, na essência, o que fazem e pensam, quase que um resumo do seu plano.
É dividido em quatro partes: a) gestão com foco na eficiência, produtividade e disciplina de capital; b) resultados operacionais; c) o plano estratégico 2030; e d) o plano de negócios para 2014-2018. São 26 parágrafos, com os destaques nessas quatro áreas. Li com atenção de cientista, primeiro por ter criticado bastante a ingerência na empresa nos últimos anos, e depois para ver o que ela propõe, principalmente na política de preços de combustíveis, um dos fatores que prejudicou a indústria da cana, da qual me considero cientista.
Nesta primeira parte do texto, analiso 2013. A Petrobras apresenta diversos números dignos de elogios, como o crescimento do lucro operacional em 6%, atingindo R$ 34,4 bilhões, e do lucro líquido em 11%, atingindo R$ 23 bilhões (quando comparados a 2012). Programas estruturantes, como o de otimização de custos operacionais, reduziram as despesas em R$ 6,6 bilhões, e o programa de desinvestimentos trouxe R$ 8,5 bilhões de contribuições ao caixa.
Segundo a empresa, programas de aumento de eficiência operacional foram importantes também, com resultados efetivos. Outro esforço louvável foi o de transferências internas de pessoal, que evitou novas contratações, e também foi sucesso o plano de desligamento voluntário.
A empresa justifica a queda na produção de petróleo e gás em 2013, de 2% em relação a 2012, comparando-se a algumas empresas mundiais que também tiveram quedas no período. É uma comparação difícil de entender, pois não se sabe se essas empresas tiveram acesso a novos campos de exploração no período ou se suas condições foram as mesmas da Petrobras. A capacidade de refino em 2013 aumentou em 6%, outro importante número face ao crescente consumo interno de diesel e gasolina.
Apesar da queda da produção verificada em 2013, a companhia promete que a produção crescerá neste ano 7,5% com novas unidades produtivas, o que é uma boa notícia aos brasileiros, afinal nosso consumo de gasolina cresceu 56% de 2009 a 2013, segundo a Bioagência, atingindo quase 42 bilhões de litros.
A empresa coloca como destaque o leilão do Campo de Libra, o primeiro sob o regime de partilha de produção. Leilão vencido pela própria Petrobras, em conjunto com Shell, Total, CNPC e CNOOC, sem dúvida parceiros de destaque, mas intriga o fato de não ter existido competição nesse leilão e a alta participação de recursos públicos brasileiros na oferta.
Um aspecto de extrema importância em relatórios e comunicados à sociedade refere-se ao valor das ações da empresa e sua evolução no período analisado, justificando ao acionista seu comportamento. O valor da ação da Petrobras sofreu forte queda nos últimos anos, refletindo no valor total da empresa. Não há referências no comunicado – ou justificativas – a essa queda, nem ao plano de reversão que se espera da gestão.
O relatório também coloca como destaque o programa de desinvestimentos da empresa, que se inicia em 2012 e já conta com R$ 23,4 bilhões em vendas de ativos. Também neste momento o comunicado relaciona a Petrobras a algumas de suas congêneres mundiais, dizendo que estas também fizeram grandes vendas de ativos.
Porém, de certa forma foram omitidas informações sobre a qualidade da venda desses ativos, que eram patrimônio da sociedade brasileira. Pesam contra a empresa rumores de que alguns desses investimentos e consequentes desinvestimentos foram supostamente lesivos à sociedade em diversos aspectos. Esta entrada de recursos também afetou favoravelmente o lucro da empresa, mas não aparece relacionada na justificativa para o lucro maior obtido.
Também é louvável conhecer que a empresa tem um programa de prevenção à corrupção desde 2013, que ressalta "o compromisso da empresa com a ética e a transparência". Resta esperar pelo aprimoramento deste programa em 2014, com a incorporação de itens que vetem patrocínios a movimentos ilegais e a atos de vandalismo, como os R$ 650 mil descobertos recentemente pela mídia aplicados pela empresa em um lamentável evento ocorrido em Brasília, que foi danoso à sua imagem nacional e internacional.
