NovaCana

BNDES aprova ainda menos recursos para sucroenergéticas e mantém carteira de clientes limitada

bndes 171115Se a visão do banco continuar a mesma, a queda livre dos investimentos do setor sucroenergético via BNDES deve continuar. O valor contratado é 43% menor do que o fraco volume registrado em 2016

NovaCana 8 min de leitura

Se a visão do banco continuar a mesma dos últimos anos, a queda livre dos investimentos do setor sucroenergético via BNDES deve continuar. O valor contratado é 43% menor do que o fraco volume registrado em 2016 e cada vez menos áreas recebem investimento.

Os financiamentos não automáticos realizados pelo setor sucroenergético por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vêm caindo ano após ano. Após um auge de R$ 4,6 bilhões em 2014 – maior valor registrado em dez anos –, a quantia contratada vem diminuindo de forma significativa.

O valor até outubro de 2017 foi de R$ 226,17 milhões. Para se ter uma ideia, considerando apenas os 10 primeiros meses do ano, a queda nos financiamentos concedidos entre 2014 e 2017 foi de 93,4%. Já na comparação com 2016, a redução é de 42,9%.



Esta é a primeira vez desde 2004 em que apenas duas áreas do setor sucroenergético recebem investimentos do BNDES.



Ao longo dos últimos anos, o BNDES deixou de registrar projetos relacionados a estoque, logística, inovação e novas unidades.

Porém, chama a atenção as empresas que continuam conseguindo dinheiro com o banco. A maior parte das empresas que obtiveram recursos neste ano junto ao BNDES tem contratado recursos com frequência nos últimos cinco anos. No total, oito companhias captaram recursos em 2017, duas delas no segundo semestre.

Saiba mais:

- Total de financiamentos ano a ano
- Empresas que mais obtiveram recursos do BNDES em 2017
- Áreas que mais recebem investimentos
- Detalhes dos projetos que receberam recursos do BNDES em 2017

Os financiamentos não automáticos realizados pelo setor sucroenergético por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vêm caindo ano após ano. Após um auge de R$ 4,6 bilhões em 2014 – maior valor registrado em dez anos –, a quantia contratada vem diminuindo de forma significativa.

O valor até outubro de 2017 foi de R$ 226,17 milhões. Para se ter uma ideia, considerando apenas os 10 primeiros meses do ano, a queda nos financiamentos concedidos entre 2014 e 2017 foi de 93,4%.

Por sua vez, a diminuição anual total mais significativa (84,7%) aconteceu entre 2014 e 2015, do auge de R$ 4,6 bilhões para cerca de R$ 701,5 milhões no total de ambos os anos. De lá para cá, os números apenas diminuíram.

Em 2017, a tendência de queda deve se manter. Neste ano, apenas oito empresas contrataram financiamentos junto a BNDES, uma queda de 52% em relação a 2016 (17 empresas) e de 63% em relação a 2015 (22 empresas).

Muitas áreas, como inovação e instalação de novas unidades, deixaram de constar entre os projetos de financiamento aprovados junto ao banco ao longo dos últimos anos. Desde janeiro, inclusive, apenas duas frentes receberam recursos: o plantio de cana-de-açúcar e a expansão ou modernização industrial.

Valores contratados diminuíram 43% em 2017

Em 2016, foram contratados R$ 396,3 milhões no total, sem novos financiamentos após outubro. Assim, na comparação com o ano passado, a queda nos valores em 2017 é de 42,9%.

bndes 2017 221217 1

O número de projetos também caiu. Em 2017, até outubro, o BNDES concedeu recursos a 20 projetos no total, sendo cinco no segundo semestre. Em 2016, foram 26 projetos ao todo, nove deles no segundo semestre.

O último auge foi em 2009, com 272 projetos ao todo, sendo 219 deles até outubro. O pior resultado antes de 2016 foi registrado em 2011, quando foram 77 projetos no total, 64 deles até outubro.

Empresas que mais receberam dinheiro do BNDES

Oito empresas captaram recursos do BNDES em 2017, duas delas no segundo semestre.

A empresa que obteve os maiores valores foi o grupo Pedra Agroindustrial, com total de R$ R$ 55 milhões. Em seguida, aparecem a Usina Iacanga (R$ 39 milhões), do Grupo Ipiranga, e a Usina Cerradão (R$ 34,8 milhões).

bndes 2017 221217 2

No segundo semestre de 2017, captaram recursos apenas a Usina Sonora (R$ 26,3 milhões), da Companhia Agrícola Sonora Estância, e a Jalles Machado (R$ 20 milhões). Os investimentos foram destinados à expansão e modernização industrial e aos canaviais, respectivamente.

