Promovido pela Lallemand Biofuels & Distilled Spirits (LBDS), Biofuels Academy (BFA) acontece em 2 e 3 de dezembro, em São Paulo (SP)
O etanol brasileiro chega ao fim de 2026 no centro da agenda energética do país. Desde 1º de agosto, a gasolina comum vendida nos postos leva 32% de etanol anidro. Em janeiro de 2027, o Ministério de Minas e Energia (MME) começará os testes para uma mistura de 35% de etanol anidro na gasolina (E35).
Considerando a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção nacional de 41,88 bilhões de litros de etanol, crescimento de 11,7% em relação ao ciclo anterior.

Além disso, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) projeta que a demanda global por biocombustíveis no transporte chegue a 215 bilhões de litros anuais em 2030; aviação e navegação devem responder por mais de 75% do crescimento adicional da demanda até lá.

É nesse cenário que a Biofuels Academy Brasil 2026 (BFA) reúne, nos dias 2 e 3 de dezembro, no Grand Mercure Vila Olímpia, em São Paulo (SP), executivos e técnicos de biorrefinarias, petroleiras, mineradoras e indústrias químicas.
Realizado pela Lallemand Biofuels & Distilled Spirits (LBDS), o evento se apresenta como o principal encontro de biocombustíveis da América do Sul a integrar cana-de-açúcar, etanol de segunda geração (E2G) e cereais. O tema desta edição é “Biointeligência & Alta Performance”.
Mistura maior, demanda maior
O painel de abertura, “O futuro dos combustíveis renováveis”, trata diretamente das mudanças na bomba: E30 e E32, expansão do consumo, crescimento do etanol de milho e perspectivas para 2030 em Brasil, Argentina, Paraguai e Colômbia.
Entre os debatedores estão o presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Amaury Pekelman; e a líder de produto e novos negócios da BlockC, Adriana Berti.
SAF, navios e mineração
O painel “Etanol como substrato: novos modelos de negócio” coloca na mesma mesa o gerente executivo de energia renovável da Petrobras, Rodrigo Leão; a gerente de soluções de energia da Vale, Virgínia Perez; e o líder de estratégia e desenvolvimento comercial da BP Bioenergy, Saulo Delgado.
Em pauta: SAF e combustíveis marítimos, rotas tecnológicas, certificações internacionais e o papel do Brasil como fornecedor global.
Na mineração, a Vale mira o uso do combustível em locomotivas e caminhões fora de estrada como alternativa ao diesel. Na Petrobras, o desenvolvimento dos biocombustíveis integra a estratégia de transição energética, em seu plano de negócios para o período de 2026 a 2030.
Em relação à aviação, a Petrobras terá outro espaço, no segundo dia de evento, com o gerente geral de combustíveis sustentáveis, Radaés Fronchetti Picoli, falando sobre a expansão do SAF na América do Sul.
Segundo o Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2036, a demanda de etanol destinada à produção nacional de SAF e aos usos no transporte aquaviário e na aviação agropecuária deverá alcançar cerca de 3 bilhões de litros.
A estratégia da Organização Marítima Internacional (IMO) prevê que combustíveis e tecnologias de emissão zero ou quase zero representem ao menos 5% da energia usada no transporte marítimo internacional em 2030, com ambição de chegar a 10%.

Carbono que vira receita
Com relação ao mercado regulado de carbono, o painel “Mercado de carbono e monetização da descarbonização” reúne a diretora de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Lorena Mendes de Souza; o diretor executivo da House of Carbon, Paulo Costa; e o gerente de sustentabilidade da São Martinho, Oscar Paulino.
A conversa vai dos créditos de descarbonização do RenovaBio, os CBios, ao sistema internacional de compensação da aviação, o Corsia, passando pela captura do CO2 da fermentação para uso em alimentos, e-fuels e SAF.
O primeiro dia traz ainda debates sobre coprodutos como fonte de lucro; as novas exigências europeias “antibiotic free”; o uso de água e desafios da biomassa nas biorrefinarias; o biogás e o biometano; o óleo fúsel; e a estratégia enzimática.
Segundo estimativas divulgadas pelo Ministério da Fazenda, com base em estudos do Banco Mundial e do próprio ministério, o mercado regulado de carbono poderá elevar o PIB brasileiro em 5,8% até 2040, em relação ao cenário de referência, e gerar cerca de R$ 57 bilhões em receitas com leilões de permissões de emissão até aquele ano.

Palcos para a cana e para cereais
No segundo dia, a programação se divide. No palco sucroenergético, o gerente-executivo de operações industriais da Tereos, Enéas Cordeiro, discute os aprendizados das duas últimas safras: qualidade da matéria-prima, preço do ácido sulfúrico, chuvas e mix açúcar-etanol.
Já o especialista em bioprocessos na Raízen, Sérgio Oki, aborda o balanço de massa da fermentação. E, por sua vez, o gerente de qualidade Igor Metchko e o gerente de engenharia industrial Fábio Balam, ambos da BP Bioenergy, tratam da biotecnologia para máxima conversão e persistência da levedura ao longo da safra, respectivamente.
No palco de grãos, o gerente de produção na Inpasa, Maurício Munaro, aborda a importância da padronização para operações de alta performance. Já o diretor de negócios da Katzen International, Hugo Morais, fala da maximização da extração de óleo de milho.
À tarde, o palco principal recebe “A usina autônoma”, um painel sobre inteligência artificial no controle da fermentação e manutenção preditiva, com o arquiteto de soluções da Yokogawa na América do Sul, Rodrigo Monteiro; o CEO da Golgix, Nintin Ranjan; e o especialista de processos industriais da São Martinho, Guilherme Fraga.
Já a líder de desenvolvimento sustentável da Braskem, Roberta Manzini, mostra como o etanol pode substituir matérias-primas petroquímicas em bioquímicos e bioplásticos.
Além destas apresentações, representantes da LBDS apresentarão, nos dois dias de painéis, estratégias para alta performance.
O evento é totalmente presencial, com tradução simultânea para português nas apresentações em outros idiomas.

Serviço
BFA Brasil 2026 – Biofuels Academy
Data: 2 e 3 de dezembro de 2026
Local: Grand Mercure Vila Olímpia
Endereço: Rua Olimpíadas, 205 - Vila Olímpia - São Paulo (SP)
Programação completa e inscrições: bfa.lbds.com.br