Na segunda parte deste texto, analiso as informações sobre o futuro da Petrobras. Dentro do plano estratégico 2030, o principal indicador que aparece é que a empresa pretende produzir 4 milhões de barris por dia entre 2020 e 2030, ficando entre as cinco maiores do mundo. O comunicado não oferece, e fica como sugestão, um importante dado em planejamento estratégico que é a estimativa de tamanho do mercado mundial, mas principalmente do mercado brasileiro de combustíveis, decorrente do tamanho de frotas e outros usos, e como a empresa prevê seu abastecimento. Seria interessante ao grande público saber se esse patamar de produção permite ao Brasil ser independente em combustíveis fósseis.
Segundo a empresa, ficam estabelecidas arrojadas metas de desenvolvimento, com aplicação de US$ 283,6 bilhões, sendo US$ 220,6 bilhões pela empresa e o restante por parceiros, tanto em refinarias como em exploração e produção. Para este investimento, usará sua geração operacional de caixa. A empresa acredita que o Brasil se tornará exportador líquido de petróleo. Não restam dúvidas de que são grandes investimentos que possibilitarão o desenvolvimento do Brasil.
Em relação a como financiar seu crescimento – o que tem relação com o crucial assunto da paridade dos preços dos combustíveis, algo criticado por 10 entre 10 cientistas brasileiros – são dois parágrafos, que não permitem uma visão clara. Trazem dois cenários opostos, sendo um com preços maiores de petróleo e real desvalorizado, o que melhora a situação da empresa. Mas no parágrafo seguinte, dá-se a entender que o cenário dominante é o de preços de petróleo menores e real mais valorizado, que traria "condições mais rigorosas de financiabilidade", pois a Petrobras acredita que será grande exportadora.
Interessante é que o relatório diz que para 2014-2018 a desvalorização cambial vai melhorar o resultado da empresa, mesmo no caso onde não houver paridade de preços dos combustíveis com os preços internacionais. Minha visão é justamente a contrária, ou seja, com o consumo interno crescente de combustíveis no Brasil – graças ao crescimento da frota e aos preços controlados, aliados à safra menor de cana devido à seca e ao maior volume de gasolina que precisará ser importado este ano – e com este real mais fraco que está sendo observado, a saúde financeira da empresa seria ainda mais prejudicada, pois importa gasolina em dólar e vende em real.
Para o plano estratégico de 2030, é reafirmada a missão de "atuar na indústria de petróleo e gás de forma ética, segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, fornecendo produtos adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua". Em outro momento do relatório, a empresa reafirma o plano de expansão da capacidade de refino e atuação na exploração de petróleo e gás na América Latina, África e EUA.
Mesmo conhecendo que existe uma subsidiária chamada Petrobras Biocombustível e que no plano estratégico da matriz, disponível para consulta no site da Petrobras, existem as projeções – ainda que tímidas – para o consumo e os investimentos em biocombustíveis, é decepcionante saber que na missão da corporação, que é mãe da subsidiária, não aparecem os combustíveis renováveis; mais ainda, neste importante relatório que resume o pensamento de momento da empresa, as palavras 'etanol' e 'biodiesel' não apareceram uma vez sequer. Etanol não combina com direção, mas combina com Carnaval. Faltou o etanol neste carnaval.
Na última parte deste texto, concluo relatando que leio o suprassumo do pensamento da Petrobras na mesma semana em que leio outros três artigos. Um sobre declarações do Premiê da China, ressaltando que o país vai "declarar guerra contra a poluição... que se tornou um problema social e que pode ameaçar a estabilidade do país", em parte causada pelos automóveis movidos a gasolina e diesel. Um segundo de uma renomada universidade americana, dizendo que crescem as chances de os EUA continuarem com as metas originais de etanol e não reformarem a lei de biocombustíveis. E o terceiro sobre os limites da revolução do gás de xisto nos EUA, mostrando a exaustão precoce de poços e que existe um valor mínimo do preço do barril para que a produção seja rentável – e este preço não é baixo.