Histórico de contratações das empresas

A maioria das empresas que obtiveram recursos neste ano junto ao BNDES tem contratado financiamentos com frequência nos últimos cinco anos. Apenas a Usina Sonora e a Cerradão não apresentaram projetos em nenhum dos quatro anos anteriores. Neste ano, elas contrataram R$ 26,3 milhões e R$ 34,8 milhões, respectivamente.

bndes 2017 221217 3

A Pedra Agroindustrial, campeã de 2017, contratou recursos todos os anos, com exceção de 2014. O recorde da empresa aconteceu em 2013, com R$ 88,1 milhões.

A Agroterenas não captou recursos apenas em 2015 e o maior valor recebido pela empresa foi em 2013 (R$ 35,9 milhões). Já a Usina Iacanga não contratou recursos em 2013 e teve seu recorde em 2017, com R$ 39,1 milhões. Por sua vez, a Santa Luíza, que não contratou recursos em 2013, teve seu recorde do período em 2014, com R$ 41,3 milhões.

A Da Mata deixou de captar recursos em 2013 e 2015. Nesse caso, o maior valor foi de R$ 36,12 milhões, em 2016. Enquanto isso, a Jalles Machado não apresentou projetos em 2014 e 2016 e seu maior valor foi registrado em 2015 (R$ 84,8 milhões).

bndes 2017 221217 4

Destinação dos recursos

Do total de R$ 226,1 milhões contratados até outubro de 2017, R$ 164,9 milhões foram investidos no plantio de cana-de-açúcar e R$ 61,2 milhões em expansão e modernização industrial.

Só no segundo semestre foram destinados R$ 26,3 milhões para os canaviais e R$ 20 milhões para a estrutura industrial – ante R$ 144,9 milhões em canaviais e R$ 34,8 milhões em estrutura no primeiro semestre deste ano.

Esta é a primeira vez desde 2004 em que apenas duas áreas recebem investimentos. Ao longo dos últimos anos, o BNDES deixou de registrar projetos relacionados a estoque, logística, inovação e novas unidades.

Inclusive, investimentos para a implantações de novas unidades não são financiados pelo BNDES desde 2012, quando foram concedidos R$ 630,8 milhões às empresas Angélica Agroenergia (R$ 488,6 milhões), Noble Group (R$ 114,3 milhões) e Raízen (R$ 27,8 milhões).

Os últimos projetos na área de logística para açúcar e etanol são de 2014 (R$ 574,3 milhões), quando também foram registrados os últimos recursos para inovação (R$ 4,4 milhões).

Em 2015, R$ 20 milhões foram investidos em estocagem, sem registros de investimentos nessa área em 2016 e 2017. Além disso, no ano passado, foram registrados dois projetos de investimento em cogeração (R$ 31,3 milhões).

bndes 2017 221217 5

Recursos para os canaviais

O número de empresas que captaram recursos junto ao BNDES para o plantio de cana-de-açúcar teve uma queda expressiva nos últimos anos. Em 2017, até outubro, seis companhias investiram nos canaviais com dinheiro do banco, totalizando R$ 164,9 milhões – equivalente a 4,7% do orçamento de R$ 3,5 bilhões disponibilizado para o ProRenova.

bndes 2017 221217 6

O maior investimento foi da Pedra Agroindustrial, com R$ 55 milhões, seguida pela Usina Iacanga (R$ 39 milhões), do Grupo Ipiranga, e pela Santa Luíza (R$ 23,2 milhões), empresa de fornecimento de cana-de-açúcar da Usina Santa Isabel.

O número de empresas é bem menos expressivo do que o registrado em 2016, quando 17 buscaram financiamento junto ao BNDES para os canaviais. No ano passado, o maior investimento foi da Da Mata (R$ 36,1 milhões), seguida pela Agroterenas (R$ 26,9 milhões) e pela Santa Luíza (R$ 20 milhões).

Entre as usinas que captaram recursos em 2017 dentro do ProRenova, apenas a Jalles Machado não o fez em 2016.

bndes 2017 221217 7

Manutenção industrial e maquinário

O número de empresas que buscaram recursos para investir em expansão e renovação industrial também teve queda, porém, menos acentuada. Em 2017, duas empresas tiveram contratos com o BNDES na área aprovados até outubro.

A Usina Cerradão obteve R$ 34,8 milhões e a Usina Sonora contratou R$ 26,3 milhões provenientes do BNDES – esta segunda no segundo semestre. O total é de R$ 61,2 milhões até outubro.

Em 2016, apenas a Unidade WD aplicou nesta área, com R$ 55,2 milhões. Em 2015, a SJC Bioenergia investiu R$ 95,4 milhões e a Jalles Machado contratou R$ 84,8 milhões.

O auge no número de empresas mais recente é de 2012, quando sete companhias investiram na indústria, totalizando R$ 2 bilhões. Em dezembro daquele ano, a Raízen fez um empréstimo significativo, de cerca de R$ 1 bilhão, destinado a modernização agrícola do grupo em São Paulo e em Goiás.

bndes 2017 221217 8

Mariana Ohde – NovaCana

Compartilhar: