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[Opinião] Biocombustíveis ainda precisam ser mais valorizados

Geopolítica deveria gerar reconhecimento sobre a importância de políticas adotadas nas últimas décadas

O Estado de S. Paulo 3 min de leitura

Por Plinio Nastari*

Em meio a preocupações com o desequilíbrio fiscal, juros elevados e meta de inflação sob risco, o setor de biocombustíveis oferece enorme contribuição à economia. Etanol anidro e hidratado e biodiesel são vendidos a preços mais do que vantajosos aos consumidores, oferecendo alternativa concreta para mitigar aumentos de preço dos combustíveis resultantes do conflito no Golfo Pérsico.

Caminham rapidamente na direção de reduzir a intensidade de carbono dos biocombustíveis segundo o critério de sustentabilidade mais avançado, que é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), inserida na legislação brasileira de indução de eficiência na produção e comercialização de veículos e de biocombustíveis, por meio do Mover, da Lei Combustível do Futuro e do programa RenovaBio.

Com a produção de biogás e biometano que substitui o diesel fóssil em operações agrícolas e transporte, a captura e armazenagem de carbono e a incorporação de carbono no solo, o etanol em breve poderá ser reconhecido como carbono-neutro ou até negativo, permitindo às montadoras atingirem no futuro a meta de emissão líquida zero, considerando todas as etapas do ciclo de vida do automóvel.

Ainda há um longo caminho a percorrer para aumentar o seu uso como combustível terrestre e aplicações nos transportes aéreo, marítimo e na produção de bioplásticos. O potencial é enorme.

Apenas com a retomada da proporção da frota flex que usava etanol em 2019 poderíamos ter um consumo anual de etanol até 8 bilhões de litros maior do que o observado atualmente. No caso do biodiesel, podemos avançar em misturas mais elevadas do que o B15 atual, assim que testes comprovarem sua viabilidade técnica.

Apesar de mais de 80% da frota de veículos de passageiros e comerciais leves ser flex, menos de 30% utiliza etanol. Por falhas de informação e preconceito, mesmo com forte estímulo de preço, ainda persistem resistências ao seu uso.

Temos legislação avançada, distribuição em nível nacional, integração virtuosa com o setor do petróleo e produção competitiva e certificada em eficiência e sustentabilidade. A geopolítica deveria estar gerando reconhecimento sobre a importância de políticas adotadas nas últimas décadas. Combatendo preconceitos e desinformação, ainda há espaço para que consumidores valorizem mais biocombustíveis limpos, renováveis e geradores de renda.

* Plinio Nastari é presidente da Datagro e foi representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)


Textos opinativos não necessariamente traduzem o posicionamento do NovaCana. A publicação visa estimular o debate e proporcionar uma variedade de pontos de vista para os leitores.

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