Em um relatório de 14 páginas, a instituição financeira australiana fez apostas para a atual safra de açúcar e etanol no Brasil.
O banco australiano Macquarie divulgou recentemente um relatório que traz uma dose de otimismo ao mercado global de açúcar, que nos últimos meses tem visto preços pouco atrativos para o adoçante.
A consultoria alerta que embora os preços do produto tenham oscilado pouco graças aos elevados estoques da commodity no Brasil, há a possibilidade de os preços saírem da curva e subirem a níveis maiores que os registrados até então.
"Os preços continuam sendo negociados numa média; nós ainda vemos que o maior risco é o de uma quebra para cima [nos preços]", diz o documento.

Se por um lado os estoques elevados foram fundamentais para "corrigir" os preços da commodity, por outro, a liquidação em massa por parte dos especuladores nas últimas semanas ajudou a "exacerbar a mudança nos preços".
Os gráficos abaixo explicam a crença do banco numa possível melhora dos preços do açúcar. O posicionamento especulativo, que das últimas semanas para cá mudou drasticamente, agora está "mais limpo".

Para a instituição, o número reduzido das vendas externas de açúcar a partir de Santos tem mais a ver com a incapacidade dos portos brasileiros em enviar o produto a outros países do que necessariamente à escolha dos mercados consumidores em não comprar a commodity.
De abril a junho, o Brasil exportou apenas 4,6 milhões de toneladas de açúcar, informou a Macquarie. O volume é 20,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A incapacidade do porto de Santos de exportar o adoçante é atribuída à competição com outras commodities, como a soja, por exemplo. "Nós sabemos que alguns terminais que normalmente exportariam açúcar nesta temporada a partir de abril continuaram exportando soja, e também há o fato de que o terminal da Copersucar está apenas recomeçando a operar com força total", argumenta o banco.
A análise do banco foi apresentada antes da divulgação dos resultados financeiros da Biosev, Raízen, São Martinho e Tonon. Estas empresas informaram que nos últimos meses mantiveram estoques elevados de açúcar na expectativa de preços melhores.
"O estímulo e o consumo implícito mais forte da cana-de-açúcar neste ano virão da demanda doméstica do etanol no Brasil", destaca o relatório.
"O consumo total equivalente da gasolina (gasolina C e etanol hidratado) tem estado mais forte do que havíamos projetado, com um consumo 8,3% maior que no ano anterior no período que vai de abril a maio versus a nossa expectativa de uma demanda que seria apenas 5% maior em toda a safra", considera a consultoria australiana.
Se os preços do renovável continuarem nos níveis atuais – nas contas do banco, o valor do hidratado em relação à gasolina caiu para 66% - a demanda pelo combustível pode aumentar em até 2,4 bilhões de litros.
Contudo, se as projeções de um consumo mais forte de etanol se confirmarem, haverá menos cana disponível para a produção de açúcar.

O principal driver para as fracas vendas externas no mercado global é o grande volume de milho produzido nos Estados Unidos, bem como a maximização da produção de etanol naquele país.
"Esta dinâmica tem duas grandes implicações para o Brasil: primeiro, as importações de etanol dos Estados Unidos têm diminuído e, segundo, os Estados Unidos estão dominando o mercado global de exportação".

O único fator que pode atrapalhar o maior produtor de etanol do mundo é a questão logística: os custos de transporte do etanol americano estão aumentando, diz o banco Macquarie, o que poderia impactar a habilidade do país em exportar etanol.
Contudo, a variável não fará com que o país perca o posto de maior exportador do renovável. O que poderia ocorrer é uma ampliação na participação brasileira nas exportações mundiais.
O El Ninõ, que em geral causa secas na Ásia e chuvas na América do Sul, não teve nenhum impacto significativo no aumento das precipitações do Centro-Sul. "Embora a seca tenha conduzido a safra de cana a condições quase perfeitas, o risco é que estas condições [climáticas] ainda estejam limitando o potencial produtivo dos canaviais", analisa o documento.
Tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais, dois dos principais estados produtores do Centro-Sul, as precipitações alcançaram em 2014 os níveis mais baixos nos últimos 30 anos.
O maior risco, segundo o banco, é que a seca não apenas tenha impactado o potencial de produtividade da cana nestes estados, mas que ela possa afetar a cana que ainda está em maturação.


Leonardo Siqueira - NovaCana
O banco australiano Macquarie divulgou recentemente um relatório que traz uma dose de otimismo ao mercado global de açúcar, que nos últimos meses tem visto preços pouco atrativos para o adoçante.
A consultoria alerta que embora os preços do produto tenham oscilado pouco graças aos elevados estoques da commodity no Brasil, há a possibilidade de os preços saírem da curva e subirem a níveis maiores que os registrados até então.
"Os preços continuam sendo negociados numa média; nós ainda vemos que o maior risco é o de uma quebra para cima [nos preços]", diz o documento.

