Cotação do açúcar deve recuperar valor, mas só após a esperada baixa sazonalO Banco Standard Chartered enviou uma análise à seus clientes sobre a perspectiva futura para os preços do açúcar. A principal opinião do banco é que a cotação do açúcar deve continuar em declínio por algum tempo, em virtude de fatores sazonais, mas o investidor de longo prazo será recompensado.
Os demais destaques em relação as perspectivas para o açúcar:
- Projeção do preço para o próximo trimestre e os motivos das apostas
- Excedente ou déficit? Seis consultorias estão divididas
- As variações sazonais históricas para o açúcar
- As recomendações do StanChart para os investidores
- A ameaça do El Niño: possíveis consequências
A cotação do açúcar deve continuar em declínio por algum tempo, em virtude de fatores sazonais, mas o investidor de longo prazo será recompensado, acreditam analistas do Banco Standard Chartered (StanChart), que manifestaram "sérias preocupações" com a safra de cana no Brasil.
Segundo previsão do banco, os contratos futuros de açúcar bruto em Nova York devem ficar numa média de 17 cents/libra-peso no segundo trimestre (abril a junho), um pouco abaixo do que estão sendo negociados atualmente. Essa aposta funda-se na ideia de que a demanda se manterá limitada, uma vez que os consumidores farão uso de estoques acumulados quando os preços estavam menores.
Além disso, o mercado está entrando num período sazonalmente fraco para os preços, em que as usinas brasileiras caminham para o esmagamento da safra, o que reduz a competição por matéria-prima entre os compradores.
"As cotações do açúcar tendem a ser mais altas entre a metade de novembro e o começo de março, quando a produção brasileira mingua", diz Abah Ofon, analista do StanChart, ecoando os comentários de Luke Mathews, do Commonwealth Bank of Australia.
"Os valores também caíram em abril e maio de cinco dos últimos sete anos, em contraste com os meses de janeiro, junho e julho, que é quando o mercado de açúcar tem uma tendência de alta", afirma.
Por causa do medo dos efeitos da seca na região centro-sul do Brasil, principal produtora de cana, os contratos futuros do açúcar chegaram a 18,47 cents/libra-peso na primeira semana de março, maior cotação em quatro meses, recuando 8% desde então.

"Lembramos que as temperaturas extremas nos primeiro e quarto trimestres de 2012 provocaram uma redução de 10% na safra de cana, que fechou o ano com rendimentos de 71,6 t/ha, contra 78,9 t/ha em janeiro", afirma Ofon, do StanChart.
Ademais, mesmo nos atuais patamares de preço, bem acima dos menos de 15 cents/libra obtidos em janeiro, é mais rentável para as usinas transformar a cana em etanol do que em açúcar.
Além de "altos custos com energia importada e uma demanda firme de etanol", as fontes "citam altos custos de serviço da dívida, energia e logística e um ambiente trabalhista e regulatório rígido como razões para as margens entre pequenas e negativas na produção de açúcar", segundo Ofon.
"Com o consumo e a produção [na Índia] em níveis bastante parelhos, de aproximadamente 23,5 milhões de toneladas em 2013-14", e com os estoques do país exauridos em decorrência de medidas para estimular as exportações, "acreditamos que se houver algum déficit de oferta induzido pelo clima na próxima estação, ele será favorável para os preços", diz Ofon.
"Lembramos que as condições climáticas do El Niño afetaram negativamente a estação das monções na Índia em 2009, com a produção caindo mais de 40% e desencadeando uma disparada nas cotações do açúcar", complementa o analista.
O banco prevê uma cotação média de 20 cents/libra-peso no segundo semestre de 2014 e de 24 cents/libra em 2015.
As firmas de análise se dividem quanto ao tema: Green Pool, Louis Dreyfus Commodities e Kingsman preveem um excedente de produção, enquanto Datagro, FO Licht e Macquarie acreditam num déficit.
A corretora Marex, de Londres, tem uma visão diferente quanto à possibilidade do El Niño prejudicar a produção de açúcar na Índia. Segundo seus analistas, a crise de oferta de açúcar vista no país em 2009-10 deveu-se "principalmente" a fatores financeiros e a um grande número de agricultores que deixaram de plantar cana em virtude do alto índice de atraso nos pagamentos entre as usinas.
"Seja como for, o nível das águas na Índia está 30% mais alto do que há um ano, graças à monção acima da média no ano passado e às posteriores chuvas", acrescenta a firma.
Ofon, do StanChart, afirma que o setor indiano de açúcar "continua a sofrer com desabastecimento de água, atrasos no pagamento a produtores de cana e um ambiente regulatório dinâmico".
Agrimoney.com
Tradução e adaptação NovaCana
Os demais destaques em relação as perspectivas para o açúcar:
- Projeção do preço para o próximo trimestre e os motivos das apostas
- Excedente ou déficit? Seis consultorias estão divididas
- As variações sazonais históricas para o açúcar
- As recomendações do StanChart para os investidores
- A ameaça do El Niño: possíveis consequências
A cotação do açúcar deve continuar em declínio por algum tempo, em virtude de fatores sazonais, mas o investidor de longo prazo será recompensado, acreditam analistas do Banco Standard Chartered (StanChart), que manifestaram "sérias preocupações" com a safra de cana no Brasil.