Ou seja, na semana do Carnaval, formou-se um samba com diversas notas na minha cabeça:
- Primeira nota: China dá sinais de que a sustentabilidade passa a valer e terá um custo ao país, o que significa investimento em energias renováveis.
- Segunda nota: o petróleo tem consumo crescente e um limite mínimo futuro de preços.
- Terceira nota: o Brasil tem o programa mais respeitado mundialmente de substituição de combustíveis fósseis, o etanol de cana.
- Quarta nota: os EUA podem continuar crescendo em etanol na velocidade prevista anteriormente.
- Quinta nota: o etanol se encontra na situação atual de ser quase uma ação social de seus empreendedores (hoje mais um grupo pede recuperação judicial, com prejuízo milionário em 2013), principalmente porque o governo interfere na Petrobras, danificando seus preços e a rentabilidade da empresa – e, consequentemente, do etanol.
- Sexta nota: pelo fato de o etanol deixar de ser rentável, a Petrobras perde seu importante ímpeto investidor no setor e até o ignora no comunicado que é a essência de seu pensamento... jogando mais um balde de água fria.
Com estas notas, o samba que se forma na minha cabeça não poderia ter outro nome a não ser "o samba do crioulo doido".
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA)
A Petrobras, que congrega subsidiárias, veio a público hoje, logo após a nossa Quarta-feira de Cinzas, com um relatório geral sobre a empresa e suas atividades, ocupando uma página dos principais jornais. Estes relatórios são importantes peças de comunicação usadas pelas empresas, e mostram, na essência, o que fazem e pensam, quase que um resumo do seu plano.
Prof. Dr. Marcos Fava Neves
A Petrobras, que congrega subsidiárias, veio a público hoje, logo após a nossa Quarta-feira de Cinzas, com um relatório geral sobre a empresa e suas atividades, ocupando uma página dos principais jornais. Estes relatórios são importantes peças de comunicação usadas pelas empresas, e mostram, na essência, o que fazem e pensam, quase que um resumo do seu plano.
É dividido em quatro partes: a) gestão com foco na eficiência, produtividade e disciplina de capital; b) resultados operacionais; c) o plano estratégico 2030; e d) o plano de negócios para 2014-2018. São 26 parágrafos, com os destaques nessas quatro áreas. Li com atenção de cientista, primeiro por ter criticado bastante a ingerência na empresa nos últimos anos, e depois para ver o que ela propõe, principalmente na política de preços de combustíveis, um dos fatores que prejudicou a indústria da cana, da qual me considero cientista.
Nesta primeira parte do texto, analiso 2013. A Petrobras apresenta diversos números dignos de elogios, como o crescimento do lucro operacional em 6%, atingindo R$ 34,4 bilhões, e do lucro líquido em 11%, atingindo R$ 23 bilhões (quando comparados a 2012). Programas estruturantes, como o de otimização de custos operacionais, reduziram as despesas em R$ 6,6 bilhões, e o programa de desinvestimentos trouxe R$ 8,5 bilhões de contribuições ao caixa.
Segundo a empresa, programas de aumento de eficiência operacional foram importantes também, com resultados efetivos. Outro esforço louvável foi o de transferências internas de pessoal, que evitou novas contratações, e também foi sucesso o plano de desligamento voluntário.
A empresa justifica a queda na produção de petróleo e gás em 2013, de 2% em relação a 2012, comparando-se a algumas empresas mundiais que também tiveram quedas no período. É uma comparação difícil de entender, pois não se sabe se essas empresas tiveram acesso a novos campos de exploração no período ou se suas condições foram as mesmas da Petrobras. A capacidade de refino em 2013 aumentou em 6%, outro importante número face ao crescente consumo interno de diesel e gasolina.
