De olho na agenda ESG, sucroenergética aposta em agricultura regenerativa e ciclo de economia circular
A agenda ESG (vinculada a boas práticas ambientais, sociais e de governança) tem ganhado espaço no setor sucroenergético. Mais do que um diferencial, ela se tornou necessária para as empresas que têm metas de redução de suas emissões de carbono na atmosfera.
O setor conta inclusive com diferentes programas que medem a pegada de carbono das usinas, como o RenovaBio, que propicia a emissão de créditos de descarbonização (CBios), e o Low Carb Fuel Standard (LCFS), da Califórnia, que permite que usinas de diferentes países importem seu etanol para o estado norte-americano.
Na terceira edição de seu relatório de sustentabilidade, a Uisa (antiga Usinas Itamarati) destacou sua participação em ambos os programas e trouxe as principais ações da sucroenergética relacionadas à economia circular. O documento ainda lista projetos futuros, que irão melhorar as práticas de ESG da companhia.
No texto, a empresa reitera que a sustentabilidade e a redução de emissão de carbono são algumas de suas “principais diretrizes de atuação”. A Uisa, que registrou um lucro recorde de R$ 183,65 milhões na safra passada, também anunciou alguns investimentos, especialmente na área ambiental, para manter o seu crescimento.
Atualmente, de acordo com dados do relatório, a sucroenergética conta com mais de 35,8 mil hectares de terras próprias, com partes em vegetação nativa, e uma capacidade de moagem de 6,3 milhões de toneladas por safra.
Segundo o gerente de sustentabilidade da empresa, Caetano Grossi, a vegetação nativa inclui floresta e Cerrado. De acordo com ele, a área possui 179 espécies de aves, 163 de árvores e, ainda, 24 de mamíferos. A relação traz até mesmo espécies consideradas ameaçadas de extinção.
Grossi destaca que um dos pilares da Uisa é a agricultura regenerativa. “Solo, água, vegetação e biodiversidade são os nossos maiores patrimônios”, afirma e completa: “Eles possibilitam uma área de cana produtiva e sem fragilidade ou impasse”.
Ele ainda afirma que, as práticas ESG são um “caminho sem volta”: “No passado era uma obrigação, mas hoje passa a ser uma oportunidade”, completa. A Uisa alcançou um reaproveitamento de 92,6% de resíduos gerados no processo agroindustrial, feito destacado no relatório de sustentabilidade da companhia.
No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere detalhes sobre os diferenciais sustentáveis da Uisa, os projetos em andamento e as certificações da empresa.
A agenda ESG (vinculada a boas práticas ambientais, sociais e de governança) tem ganhado espaço no setor sucroenergético. Mais do que um diferencial, ela se tornou necessária para as empresas que têm metas de redução de suas emissões de carbono na atmosfera.
O setor conta inclusive com diferentes programas que medem a pegada de carbono das usinas, como o RenovaBio, que propicia a emissão de créditos de descarbonização (CBios), e o Low Carb Fuel Standard (LCFS), da Califórnia, que permite que usinas de diferentes países importem seu etanol para o estado norte-americano.
Na terceira edição de seu relatório de sustentabilidade, a Uisa (antiga Usinas Itamarati) destacou sua participação em ambos os programas e trouxe as principais ações da sucroenergética relacionadas à economia circular. O documento ainda lista projetos futuros, que irão melhorar as práticas de ESG da companhia.
No texto, a empresa reitera que a sustentabilidade e a redução de emissão de carbono são algumas de suas “principais diretrizes de atuação”. A Uisa, que registrou um lucro recorde de R$ 183,65 milhões na safra passada, também anunciou alguns investimentos, especialmente na área ambiental para manter o seu crescimento.
Atualmente, de acordo com dados do relatório, a sucroenergética conta com mais de 35,8 mil hectares de terras próprias, com partes em vegetação nativa, e uma capacidade de moagem de 6,3 milhões de toneladas por safra.
Segundo o gerente de sustentabilidade da empresa, Caetano Grossi, a vegetação nativa inclui floresta e Cerrado. De acordo com ele, a área possui 179 espécies de aves, 163 de árvores e, ainda, 24 de mamíferos. A relação traz até mesmo espécies consideradas ameaçadas de extinção.
Diferenciais sustentáveis
Grossi destaca que um dos pilares da Uisa é a agricultura regenerativa. “Solo, água, vegetação e biodiversidade são os nossos maiores patrimônios”, afirma e completa: “Eles possibilitam uma área de cana produtiva e sem fragilidade ou impasse”.
Ele ainda afirma que, as práticas ESG são um “caminho sem volta”: “No passado era uma obrigação, mas hoje passa a ser uma oportunidade”. A Uisa alcançou um reaproveitamento de 92,6% de resíduos gerados no processo agroindustrial, feito destacado no relatório de sustentabilidade da companhia.
De acordo com o gerente, esse reprocessamento de resíduos inclui tanto a reciclagem de certos materiais quanto a reutilização das biomassas geradas. Ele cita a torta de filtro, o bagaço, as cinzas e a fuligem, subprodutos originários da moagem da cana-de-açúcar, que são utilizados no campo, como biofertilizantes.
A empresa também possui um convênio com companhias de reciclagem que fazem a coleta seletiva de materiais como plásticos, papéis e vidros.
A destinação adequada também é feita com os resíduos considerados perigosos, como óleo e graxa, que podem ir para empresas de incineração ou de cimento. Por sua vez, as embalagens de defensivos são devolvidas.
