Os produtores de açúcar do Brasil estão avançando na dianteira das operações de hedging para a próxima safra
Encorajados pelos preços mais altos e, também, pelo potencial de maiores volumes de cana, os produtores de açúcar do Brasil estão avançando na dianteira das operações de hedging para a próxima safra, a julgar pelos grupos líderes do setor.
Encorajados pelos preços mais altos e, também, pelo potencial de maiores volumes de cana, os produtores de açúcar do Brasil estão avançando na dianteira das operações de hedging para a próxima safra, a julgar pelos líderes do setor, os grupos Raízen Energia e São Martinho.
A Raízen Energia, maior empresa exportadora de açúcar do mundo, revelou que vendeu 957,8 mil toneladas de açúcar, a partir do final de setembro, para o período de 2016/17 – seis meses antes da próxima temporada começar.
Isso representou um aumento de 69% sobre as 565,8 mil toneladas de hedging registradas no mesmo período do ano passado, apesar de um preço mais baixo em dólares.
A Raízen fez a operação de hedging da colheita atual em 12,9 centavos de dólar por libra-peso (cents/lb), ante um preço médio de cobertura para o futuro de 17,44 cents/lb registrado há um ano, embora a fraqueza do real faça com que a equação seja bem menos pessimista para o produtor brasileiro do que poderia parecer em uma primeira impressão.
“Quase excedendo capacidade”
No início da semana, São Martinho anunciou que, a partir do final de setembro, realizou as vendas futuras de 340,528 mil toneladas de açúcar para 2016/17, o equivalente a 38% da cana que espera esmagar durante a temporada que inicia em abril.
No ano anterior, as vendas futuras para o perído de 2015/16, tinha contabilizado um volume mais modesto, de 136,150 toneladas, equivalente a 14,4% da safra de cana prevista pelo grupo até o momento.
A extensão da cobertura hedging reflete em parte o potencial para um aumento da moagem de cana no próximo ano. Com as chuvas recentes, que atrasaram a colheita de cana neste ano, a expectativa é de cana bisada para a próxima temporada e a previsão é de bons rendimentos agrícolas na próxima safra.
“A chuva foi muito boa este ano", apoiando as perspectivas para um "grande volume de cana-de-açúcar para a próxima safra”, disse a investidores Felipe Vicchiato, o diretor financeiro da São Martinho.
“Dada a precipitação e a condição de nossos campos, temos um volume muito interessante a ser esmagado” em 2016/17, disse. Ele acrescenta que, na verdade, a cana pode acabar "quase superior à nossa capacidade instalada" de processamento (que é de 20 milhões de toneladas).
“Nunca se sabe o que vai ser surpresa”
As operações de hedging também têm sido incentivadas pelos preços mais elevados, com um aumento nos mercados de futuros, além de fraqueza do real, dando um duplo impulso a receita das usinas brasileiras.
Apresentando-se com uma margem “interessante” para 2016/17, de cerca de R$ 400 por tonelada – dado um preço de venda de cerca de R$ 1.200 por tonelada e os custos de caixa para São Martinho de cerca de R$ 1.200 por tonelada – o grupo tinha decidido optar pela segurança e elevar as operações de hedging.
“Nós nunca sabemos qual será a surpresa vinda do hemisfério norte em termos de açúcar e os incentivos de alguns governos para as exportações de açúcar, como a Índia”, disse Vicchiato.
“Então, é mais uma medida cautelosa na tentativa de travar em uma margem interessante para o próximo ano, do que ter uma visão totalmente diferente do que tivemos no ano passado”, quando a taxa de hedging foi menor.
Lucros, as receitas de origem
Os dados da Raízen Energia foram lançados no resultado do trimestre de julho a setembro da Cosan, que detém metade do negócio. Os outros 50% são detidos pela Royal Dutch Shell.
As receitas da Raízen Energia para o período lançado aumentaram 24% em relação à base subjacente, para R$ 2,9 bilhões, influenciadas pelo crescimento dos valores do açúcar, em termos reais e em volume de vendas.
O aumento do volume de vendas fez a Raízen Energia vislumbrar uma queda nos estoques de açúcar de 11,5% comparado ao mesmo período do ano ano anterior, indo para 1,40 milhões toneladas a partir do final de setembro.
Os estoques de etanol foram para 921 mil toneladas, caindo 14,9% na comparação com a safra anterior.
Ganhos subjacentes antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) aumentaram 20% para R$ 837 milhões.
Agrimoney
Tradução e adaptação NovaCana