Apesar da queda da produção verificada em 2013, a companhia promete que a produção crescerá neste ano 7,5% com novas unidades produtivas, o que é uma boa notícia aos brasileiros, afinal nosso consumo de gasolina cresceu 56% de 2009 a 2013, segundo a Bioagência, atingindo quase 42 bilhões de litros.
A empresa coloca como destaque o leilão do Campo de Libra, o primeiro sob o regime de partilha de produção. Leilão vencido pela própria Petrobras, em conjunto com Shell, Total, CNPC e CNOOC, sem dúvida parceiros de destaque, mas intriga o fato de não ter existido competição nesse leilão e a alta participação de recursos públicos brasileiros na oferta.
Um aspecto de extrema importância em relatórios e comunicados à sociedade refere-se ao valor das ações da empresa e sua evolução no período analisado, justificando ao acionista seu comportamento. O valor da ação da Petrobras sofreu forte queda nos últimos anos, refletindo no valor total da empresa. Não há referências no comunicado – ou justificativas – a essa queda, nem ao plano de reversão que se espera da gestão.
O relatório também coloca como destaque o programa de desinvestimentos da empresa, que se inicia em 2012 e já conta com R$ 23,4 bilhões em vendas de ativos. Também neste momento o comunicado relaciona a Petrobras a algumas de suas congêneres mundiais, dizendo que estas também fizeram grandes vendas de ativos.
Porém, de certa forma foram omitidas informações sobre a qualidade da venda desses ativos, que eram patrimônio da sociedade brasileira. Pesam contra a empresa rumores de que alguns desses investimentos e consequentes desinvestimentos foram supostamente lesivos à sociedade em diversos aspectos. Esta entrada de recursos também afetou favoravelmente o lucro da empresa, mas não aparece relacionada na justificativa para o lucro maior obtido.
Também é louvável conhecer que a empresa tem um programa de prevenção à corrupção desde 2013, que ressalta "o compromisso da empresa com a ética e a transparência". Resta esperar pelo aprimoramento deste programa em 2014, com a incorporação de itens que vetem patrocínios a movimentos ilegais e a atos de vandalismo, como os R$ 650 mil descobertos recentemente pela mídia aplicados pela empresa em um lamentável evento ocorrido em Brasília, que foi danoso à sua imagem nacional e internacional.
Na segunda parte deste texto, analiso as informações sobre o futuro da Petrobras. Dentro do plano estratégico 2030, o principal indicador que aparece é que a empresa pretende produzir 4 milhões de barris por dia entre 2020 e 2030, ficando entre as cinco maiores do mundo. O comunicado não oferece, e fica como sugestão, um importante dado em planejamento estratégico que é a estimativa de tamanho do mercado mundial, mas principalmente do mercado brasileiro de combustíveis, decorrente do tamanho de frotas e outros usos, e como a empresa prevê seu abastecimento. Seria interessante ao grande público saber se esse patamar de produção permite ao Brasil ser independente em combustíveis fósseis.
Segundo a empresa, ficam estabelecidas arrojadas metas de desenvolvimento, com aplicação de US$ 283,6 bilhões, sendo US$ 220,6 bilhões pela empresa e o restante por parceiros, tanto em refinarias como em exploração e produção. Para este investimento, usará sua geração operacional de caixa. A empresa acredita que o Brasil se tornará exportador líquido de petróleo. Não restam dúvidas de que são grandes investimentos que possibilitarão o desenvolvimento do Brasil.
