NovaCana

Canavial de excelência: As usinas com as melhores práticas no campo em 2019/20

Unidade Santa Maria perde o pódio; concentração no uso de variedades é determinante para boa nota em ranking

NovaCana 9 min de leitura

A relação entre produtividade, idade e variedade do canavial é direta. De acordo com o consultor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Braga, essa informação é incontestável.

Considerando que as sucroenergéticas estão sempre procurando formas de melhorar sua situação financeira – diminuindo dívidas, aumentando a geração de caixa e tendo lucro com seus produtos –, é importante que seja feito um investimento no campo. Afinal, o canavial é a origem de tudo.

O IAC realiza, anualmente, um Censo Varietal em diversas unidades do Centro-Sul, a fim de entender o que está sendo plantado, e como, nos canaviais da região. O objetivo é levantar informações sobre as áreas e as variedades presentes no maior número possível de unidades produtoras de cana-de-açúcar no Brasil.

Na safra 2019/20, foram pesquisadas 217 unidades, que equivalem a 5,8 milhões de hectares – o que configura o censo como o maior do país.

Além disso, no processo de coleta de dados, a equipe também verifica os canaviais que mais se destacam em relação às suas práticas. Em meio à massiva utilização de variedades antigas, cortes cada vez mais tardios e práticas inadequadas, é importante reconhecer as usinas que estão fazendo um bom trabalho no campo.

Para isso, o IAC concedeu, pelo quarto ano, o Prêmio Excelência no Uso de Variedades de Cana-de-Açúcar. A honraria destaca as unidades produtoras e associações de fornecedores com menor Índice de Atualização Varietal (IAV) e menor Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA), na média dos rankings.

A nível nacional, a usina premiada foi a Buriti, do grupo Pedra Agroindustrial, localizada em Buritizal, na região de Ribeirão Preto (SP). Já a usina Santa Maria, do grupo J. Pilon, perdeu a primeira posição conquistada nas três edições anteriores justamente por causa do seu ICVA.

Em relação aos estados, São Paulo se destaca, e o Paraná figura no ranking pela primeira vez.

Confira, na versão completa, os destaques do Prêmio Excelência no Uso de Variedades de Cana-de-Açúcar referente à safra 2019/20, com as notas das usinas, mesorregiões paulistas e estados do Centro-Sul.

A relação entre produtividade, idade e variedade do canavial é direta. De acordo com o consultor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Braga, essa informação é incontestável.

Considerando que as sucroenergéticas estão sempre procurando formas de melhorar sua situação financeira – diminuindo dívidas, aumentando a geração de caixa e tendo lucro com seus produtos –, é importante que seja feito um investimento no campo. Afinal, o canavial é a origem de tudo.

O IAC realiza, anualmente, um Censo Varietal em diversas unidades do Centro-Sul, a fim de entender o que está sendo plantado, e como, nos canaviais da região. O objetivo é levantar informações sobre as áreas e as variedades presentes no maior número possível de unidades produtoras de cana-de-açúcar no Brasil.

Na safra 2019/20, foram pesquisadas 217 unidades, que equivalem a 5,8 milhões de hectares – o que configura o censo como o maior do país.

Além disso, no processo de coleta de dados, a equipe também verifica os canaviais que mais se destacam em relação às suas práticas. Em meio à massiva utilização de variedades antigas, cortes cada vez mais tardios e práticas inadequadas, é importante reconhecer as usinas que estão fazendo um bom trabalho no campo.

Para isso, o IAC concedeu, pelo quarto ano, o Prêmio Excelência no Uso de Variedades de Cana-de-Açúcar. A honraria destaca as unidades produtoras e associações de fornecedores com menor Índice de Atualização Varietal (IAV) e menor Índice de Concentração Varietal Ajustado (ICVA), na média dos rankings.

Com o cruzamento dos dados, o IAC chegou a nove unidades com os melhores resultados na média – número maior que o do prêmio anterior, o que pode indicar que as usinas estão tendo mais cuidado com o campo, mesmo que de forma ainda discreta.

Para definir os vencedores, são respeitados critérios como possuir área cultivada superior a 5 mil hectares, ter IAV menor ou igual a sete anos e ICVA menor ou igual que 75%. Desta forma, são premiadas as usinas regionalmente. A nível nacional, o prêmio vai para aquela que, além de possuir área cultivada superior a 5 mil hectares, tenha um IAV menor ou igual a cinco anos e um ICVA menor ou igual a 45%.

Assim, a usina premiada foi a Buriti, do grupo Pedra Agroindustrial, localizada em Buritizal, na região de Ribeirão Preto (SP). De acordo com Rubens Braga, essa é a primeira vez que outra usina fica no primeiro lugar do censo; nas outras três edições, a principal premiada foi a Santa Maria, do grupo J. Pilon.

O IAV da Buriti ficou em 4,53 – abaixo de cinco, o valor já é considerado satisfatório, de acordo com os critérios do Instituto. Um menor IAV significa que as variedades plantadas são mais novas, levando uma maior produtividade para o canavial.

