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Canaplan vê final da safra de cana 2020/21 com otimismo e divulga números para 2021/22

Investimentos nos canaviais e tecnologia fizeram com que impactos do clima fossem menores que o inicialmente esperado

NovaCana 8 min de leitura

“Vivemos um momento estagnado de produção de cana-de-açúcar. Mas não é decadência, como o termo estagnação pode indicar; é recuperação”. Foi com estas palavras que o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, resumiu suas visões do final da safra 2020/21 e as perspectivas para o setor como um todo.

Ontem, 27, durante o webinar promovido pela Canaplan para comentar o andamento da temporada atual e as primeiras estimativas para a próxima, a equipe da empresa trouxe dados sobre clima, produtividade, idade média e área como destaques definidores dos resultados.

No comparativo com os números anteriores da consultoria, divulgados no final de maio, há uma melhora, com aumentos em todos os indicadores. A mudança se deve especialmente à rapidez com que ocorreu a safra 2020/21 – consequência da seca e da pandemia de coronavírus – e ao patamar atingido até então, que está próximo ao da anterior.

“Chegamos a uma safra inédita em vários pontos. Estamos vivendo em uma safra que figura dentre as melhores que vimos nos últimos anos”, Nilceu Cardozo (Canaplan)

Desta forma, Carvalho divulgou três cenários esperados até março do ano que vem. No médio, o Centro-Sul terminaria com 595 milhões de toneladas de cana processadas, 2,18% acima das 582,3 milhões esperadas na previsão anterior. Este incremento se deve especialmente ao momento atual da safra, que chegou a praticamente 500 milhões de toneladas processadas até o final de setembro.

“Vivemos um momento estagnado de produção de cana-de-açúcar. Mas não é decadência, como o termo estagnação pode indicar; é recuperação”. Foi com estas palavras que o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, resumiu suas visões do final da safra 2020/21 e as perspectivas para o setor como um todo.

Ontem, 27, durante o webinar promovido pela Canaplan para comentar o andamento da temporada atual e as primeiras estimativas para a próxima, a equipe da empresa trouxe dados sobre clima, produtividade, idade média e área como destaques definidores dos resultados.

No comparativo com os números anteriores da consultoria, divulgados no final de maio, há uma melhora, com aumentos em todos os indicadores. A mudança se deve especialmente à rapidez com que ocorreu a safra 2020/21 – consequência da seca e da pandemia de coronavírus – e ao patamar atingido até então, que está próximo ao da anterior.

“Chegamos a uma safra inédita em vários pontos. Estamos vivendo em uma safra que figura dentre as melhores que vimos nos últimos anos”, Nilceu Cardozo (Canaplan)

Desta forma, Carvalho divulgou três cenários esperados até março do ano que vem. No médio, o Centro-Sul terminaria com 595 milhões de toneladas de cana processadas, 2,18% acima das 582,3 milhões esperadas na previsão anterior. Este incremento se deve especialmente ao momento atual da safra, que chegou a praticamente 500 milhões de toneladas processadas até o final de setembro.

Mas os principais indicadores da nova previsão se referem ao rendimento, de 77,2 t/ha (um aumento de 2,17% em relação à previsão anterior), e à qualidade da cana, de 143,5 kg de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada (+4,21%). Eles levaram a um ATR de 85,4 t/ha (+6,48%).

Observando estas previsões, Carvalho defende que a região Centro-Sul está vivendo um processo claro de recuperação da produtividade.

A perspectiva ainda inclui um aumento na produção, chegando a 37,5 milhões de toneladas de açúcar (+11,6%) e 27,1 bilhões de litros de etanol de cana (+2,65%). Isso se deveria a um mix previsto de 46,1% para o adoçante, acima dos 44% esperados no final de maio.

A questão da produtividade foi o grande vetor da melhoria dos indicadores e do otimismo sentido pela equipe da Canaplan. Os números observados até este momento da safra 2020/21 demonstram patamares de produtividade acima das safras passadas, somados a um ATR alto graças à seca registrada ao longo do ano.

Isso demonstra, conforme o consultor Nilceu Cardozo, que a temporada atual foi definida no ano passado, de acordo com os investimentos feitos. “A safra 2019/20 foi a que tivemos o maior investimento dos últimos tempos”, declara. Estes gastos se concentraram especialmente no plantio, que teve um reflexo positivo na idade média do canavial: “Tivemos mais cana, com menor idade média”.

O analista Ciro Sitta concorda, explicando que a idade média do canavial teve uma melhora ao longo desta safra, ajudando a produtividade. Conforme o estudo da Canaplan, as canas mais velhas estão perdendo representatividade na plantação e mesmo elas estão mais produtivas. A razão para isso, conclui, é o investimento e a tecnologia.