Os 7,6% de detritos restantes acabam sendo descartados. Neste caso, Grossi explica que são resíduos “gerais”, que não conseguem passar pelos mesmos processos de reciclagem ou reutilização.
“O desafio agora é trabalhar para possibilitar que parte destes resíduos possam ser utilizados na própria adubação orgânica no processo de compostagem”, afirma o gerente de sustentabilidade.
Planta de biogás
Entre os projetos com foco em sustentabilidade, a Uisa já anunciou uma planta de biogás em parceria com a Geo Biogás & Tech. O investimento, de cerca de R$ 220 milhões, está em andamento e a previsão é de que as operações tenham início na temporada 2024/25.
Uma das utilizações previstas pela Uisa para o biogás é a geração de energia elétrica. Neste caso, ela pode ser dividida entre consumo próprio e exportação para concessionária, da mesma forma como já acontece com a energia gerada a partir da biomassa de cana.
Também existe a possibilidade de utilizar o biogás para produzir biometano, o que poderia diminuir ainda mais a pegada de carbono da Uisa. “Cerca de 25% da nossa frota rodoviária pode ser substituída por [veículos movidos a] biometano”, destaca Grossi.
Enquanto a planta não fica pronta, as matérias-primas que geram o biogás estão sendo utilizadas por outras frentes da companhia. A vinhaça, por exemplo, é aplicada na fertirrigação, pois concentra macronutrientes como o potássio.
Já a torta de filtro vai para a compostagem, onde é feito um composto orgânico que também será usado no plantio. Esse processo ainda recebe as cinzas resultantes do processo de filtragem e lavagem das caldeiras, evitando que o pó seja lançado na atmosfera.
Outros projetos em andamento
A Uisa conta com outros projetos em andamento, como a produção de levedura. Segundo Grossi, este se encontra em estágio mais avançado com a obra podendo ser finalizada até julho do próximo ano. A planta terá capacidade para produzir 9,5 mil toneladas por ano de levedura seca para nutrição animal, aproveitando resíduos do processo de fermentação da cana.
Além disso, a sucroenergética possui uma biofábrica de mudas pré-brotadas (MPB) de cana-de-açúcar, que pode fabricar até 1,7 milhão de mudas por temporada – volume quase atingido em 2021/22.
Grossi explica que, as MPB reduzem a dependência de produtos químicos nas plantas. Além disso, elas passam por um processo de qualidade: “São mudas que consomem menos e são mais resistentes ao ataque de pragas e a intempéries”.
Por fim, a Uisa também está utilizando blockchain para a rastreabilidade de seus produtos. O gerente de sustentabilidade explica que o principal objetivo é trazer mais transparência para o consumidor. “Através de um simples QR Code na embalagem do açúcar, ele pode identificar de onde veio a matéria-prima para produção daquele alimento”, aponta.
Grossi complementa que a sucroenergética também tem outras iniciativas voltadas para a implantação do blockchain em diversas situações da cadeia produtiva da companhia.
Certificações
Recentemente, a Uisa conquistou a nova certificação International REC Standard (I-REC). O programa permite que produtores de energia limpa emitam créditos para que empresas parceiras possam neutralizar suas emissões de carbono.
Mas esta não foi a primeira certificação da sucroenergética. Além de participar do RenovaBio, a Uisa também faz parte do programa californiano LCFS. A iniciativa norte-americana, que passou por recentes atualizações para as rotas produtivas, conferiu a nota 58,21 para a usina – a pior entre as 28 usinas brasileiras que atualizaram sua certificação.
Além disso, mesmo estando há dois anos no programa, a Uisa ainda não exportou etanol para o estado. “Estamos esperando um melhor momento para fazer alguma operação”, explica o gerente.
Grossi também afirma que a Uisa tem trabalhado fortemente para emitir CBios. A expectativa é melhorar o volume de cana-de-açúcar elegível para o RenovaBio por meio de ações como a diminuição no consumo de diesel, adubação nitrogenada e aplicação de calcário no canavial. Estas são maneiras de reforçar a nota e também aumentar as emissões de títulos.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualmente, 77,6% da matéria-prima da Uisa é considerada elegível para o programa. Considerando todas as 270 usinas certificadas que produzem etanol de primeira geração a partir da cana-de-açúcar, a Uisa possui a 37ª pior nota.
O gerente de sustentabilidade da Uisa explica que a realidade da companhia difere um pouco de outras empresas do setor, especialmente considerando a quantidade de área própria da Uisa. “Temos uma área de plantio de quase 40 mil hectares, então, devido a esse raio médio, o consumo de energia, de diesel e as emissões são maiores”, esclarece.
Ainda assim, Grossi é otimista e aponta que, a cada ano, as notas relacionadas aos programas de descarbonização vêm melhorando. Para esta safra, ele acredita ser possível um aumento tanto na nota quanto no volume de cana elegível para o RenovaBio.
Segundo ele, além das estratégias de descarbonização já em andamento, a companhia também conta com o programa Nossa Cana, onde trabalha juntamente com seus fornecedores para melhoria do desempenho dos canaviais. Para o gerente, trata-se de um caminho de melhoria contínua.
Inclusive, mesmo com tantos projetos em andamento, Grossi reconhece que há espaço para a Uisa crescer no quesito sustentabilidade. “Trabalhamos para melhorar as tecnologias, substituir o diesel pelo biometano, adotar processos de produção mais limpos”, afirma e completa: “Queremos melhorar o que a gente já vem fazendo”.
Giully Regina – NovaCana