Em relação a como financiar seu crescimento – o que tem relação com o crucial assunto da paridade dos preços dos combustíveis, algo criticado por 10 entre 10 cientistas brasileiros – são dois parágrafos, que não permitem uma visão clara. Trazem dois cenários opostos, sendo um com preços maiores de petróleo e real desvalorizado, o que melhora a situação da empresa. Mas no parágrafo seguinte, dá-se a entender que o cenário dominante é o de preços de petróleo menores e real mais valorizado, que traria "condições mais rigorosas de financiabilidade", pois a Petrobras acredita que será grande exportadora.
Interessante é que o relatório diz que para 2014-2018 a desvalorização cambial vai melhorar o resultado da empresa, mesmo no caso onde não houver paridade de preços dos combustíveis com os preços internacionais. Minha visão é justamente a contrária, ou seja, com o consumo interno crescente de combustíveis no Brasil – graças ao crescimento da frota e aos preços controlados, aliados à safra menor de cana devido à seca e ao maior volume de gasolina que precisará ser importado este ano – e com este real mais fraco que está sendo observado, a saúde financeira da empresa seria ainda mais prejudicada, pois importa gasolina em dólar e vende em real.
Para o plano estratégico de 2030, é reafirmada a missão de "atuar na indústria de petróleo e gás de forma ética, segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, fornecendo produtos adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua". Em outro momento do relatório, a empresa reafirma o plano de expansão da capacidade de refino e atuação na exploração de petróleo e gás na América Latina, África e EUA.
Mesmo conhecendo que existe uma subsidiária chamada Petrobras Biocombustível e que no plano estratégico da matriz, disponível para consulta no site da Petrobras, existem as projeções – ainda que tímidas – para o consumo e os investimentos em biocombustíveis, é decepcionante saber que na missão da corporação, que é mãe da subsidiária, não aparecem os combustíveis renováveis; mais ainda, neste importante relatório que resume o pensamento de momento da empresa, as palavras 'etanol' e 'biodiesel' não apareceram uma vez sequer. Etanol não combina com direção, mas combina com Carnaval. Faltou o etanol neste carnaval.
Na última parte deste texto, concluo relatando que leio o suprassumo do pensamento da Petrobras na mesma semana em que leio outros três artigos. Um sobre declarações do Premiê da China, ressaltando que o país vai "declarar guerra contra a poluição... que se tornou um problema social e que pode ameaçar a estabilidade do país", em parte causada pelos automóveis movidos a gasolina e diesel. Um segundo de uma renomada universidade americana, dizendo que crescem as chances de os EUA continuarem com as metas originais de etanol e não reformarem a lei de biocombustíveis. E o terceiro sobre os limites da revolução do gás de xisto nos EUA, mostrando a exaustão precoce de poços e que existe um valor mínimo do preço do barril para que a produção seja rentável – e este preço não é baixo.
Ou seja, na semana do Carnaval, formou-se um samba com diversas notas na minha cabeça:
- Primeira nota: China dá sinais de que a sustentabilidade passa a valer e terá um custo ao país, o que significa investimento em energias renováveis.
- Segunda nota: o petróleo tem consumo crescente e um limite mínimo futuro de preços.
- Terceira nota: o Brasil tem o programa mais respeitado mundialmente de substituição de combustíveis fósseis, o etanol de cana.
- Quarta nota: os EUA podem continuar crescendo em etanol na velocidade prevista anteriormente.
- Quinta nota: o etanol se encontra na situação atual de ser quase uma ação social de seus empreendedores (hoje mais um grupo pede recuperação judicial, com prejuízo milionário em 2013), principalmente porque o governo interfere na Petrobras, danificando seus preços e a rentabilidade da empresa – e, consequentemente, do etanol.
- Sexta nota: pelo fato de o etanol deixar de ser rentável, a Petrobras perde seu importante ímpeto investidor no setor e até o ignora no comunicado que é a essência de seu pensamento... jogando mais um balde de água fria.
Com estas notas, o samba que se forma na minha cabeça não poderia ter outro nome a não ser "o samba do crioulo doido".
Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto.
Em 2013 foi Professor Visitante Internacional da Purdue University (EUA)
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