Já o ICVA da unidade ficou em 40%, o que indica que as três principais variedades plantadas ocupam menos de 15% do canavial cada – uma característica que garante segurança genética. Braga explica que é perigoso haver concentração de uma mesma variedade, pois a suscetibilidade a doenças aumenta, ampliando os riscos para a usina e seus rendimentos.

excelencia1920 1 premio

A usina Santa Maria, da J. Pilon, perdeu a primeira posição justamente por causa do seu ICVA, que ficou em 45%. Mas a empresa ainda apresenta o melhor IAV entre as usinas analisadas, com 3,24. Além disso, ambos os indicadores demonstram melhoras no comparativo anual.

Das outras usinas premiadas, a Nova União, da Denusa, aparece novamente no ranking, com IAV ainda menor e melhor posição – a unidade foi da 22ª colocação para a décima. O ICVA também melhorou, passando do 48º para o 28º, o que fez sua posição no ranking médio subir.

A usina São Luiz, de Ourinhos (SP), também aparece novamente dentre as premiadas, porém com pioras em suas notas. O IAV da unidade aumentou, fazendo com que ele fosse da 39ª para a 47ª posição, enquanto seu ICVA aumentou um pouco, caindo da primeira para a segunda posição.

Rubens Braga, do IAC, destaca ainda a usina Jussara, do grupo Melhoramentos, que fez com que o Paraná aparecesse pela primeira vez dentre os premiados. De acordo com o consultor, isso ocorreu porque os indicadores da companhia atingiram os níveis mínimos de qualidade, fazendo com que o estado finalmente figurasse no ranking.

Estabilidade negativa

Com os outros dados do Censo, é possível fazer uma comparação entre as usinas premiadas, as regiões produtoras e o Centro-Sul em geral. O resultado reforça a ideia de que o setor sucroenergético está cada vez mais heterogêneo.

Enquanto as usinas melhor posicionadas de acordo com o ranking do IAC possuem Índices de Atualização Varietal entre 3,24 e 6,73 anos, a média do Centro-Sul é de 8,2 anos. A disparidade entre as unidades aumentou, na comparação com o ano anterior, assim como a média da região.

Em relação aos estados, São Paulo se manteve com 7,5 anos, enquanto Goiás (8,9) e Minas Gerais (9,3) tiveram pioras em seus indicadores. O Paraná, que aparece pela primeira vez nessa relação, registrou 7,7 anos.

excelencia1920 2 iav

É importante reiterar que, no caso do IAV, quanto menor o indicador, maior é o uso de variedade mais modernas. O valor considera o número de cultivares predominantes, suas datas de criação e a porcentagem da área que eles ocupam. De acordo com o IAC, valores abaixo de cinco são considerados satisfatórios, entre cinco e sete são intermediários e acima de sete, não recomendados.

Dessa forma, enquanto as médias dos estados e do Centro-Sul estão acima do recomendado, algumas usinas estão na faixa intermediária e outras até apresentam níveis satisfatórios, o que pode indicar que há a possibilidade de manter o canavial atualizado e protegido.

Já em relação ao Índice de Concentração Varietal Ajustado, a análise comparativa é um pouco menos pessimista – exceto quando se trata do Paraná – mesmo que não esteja necessariamente melhorando.

Neste caso, os ICVA das usinas premiadas variam de 34% a 50% – valores maiores do que em 2018/19, o que indica uma piora no comparativo anual.

Já as médias do Centro-Sul e de São Paulo melhoraram, enquanto Goiás e Minas Gerais apresentaram valores menos positivos. O Paraná, que aparece pela primeira vez no ranking, tem um dos piores índices de concentração de variedades do país, com 122%.

excelencia1920 3 icva

O ICVA mede a concentração de poucas variedades. Quanto maior o indicador, maior o acúmulo e, portanto, maior o risco biológico. Isso ocorre porque uma enfermidade pode atacar esses poucos cultivares com mais força, provocando grandes perdas para os produtores.

De acordo com o IAC, os valores menores do que 45% são considerados satisfatórios, entre 45% e 75% são intermediários e acima de 75%, não recomendados.

A média da produção de cana no Centro-Sul está na faixa intermediária, com 62%, e apresenta uma melhora em relação à safra anterior. Esse desempenho, ainda que seja positivo, ainda não é considerado ideal pelo instituto.

Ranking regional e estadual

Com base nos critérios utilizados pelo IAC para definir as usinas com as melhores práticas, o NovaCana elaborou um ranking com os estados e as mesorregiões pesquisadas pelo levantamento. Assim, é possível averiguar quem faz o melhor uso das variedades e a disparidade entre os indicadores em cada localidade.

Em relação aos estados que aparecem no estudo, São Paulo segue em primeiro lugar por ter os menores IAV e ICVA, tanto em comparação com os outros quanto com o Centro-Sul em geral. No lado oposto, em último lugar, está o Espírito Santo, com indicadores altos e bem acima da média, mais uma vez.

excelencia1920 4 estado

Minas Gerais e Goiás inverteram suas posições nas duas últimas safras, enquanto o Paraná caiu duas posições por ter apresentado um aumento expressivo no IAV.

Já sobre as mesorregiões paulistas, São José do Rio Preto segue em primeiro lugar, com um resultado um pouco acima de Assis.

excelencia1920 5 regiao

Jaú permanece em último e a principal mudança entre as duas safras ficou com a inversão de posição de Ribeirão Preto e Piracicaba, graças à piora nos indicadores da primeira.

Rafaella Coury – NovaCana

Compartilhar: