A promessa da Petrobras de implantar uma metodologia de precificação para a gasolina com base mensal trouxe um ânimo renovado para o mercado de combustíveis brasileiro
A promessa da Petrobras de implantar uma metodologia de precificação para a gasolina com base mensal, além de duas reduções já anunciadas para o preço do combustível nas refinarias, trouxe um ânimo renovado para o mercado de combustíveis brasileiro. Em relatório sobre os impactos da mudança, o Banco Pine desdobra esta perspectiva.
“A nova regra de preços, que irá balizar o mercado de combustíveis de gasolina e diesel no Brasil, é focada na ideia da paridade de importação dos combustíveis e na utilização das refinarias nacionais”, afirma. A paridade de importação é a cotação no mercado internacional multiplicada pela taxa de câmbio, somados os custos de transporte, seguro, tarifas portuárias e outros, além de uma taxa de remuneração da atividade, fixada pelo poder de monopólio.
Uma boa forma de estimar o futuro é revisando o passado. Assim, o banco avalia como o mercado seria diferente se a nova política já tivesse sido adotada no passado recente.
A promessa da Petrobras de implantar uma metodologia de precificação para a gasolina com base mensal, além de duas reduções já anunciadas para o preço do combustível nas refinarias, trouxe um ânimo renovado para o mercado de combustíveis brasileiro. Em relatório sobre os impactos da mudança, o Banco Pine desdobra esta perspectiva.
“A nova regra de preços, que irá balizar o mercado de combustíveis de gasolina e diesel no Brasil, é focada na ideia da paridade de importação dos combustíveis e na utilização das refinarias nacionais”, afirma. A paridade de importação é a cotação no mercado internacional multiplicada pela taxa de câmbio, somados os custos de transporte, seguro, tarifas portuárias e outros, além de uma taxa de remuneração da atividade, fixada pelo poder de monopólio.
Segundo os dados do Banco Pine, a estimativa, antes da última mudança de preços, mostrou que a importação do diesel era bem mais atrativa que da gasolina. A margem para o diesel no mercado spot interno estava em R$ 316/m3 (considerando a taxa de câmbio de R$ 3,36/US$). Já para a gasolina, a margem era de R$ 88/m³.
“Essa margem deverá permanecer positiva e alterar ao longo do tempo. Porém, mesmo que ela permaneça constante, os preços continuarão a se alterar em função dos preços internacionais do petróleo e da taxa de câmbio”, completa Brunetti.
Preços de mercado tem mais volatilidade
Segundo o relatório, a lógica de preços seguindo os mercados internacionais traz maior volatilidade ao mercado nacional. “Porém, a volatilidade dos preços dos combustíveis em reais é menor do que a volatilidade dos preços em dólar, pois a determinação da taxa de câmbio brasileira é muito influenciada pelos preços das commodities. Ou seja, a taxa de câmbio suaviza a variação dos preços dos combustíveis no mercado internacional”, pondera.
Também foi feita uma avaliação sobre o impacto dessa política no mercado de açúcar e etanol, considerando dados de anos anteriores. O objetivo desse exercício é tentar entender diferentes perspectivas para o futuro a partir de acontecimentos do passado.
O estudo envolve os preços da gasolina no mercado interno, considerando também os custos de frete e as margens da rede de distribuição e do varejo. “As relações não são totalmente respeitadas pelos modelos, mas é uma importante ferramenta para se compreender as possibilidades do mercado”, avisa o relatório.
Dessa maneira, se a política de preços atual tivesse já sendo seguida no passado recente, o Banco Pine estima que os preços pagos às usinas teriam sido relativamente maiores que os praticados desde 2006, especialmente entre os anos de 2011 até 2014 (chegando a mais de 50% em alguns meses). A partir de meados de 2014 os preços seriam muito próximos dos atuais.
Mercado de açúcar também seria impactado
Com os preços mais elevados dos combustíveis (tanto fosseis quanto renováveis), uma consequência seria a menor produção brasileira de açúcar. “Claramente, essa maior atratividade se traduz em uma produção maior de etanol e menor de açúcar. Segundo nossos cálculos, nas últimas quatro safras, em três delas a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil seria menor”, coloca o documento, mantendo o exercício.
Dessa forma, as temporadas que apresentaram grandes superávits globais de açúcar apresentariam um superávit menor no país, o que acabaria adiantando o atual quadro de déficit mundial de produção. A consequência disso seria que, na última safra, a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil teria sido maior que a efetivamente observada.
“Os mercados de açúcar e de combustíveis globais serão ainda mais integrados. Finalmente, a tão relatada correlação entre os preços do açúcar e do petróleo tendem a aumentar”, assegura Brunetti.
No entanto, ele ressalta que uma produção brasileira menor de açúcar resultaria em uma produção mundial menor e, consequentemente, traria uma reação para os preços: “Ou seja, o preço do açúcar iria subir e a produção do etanol não seria tão mais vantajosa do que a que está no modelo”.
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