Se por um lado os estoques elevados foram fundamentais para "corrigir" os preços da commodity, por outro, a liquidação em massa por parte dos especuladores nas últimas semanas ajudou a "exacerbar a mudança nos preços".
Os gráficos abaixo explicam a crença do banco numa possível melhora dos preços do açúcar. O posicionamento especulativo, que das últimas semanas para cá mudou drasticamente, agora está "mais limpo".

Exportações menores de açúcar
O banco também analisou a fraca exportação de açúcar a partir dos portos brasileiros.Para a instituição, o número reduzido das vendas externas de açúcar a partir de Santos tem mais a ver com a incapacidade dos portos brasileiros em enviar o produto a outros países do que necessariamente à escolha dos mercados consumidores em não comprar a commodity.
De abril a junho, o Brasil exportou apenas 4,6 milhões de toneladas de açúcar, informou a Macquarie. O volume é 20,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A incapacidade do porto de Santos de exportar o adoçante é atribuída à competição com outras commodities, como a soja, por exemplo. "Nós sabemos que alguns terminais que normalmente exportariam açúcar nesta temporada a partir de abril continuaram exportando soja, e também há o fato de que o terminal da Copersucar está apenas recomeçando a operar com força total", argumenta o banco.
A análise do banco foi apresentada antes da divulgação dos resultados financeiros da Biosev, Raízen, São Martinho e Tonon. Estas empresas informaram que nos últimos meses mantiveram estoques elevados de açúcar na expectativa de preços melhores.
Aumento no consumo de hidratado
Outro ponto da análise da Macquarie que chama a atenção é a perspectiva de um mercado mais aquecido em relação ao consumo de etanol hidratado."O estímulo e o consumo implícito mais forte da cana-de-açúcar neste ano virão da demanda doméstica do etanol no Brasil", destaca o relatório.
"O consumo total equivalente da gasolina (gasolina C e etanol hidratado) tem estado mais forte do que havíamos projetado, com um consumo 8,3% maior que no ano anterior no período que vai de abril a maio versus a nossa expectativa de uma demanda que seria apenas 5% maior em toda a safra", considera a consultoria australiana.
Se os preços do renovável continuarem nos níveis atuais – nas contas do banco, o valor do hidratado em relação à gasolina caiu para 66% - a demanda pelo combustível pode aumentar em até 2,4 bilhões de litros.
Contudo, se as projeções de um consumo mais forte de etanol se confirmarem, haverá menos cana disponível para a produção de açúcar.

Exportações de etanol continuarão fracas
Já as projeções de exportação de etanol não são tão acalentadoras como a expectativa de consumo no mercado interno. "As exportações estão fracas e não há motivo para que elas sejam fortalecidas", projeta o documento.O principal driver para as fracas vendas externas no mercado global é o grande volume de milho produzido nos Estados Unidos, bem como a maximização da produção de etanol naquele país.
"Esta dinâmica tem duas grandes implicações para o Brasil: primeiro, as importações de etanol dos Estados Unidos têm diminuído e, segundo, os Estados Unidos estão dominando o mercado global de exportação".

O único fator que pode atrapalhar o maior produtor de etanol do mundo é a questão logística: os custos de transporte do etanol americano estão aumentando, diz o banco Macquarie, o que poderia impactar a habilidade do país em exportar etanol.
Contudo, a variável não fará com que o país perca o posto de maior exportador do renovável. O que poderia ocorrer é uma ampliação na participação brasileira nas exportações mundiais.
Precipitação tem níveis mais baixos em 32 anos
Outro ponto de destaque no relatório é a seca prolongada na principal região produtora do país.O El Ninõ, que em geral causa secas na Ásia e chuvas na América do Sul, não teve nenhum impacto significativo no aumento das precipitações do Centro-Sul. "Embora a seca tenha conduzido a safra de cana a condições quase perfeitas, o risco é que estas condições [climáticas] ainda estejam limitando o potencial produtivo dos canaviais", analisa o documento.
Tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais, dois dos principais estados produtores do Centro-Sul, as precipitações alcançaram em 2014 os níveis mais baixos nos últimos 30 anos.
O maior risco, segundo o banco, é que a seca não apenas tenha impactado o potencial de produtividade da cana nestes estados, mas que ela possa afetar a cana que ainda está em maturação.

Outros dados
A consultoria prevê que o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) em 2014/15 ficará em 134 t/kg. Já a moagem deverá ser de 564,2 milhões de toneladas.
Leonardo Siqueira - NovaCana