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Brasil está avançando na regulação para estimular produção e consumo do SAF, garante MME

Mercado global de combustível sustentável de aviação deve atrair até US$ 1,5 trilhão em investimentos até 2050, afirmam especialistas

Datagro 3 min de leitura

O Brasil tem potencial para se tornar um dos principais produtores mundiais de combustível sustentável de aviação (SAF), em um mercado que deve demandar investimentos de até US$ 1,5 trilhão até 2050, segundo especialistas.

As oportunidades e os desafios para o desenvolvimento dessa indústria foram discutidos na segunda-feira, 26, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo (SP).

O debate reuniu o coordenador dos assuntos de combustíveis sustentáveis de aviação do Ministério de Minas e Energia (MME), Darlan Silva dos Santos, e o líder regional para o setor aeroespacial da KPMG, Eliseo Llamazares, com mediação da sócia líder do agronegócio da KPMG, Giovana Araujo.

De acordo com Santos, a indústria ainda enfrenta obstáculos significativos para ganhar escala, especialmente em relação aos custos de implantação de novas unidades produtivas, à oferta de matéria-prima e à formação de um mercado consumidor disposto a absorver os custos adicionais do combustível sustentável.

“A produção global de combustível sustentável de aviação ainda não atende a 1% da demanda necessária, o que escancara um desafio, mas também uma oportunidade monumental”, disse e seguiu: “O mercado enfrenta gargalos como a pulverização da oferta e os custos elevados de implantação, em que o capex para uma biorrefinaria de SAF pode ser até 20 vezes maior do que o de uma usina de etanol”.

O representante do Ministério de Minas e Energia destacou que o Brasil está avançando na construção de um ambiente regulatório para estimular a produção e o consumo do combustível. A partir de 2027, está prevista a entrada em vigor de uma meta de redução de 1% das emissões no setor aéreo, percentual que deverá alcançar 10% até 2037.

“Mais do que regulação, estamos pavimentando o terreno para que o Brasil não seja apenas um participante, mas o maior protagonista global na indústria do SAF”, acrescentou Santos.

Na avaliação de Llamazares, da KPMG, o desenvolvimento desse mercado representa uma oportunidade de atração de investimentos e expansão industrial para a América Latina, especialmente para o Brasil, que reúne condições para assumir uma posição de destaque na cadeia global de combustíveis sustentáveis.

“Trata-se de desenvolvimento para o Brasil, para a América do Sul e para a América Central. Daqui até 2050, estima-se que os investimentos necessários para atender à demanda de SAF fiquem entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão. É uma quantia para a qual hoje existem muito poucas indústrias que realmente apresentam esse crescimento”, afirmou.

Para Llamazares, a dimensão dos investimentos necessários evidencia o potencial econômico da transição energética na aviação e abre espaço para o desenvolvimento de novos projetos industriais. “O Brasil tem potencial para ser um dos protagonistas, se não o maior protagonista, da indústria do SAF no mundo”, destacou.

O debate também colocou em perspectiva a importância de mecanismos como o book-and-claim, que permite a negociação dos atributos ambientais do combustível sustentável separadamente de sua entrega física, contribuindo para ampliar o acesso ao SAF e estimular a demanda.

As discussões evidenciaram que a consolidação desse mercado dependerá da combinação entre previsibilidade regulatória, disponibilidade de matérias-primas, financiamento de novos projetos e mecanismos capazes de conectar produtores e consumidores.

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