Segundo previsão do banco, os contratos futuros de açúcar bruto em Nova York devem ficar numa média de 17 cents/libra-peso no segundo trimestre (abril a junho), um pouco abaixo do que estão sendo negociados atualmente. Essa aposta funda-se na ideia de que a demanda se manterá limitada, uma vez que os consumidores farão uso de estoques acumulados quando os preços estavam menores.
Além disso, o mercado está entrando num período sazonalmente fraco para os preços, em que as usinas brasileiras caminham para o esmagamento da safra, o que reduz a competição por matéria-prima entre os compradores.
"As cotações do açúcar tendem a ser mais altas entre a metade de novembro e o começo de março, quando a produção brasileira mingua", diz Abah Ofon, analista do StanChart, ecoando os comentários de Luke Mathews, do Commonwealth Bank of Australia.
'Típica baixa sazonal'
Declarando que as cotações do açúcar "parecem agora destinadas a seguir a típica baixa sazonal", Mathews observa que nos últimos sete anos as cotações futuras do açúcar sempre tiveram queda durante o mês de março, com uma perda média de 13%."Os valores também caíram em abril e maio de cinco dos últimos sete anos, em contraste com os meses de janeiro, junho e julho, que é quando o mercado de açúcar tem uma tendência de alta", afirma.
Por causa do medo dos efeitos da seca na região centro-sul do Brasil, principal produtora de cana, os contratos futuros do açúcar chegaram a 18,47 cents/libra-peso na primeira semana de março, maior cotação em quatro meses, recuando 8% desde então.

'Temperaturas extremas'
Contudo, o StanChart recomendou aos investidores a compra de futuros de açúcar com entrega para março de 2015, prevendo que os contratos então negociados a 18,42 cents/libra possam alcançar 22 cents/libra e destacando a perspectiva de perdas nos canaviais brasileiros, particularmente no importante estado de São Paulo, em virtude do clima desfavorável."Lembramos que as temperaturas extremas nos primeiro e quarto trimestres de 2012 provocaram uma redução de 10% na safra de cana, que fechou o ano com rendimentos de 71,6 t/ha, contra 78,9 t/ha em janeiro", afirma Ofon, do StanChart.
Ademais, mesmo nos atuais patamares de preço, bem acima dos menos de 15 cents/libra obtidos em janeiro, é mais rentável para as usinas transformar a cana em etanol do que em açúcar.
Além de "altos custos com energia importada e uma demanda firme de etanol", as fontes "citam altos custos de serviço da dívida, energia e logística e um ambiente trabalhista e regulatório rígido como razões para as margens entre pequenas e negativas na produção de açúcar", segundo Ofon.
El Niño: ameaça?
Prevendo um déficit de 1 milhão de toneladas na produção mundial de açúcar em 2014-15, o StanChart destacou como risco para a oferta de açúcar uma possível seca na Índia, caso o fenômeno El Niño venha a se concretizar."Com o consumo e a produção [na Índia] em níveis bastante parelhos, de aproximadamente 23,5 milhões de toneladas em 2013-14", e com os estoques do país exauridos em decorrência de medidas para estimular as exportações, "acreditamos que se houver algum déficit de oferta induzido pelo clima na próxima estação, ele será favorável para os preços", diz Ofon.
"Lembramos que as condições climáticas do El Niño afetaram negativamente a estação das monções na Índia em 2009, com a produção caindo mais de 40% e desencadeando uma disparada nas cotações do açúcar", complementa o analista.
O banco prevê uma cotação média de 20 cents/libra-peso no segundo semestre de 2014 e de 24 cents/libra em 2015.
Excedente ou déficit?
Tais observações são feitas num momento em que se debate a extensão dos danos provocados pela seca na safra brasileira de cana, assim como a possibilidade de o mundo voltar a ter um cenário de déficit de produção de açúcar em 2014-15, pela primeira vez nos últimos quatro anos.As firmas de análise se dividem quanto ao tema: Green Pool, Louis Dreyfus Commodities e Kingsman preveem um excedente de produção, enquanto Datagro, FO Licht e Macquarie acreditam num déficit.
A corretora Marex, de Londres, tem uma visão diferente quanto à possibilidade do El Niño prejudicar a produção de açúcar na Índia. Segundo seus analistas, a crise de oferta de açúcar vista no país em 2009-10 deveu-se "principalmente" a fatores financeiros e a um grande número de agricultores que deixaram de plantar cana em virtude do alto índice de atraso nos pagamentos entre as usinas.
"Seja como for, o nível das águas na Índia está 30% mais alto do que há um ano, graças à monção acima da média no ano passado e às posteriores chuvas", acrescenta a firma.
Ofon, do StanChart, afirma que o setor indiano de açúcar "continua a sofrer com desabastecimento de água, atrasos no pagamento a produtores de cana e um ambiente regulatório dinâmico".
Agrimoney.com
Tradução e adaptação NovaCana