Em uma pesquisa feita com unidades parceiras da Canaplan, foi constatado que houve um investimento de mais de R$ 1,5 mil/ha em cana soca na safra 2019/20, o que interfere diretamente nos resultados. Já nesta temporada, a grande maioria dos parceiros respondeu que manteve a quantia gasta ou até aumentou, o que deve se refletir no próximo ciclo.

“Em termos de investimento, com esses indicadores fica bem nítido que estamos realmente vivendo um novo ciclo, um ciclo de recuperação”, Ciro Sitta (Canaplan)

Cardozo explica que são justamente estes investimentos que protegem o setor dos impactos do clima. Segundo ele, se o canavial é bem tratado, as variações climáticas têm menos efeito e o alto dispêndio no plantio ou na soqueira, como foi visto ano passado, foi o grande diferencial desta safra.

“Até setembro, tivemos a melhor produtividade da série histórica [iniciada em 2016/17], uma das menores idades médias, a moagem mais alta para este período de todos os tempos e a alta qualidade da matéria-prima”, declara Cardozo.

Uma safra desconfiada

Em relação à próxima temporada, o analista Nilceu Cardozo afirma que o momento não é o ideal para fazer boas previsões devido à época do ano e à seca intensa que vem sendo observada. Afinal, graças à estiagem, houve um atraso no desenvolvimento dos canaviais, o que será sentido na próxima colheita.

Mesmo que os investimentos sigam e até aumentem, “chegaremos a março e abril com uma safra menor, no mínimo, desconfiada. O que vai levar a um início lento”, justifica o analista. Mas há uma aposta na recuperação dos canaviais.

Para chegar às suas estimativas iniciais, o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirma que é preciso observar todas as variáveis importantes: redução de área, aumento da idade média, novos efeitos climáticos e produtividade.

Carvalho explica que, quando a área influencia mais na produção do que a produtividade, não é exatamente uma estagnação da moagem, e sim uma decadência. “Quando é o caso, estamos andando para trás”, afirma e completa: “Viemos sofrendo com isso nas últimas safras, desde 2010, e estávamos andando na contramão do que a gente via dos grãos, por exemplo”.

Para 2021/22, porém, a perspectiva é outra, pois a produtividade está influenciando na produção, independentemente da redução de área. É isto que, para Carvalho, demonstra a recuperação do setor e, também, define os números previstos.

A área menor, aliás, influencia os diferentes cenários esperados pela consultoria. Independentemente do caso, a Canaplan projeta uma moagem próxima a da safra atual, mesmo que a produtividade não caia tanto.

Assim, se a produção for em 150 mil hectares, a perspectiva média é que sejam processadas 583 milhões de toneladas de cana, com 76 t/ha de rendimento e 138,5 kg/t de qualidade.

Desta forma, com um mix de produção açucareiro de 45%, seriam produzidas 33,9 milhões de toneladas do adoçante e 26,1 bilhões de litros de etanol de cana. Estes números são o teto esperado pela consultoria, mas a tendência é que eles sejam menores. “O mix é afetado pela qualidade e pela recuperação do etanol, mas o açúcar mantém força”, espera Carvalho.

Já no outro cenário, com uma área de 250 mil hectares, a expectativa média é de uma moagem de 575,4 milhões de toneladas de cana, mantendo o rendimento e a qualidade da cana já projetados.

A influência desta menor moagem, porém, se refletiria na produção, que ficaria em 33,4 milhões de toneladas de açúcar e 25,8 bilhões de litros de etanol. A consultoria manteve o mix em ambos os cenários.

Em todos os casos, a expectativa é de uma idade média do canavial de 3,65 anos, devido ao ano mais seco em 2020. Ainda assim, a influência dela na produtividade não deverá ser tão impactante, explica o analista Ciro Sitta.

Para além dos números, Carvalho chama atenção para os contextos que estão se desenhando para 2021/22. Dentre as notícias boas estão a recuperação da China, grande compradora do açúcar brasileiro; a melhora da produtividade da cana graças aos investimentos que se mantêm, demonstrando a resiliência da plantação; uma onda positiva de ofertas iniciais de ações na bolsa (IPO, em inglês); e novas oportunidades na linha de modernidades para o campo.

Por outro lado, as notícias negativas externas ao setor são ações impopulares esperadas do governo, sendo que a disputa entre lideranças municipais, estaduais e nacionais já estaria sendo desgastante; demora das privatizações e reformas necessárias; e falta de ações locais que melhorem a visão do Brasil no exterior.

Já as questões internas se referem a perda de área, especialmente pela competição com outras culturas mais rentáveis; menor replantio de cana ao longo de 2020; uma nova onda de fusões e aquisições, momento em que não acontece expansão; e um canavial cada vez mais envelhecido e exposto ao clima.

A conclusão de Carvalho, considerando todas as variáveis observadas este ano e esperadas para os próximos, é a importância dos investimentos. “Sempre precisamos cruzar os dedos contra a chegada de um novo cisne negro, mas a grande mensagem que a gente traz é que é tempo de investir”, defende.

Rafaella Coury – NovaCana

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