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Canaviais terão recuperação lenta, com mudanças apenas a partir de 2018, aposta Canaplan

canavial-011116Apesar do momento de recuperação e das perspectivas positivas, o alto endividamento das companhias sucroenergéticas e as condições climáticas continuarão sendo um dos principais inimigos do setor

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Apesar do momento de recuperação e das perspectivas — políticas e mercadológicas — positivas, o alto endividamento das companhias sucroenergéticas e as condições climáticas continuarão sendo um dos principais inimigos do setor, tanto nesta quanto nas próximas duas safras. Para compreender melhor esse futuro, a atual situação dos canaviais é um ponto chave – já que não é resultado exclusivo de questões pontuais, mas dependente de muitas variáveis.

A seguir uma sequência de gráficos analisando o comportamento dos canaviais brasileiros e as perspectivas para as próximas safras.

Apesar do momento de recuperação e das perspectivas — políticas e mercadológicas — positivas, o alto endividamento das companhias sucroenergéticas e as condições climáticas continuarão sendo um dos principais inimigos do setor, tanto nesta quanto nas próximas duas safras. Para compreender melhor esse futuro, a atual situação dos canaviais é um ponto chave – já que não é resultado exclusivo de questões pontuais, mas dependente de muitas variáveis.

Alguns pontos importantes para essa compreensão foram apresentados pelo diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, durante o Seminário Internacional de Açúcar 2016, evento realizado em São Paulo. Em uma de suas comparações, ele trouxe a evolução do índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por toneladas de cana, comparando a safra 2006/07 com a atual.

Ao longo dos últimos dez anos, as usinas do Centro-Sul saíram de um patamar acima de 145 kg de ATR/t para um nível em torno de 130 kg de ATR/t. A situação alcançou num nível crítico e, na opinião do diretor, a recuperação será lenta. “Nós estamos vivendo nos limites do ATR”, declarou. Além disso, a produtividade no campo também caiu. Em 2006/07, ela estava concentrada na faixa entre 80 a 100 toneladas de cana-de-açúcar por hectare. Agora, o setor apresentou resultados muito mais dispersos e mais de uma companhia registrou índice de 50 t/ha.

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Segundo Carvalho, a tendência é que o setor permaneça com uma situação similar até, pelo menos, 2018. “Enquanto todos nós estamos discutindo um período de recuperação, a verdade é que saímos de um patamar de 12 toneladas de ATR por hectare e agora estamos em um patamar de 10 toneladas”, afirma e completa: “A recuperação daqui para a frente será relativamente lenta”.

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Olhando um período mais recente, o diretor da Canaplan observa que, a partir da safra 2010/11, o setor sucroenergético brasileiro passou a viver uma estagnação em praticamente todos os produtos – a única exceção ficou por conta do crescimento da produção de anidro em 2011/12 e 2012/13. “Mas, nas últimas safras, o Brasil vem estagnado na sua oferta”, disse.

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Falta de investimento em plantio

Um dos principais fatores que influenciam nessa diminuição de produtividade é o envelhecimento dos canaviais. Conforme a Canaplan, a idade média ficou em 3,3 anos nas duas últimas safras, mas subiu para 3,4 em 2016/17 – um fator que trará consequências também para a próxima temporada.

“A próxima safra do Centro-Sul tenderá a ser menor que essa porque as questões fundamentais para o canavial já estão dadas”, Luiz Carlos Carvalho (Canaplan)

Afinal, para Carvalho, a ligação entre envelhecimento do canavial e produtividade é bastante direta: “Quando o canavial envelhece, a produtividade cai; quando o canavial rejuvenesce, a produtividade sobe. É uma relação fundamental, que permite uma visão mais clara de como poderá ser a safra”.

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De acordo com ele, os investimentos para o plantio de cana receberam um esforço grande em 2012 e em 2013. A partir de 2014, no entanto, o índice caiu de uma forma que ele considera “dramática”, gerando o aumento da idade média.

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Mecanização acelerada e mal planejada

Outro aspecto que prejudicou a produtividade dos canaviais brasileiros, segundo o diretor da Canaplan, foi o aceleramento da mecanização. Ele relembra que, em um período de 10 anos, o país saltou de 20% para 90% de mecanização na colheita e de 0% para 80% no plantio.

De acordo com ele, os investimentos nessa área também não foram decisões empresariais visando o lucro, mas reflexos de pressões ambientais e trabalhistas. “Com a mecanização, o ATR enfrentou uma queda dramática. Houve uma perda efetiva e estamos falando de aumentos de custo de produção”, alega.

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Isso acontece porque a colheita mecanizada aumenta a quantidade de impurezas na cana-de-açúcar, prejudicando a qualidade do produto. Também se estima que a colheita da cana crua – em oposição à cana queimada – favoreça a proliferação de pragas.

Ao mesmo tempo, a colheita mecanizada também protege o solo de um possível ressecamento e disponibiliza a palha da cana, que pode ser usada para a geração de energia elétrica.

Safras úmidas versus safras secas

Por fim, o clima é um aspecto que afeta a produtividade, mas está longe do controle dos usineiros. Carvalho explica que, quando a safra é úmida, a produtividade é muito maior do que em uma safra seca. “A volatilidade entre uma safra úmida e uma safra seca define o volume de cana [por hectare] que, obviamente, será muito maior ou muito menor”, completa.

“Nas últimas cinco safras, tivemos três úmidas e duas muito secas, duas com florescimento e duas com geadas. Ou seja, foram cinco anos muito complexos para o Brasil”, Luiz Carlos Carvalho (Canaplan)

Este ano, a safra foi marcada por um clima mais seco, o que gerou uma menor produtividade e está fazendo a safra acabar antes, prolongando o período de entressafra. “É por isso que a produção tenderá a níveis menores do que aqueles que inicialmente se imaginava”, conclui.

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Perspectivas para 2017/18 e 2018/19

Considerando a estagnação na produção vivida nos últimos anos e a idade do canavial, Carvalho acredita que, nas próximas duas safras, o Brasil deverá chegar, no máximo, à mesma moagem de 2016/17.

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“Para mudar isso, temos que produzir mais do que 10 toneladas de ATR por hectare, algo que não vai acontecer nem no próximo ano e nem no outro. É um processo de recuperação”, garante e aconselha: “O uso de tecnologia para isso é fundamental. Além disso, melhores preços devem estimular plantios em 2017. E, claro, aumentando o plantio, aumenta-se a produtividade”.

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O diretor também afirma que o etanol precisará de suporte para atender às metas estabelecidas para a COP 21, que prevê uma produção de 54 bilhões de litros em 2030: “A gente espera que o etanol receba uma política de Estado – não de governo, mas de Estado”.

Renata Bossle – NovaCana

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