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Grandes grupos ganham com hedge de açúcar

acucar 081113Um privilégio das sucroalcooleiras mais capitalizadas, as operações de hedge de açúcar têm garantido a gigantes do setor como Biosev e Raízen cotações diferenciadas para o produto

NovaCana 5 min de leitura

Um privilégio das sucroalcooleiras mais capitalizadas, as operações de hedge de açúcar têm garantido a gigantes do setor como Biosev e Raízen cotações diferenciadas para o produto, mesmo num cenário de preços baixista para a commodity.

No caso da Biosev, por exemplo, a estratégia tem rendido ganhos consistentes em contratos pré-fixados negociados na bolsa ICE Futures, em Nova York.

Um privilégio das sucroalcooleiras mais capitalizadas, as operações de hedge de açúcar têm garantido a gigantes do setor como Biosev e Raízen cotações diferenciadas para o produto, mesmo num cenário de preços baixista para a commodity.

No caso da Biosev, por exemplo, a estratégia tem rendido ganhos consistentes em contratos pré-fixados negociados na bolsa ICE Futures, em Nova York.

Com um preço médio de 17,40 centavos de dólar por libra-peso, a subsidiária brasileira do grupo francês Louis Dreyfus fixou 574 mil toneladas de açúcar – o equivalente a 36% de sua exposição líquida para a safra 2015/16 - a R$ 46,28 cents/libra, valor 1,7% superior aos R$ 45,51 cents /libra fixados em 2014/15.

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A exemplo da Biosev, a Raízen, braço sucroalcooleira do grupo Cosan, fixou 998,7 mil toneladas de açúcar a serem produzidas no ciclo 2015/16 a R$ 46,61 c/libra. O volume é 8,9% superior ao hedge médio de R$42,79 cents/libra estabelecido para as 2,7 milhões de toneladas fixadas na safra 2014/15.

Estimativas da Job Economia apontam que a fixação do preço futuro do açúcar bruto em Nova York, nos contratos julho, outubro e março de 2016, e do câmbio, para os respectivos meses, poderia resultar em um preço de R$ 44 cents/libra para as usinas.

A operação é uma alternativa que, se bem gerenciada, pode render ganhos às usinas acima das atuais cotações do produto.

“A questão é que as usinas têm que fazer hedge independentemente de qualquer situação. A usina não pode aguardar o melhor momento, porque o melhor momento não aparece. É preciso ter um target price”, disse por telefone o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa.

Ritmo mais lento

Segundo cálculos da Archer Consulting, o volume de fixação das usinas para a safra 2015/2016, até 28 de fevereiro, era de 34% do total de açúcar a ser exportado no ciclo, com o preço médio de 16,91 cents/US$/libra ou 42,25 cents/R$/libra, já incluindo o prêmio de polarização. No mesmo período do ano passado, o volume fixado era de 47.01%.

Além da falta de crédito para as operações de hedge, o ritmo “mais lento” das operações reflete o atual momento de incerteza que vive o mercado de açúcar.

“O câmbio deu um alívio para as empresas. Quem aproveitou a valorização do dólar sobre o real se deu bem. Agora estamos vendo o mercado ir numa direção contrária. O câmbio está caindo, mas o preços do açúcar em NY não estão subindo na mesma proporção”, considera o diretor da Archer.

“Se este é o melhor momento ou não para fazer hedge, é difícil dizer. Está todo mundo esperando. O grande timer dessa safra vai ser o mix de produção. Este é o grande ponto”, aponta o diretor executivo da Bioagência, Tarcílio Rodrigues.

Conforme o executivo, a demanda por etanol começou “fortíssima” em 2015, diferentemente de anos anteriores, em que o produto começava a safra com preços altos na bomba e demanda retraída.

“Em anos anteriores, levava três meses para a demanda voltar. Este ano, em março, tivemos 47% mais demanda que no ano passado. São números assombrosos. Uma efetiva mudança no mix de produção certamente vai mexer com o mercado de açúcar”, afirma

Segundo estima, este deslocamento no mix de produção poderia “tirar” até 2 milhões de toneladas de açúcar “da noite para o dia”.

Antevendo uma produção de açúcar 5% maior em 2015/16, o Conab citou o câmbio como um incentivo às exportações do adoçante. Argumento que é contestado pelo diretor da Bioagência.

“O Brasil é um market maker. Toda vez que o câmbio é valorizado, você tem uma depreciação do produto número 11 [o açúcar VHP negociado na bolsa de Nova York]. Numa análise em reais, os preços são praticamente iguais. O incentivo [às exportações] ainda não veio. Os preços do açúcar estão baixos no mercado internacional e, para muitos países, é inviável produzir a commodity. Este estímulo à produção de açúcar no Brasil ainda não aconteceu no curto prazo. E não há estímulo ou razão para um aumento da produção do adoçante que, a meu ver, permanece estagnada”, argumenta Rodrigues.

Em se confirmando as perspectivas de um mix mais alcooleiro, a tendência é que as operações de hedge caiam na bolsa de NY, uma vez que a disponibilidade de açúcar para exportação será menor.

Mesmo entre os players de menor tamanho, como Alta Mogiana, Usina São João e Guaíra, considerados por Rodrigues como “bons exemplos” de operação de hedge entre os grupos com menor capacidade de produção, as apostas pendem, inicialmente, para o combustível e não para o adoçante.

“O melhor investimento que as usinas podem fazer neste momento é produzir etanol hidratado. Os produtores tem que ter uma visão de médio e longo prazo e não olhar apenas a arbitragem específica a um determinado período, para privilegiar um produto A, B ou C; [é preciso] tentar olhar o todo”, disse o diretor comercial da Usina Alta Mogiana e presidente da Câmara Consultiva de Açúcar e Etanol da BM&F Bovespa, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo.

Em entrevista ao portal NovaCana, o executivo deixou claro que a empresa deve manter suas apostas para a safra 2015/16 no hidratado.

Desde outubro do ano passado as exportações de VHP remuneram menos que o hidratado vendido domesticamente, segundo cálculos da F.O Litchs.

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Leonardo Siqueira – NovaCana

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