Em recuperação judicial desde 2019, a empresa teve uma redução de 83,2% nas perdas líquidas
Em recuperação judicial desde 2019, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) enfrentou uma série de mudanças na safra 2020/21. Em agosto do ano passado, a companhia conseguiu aprovar seu plano de recuperação e, em janeiro, seu controle foi transferido para o fundo Lone Star – ambos acontecimentos foram marcados por recursos e controvérsias.
Para completar, a sucroenergética ainda precisa reestabelecer seus resultados. Na safra 2020/21, a empresa teve um prejuízo de R$ 264,22 milhões, conforme balanço publicado no Diário Oficial de São Paulo.
Embora seja negativo, o número representa uma melhora na saúde financeira da Atvos, que fechou a temporada anterior com um saldo negativo de R$ 1,54 bilhão, um dos piores já registrados pela companhia. O último lucro visto pela empresa foi na temporada 2017/18, com um montante de R$ 493,70 milhões.
Este pode ser o começo de uma progressão nos resultados. Em seu plano de recuperação judicial, a Atvos prevê uma redução do seu endividamento em até 50%.
No texto completo (exclusivo para assinantes), leia mais:
- Moagem de cana-de-açúcar e produção
- Evolução do lucro bruto
- Relação entre receitas e custo
- Perfil das dívidas e classe de credores
Em recuperação judicial desde 2019, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) enfrentou uma série de mudanças na safra 2020/21. Em agosto do ano passado, a companhia conseguiu aprovar seu plano de recuperação e, em janeiro, seu controle foi transferido para o fundo Lone Star – ambos acontecimentos foram marcados por recursos e controvérsias.
Para completar, a sucroenergética ainda precisa reestabelecer seus resultados. Na safra 2020/21, a empresa teve um prejuízo de R$ 264,22 milhões, conforme balanço publicado no Diário Oficial de São Paulo.
Embora seja negativo, o número representa uma melhora na saúde financeira da Atvos, que fechou a temporada anterior com um saldo negativo de R$ 1,54 bilhão, um dos piores já registrados pela companhia. O último lucro visto pela empresa foi na temporada 2017/18, com um montante de R$ 493,70 milhões.

Este pode ser o começo de uma progressão nos resultados. Em seu plano de recuperação judicial, a Atvos prevê uma redução do seu endividamento em até 50%.
Moagem e produção
A Atvos, que controla nove unidades, processou cerca de 26,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ciclo 2020/21. O montante representa 73,2% da capacidade total da sucroenergética que, de acordo com seu balanço, investiu R$ 14 bilhões em renovação e expansão do canavial, assim como em ações para manutenção das finanças da companhia.
No período, a produção da empresa atingiu os 2 bilhões de litros de etanol, 426 mil toneladas de açúcar VHP e 2,8 mil GWh de energia elétrica.
O CEO da Atvos, Gustavo Alvares, afirmou em entrevista à Agência Estado que, mesmo com os desafios impostos pela pandemia de covid-19, foi possível manter o nível de produção da empresa durante a safra 2020/21.
No balanço financeiro, foi destacado que a companhia adotou diversos protocolos do Ministério da Saúde e que os principais impactos da crise sanitária foram sentidos no primeiro trimestre (abril a junho) de 2020, com uma recuperação durante a mesma temporada. O texto completa, no entanto, que ainda não é possível dimensionar o reflexo da pandemia para as próximas safras.
Resultado operacional
Em relação ao lucro bruto, a Atvos contabilizou um aumento de 253,9% na comparação anual, totalizando R$ 872,97 milhões em 2020/21 ante os R$ 246,67 milhões vistos na safra anterior. Este é o melhor resultado desde a safra finalizada em março de 2018, quando a companhia apresentou R$ 561,95 milhões.

A empresa também registrou um aumento de 12,2% em sua receita líquida, somando R$ 5,10 bilhões. O custo com as vendas dos produtos também subiu, mas em menor patamar, apenas 3,5%, fechando em R$ 4,24 bilhões.
Com isso, a relação entre os custos da Atvos representaram o equivalente a 83,1% das receitas, uma redução de sete pontos percentuais em comparação com a safra anterior. Este também foi o melhor índice da empresa nos últimos dez ciclos; em 2012/13, a companhia chegou a atingiu 115,7%, caracterizando prejuízo já na fase operacional.

Parte das receitas da empresa veio também da comercialização de 2,4 milhões de créditos de carbono (CBios), do programa RenovaBio. Eles totalizaram uma receita de R$ 103,09 milhões.
Perfil das dívidas
Ainda conforme o balanço divulgado, os débitos da empresa com empréstimos e financiamentos somavam R$ 15,33 bilhões em 31 de março deste ano. Deste total, R$ 15,28 bilhões se referiam às dívidas de longo prazo, e apenas R$ 51,4 milhões tinham vencimento no decorrer da safra atual.
Dentre os financiamentos a longo prazo, cerca de R$ 14,92 bilhões estavam vinculados ao plano de recuperação judicial da empresa. Um ano antes, estavam sujeitos às regras do documento R$ 11,69 bilhões dos débitos a curto prazo e R$ 3,82 bilhões com vencimento superior.

Conforme reportagem do Valor Econômico, o Lone Star planeja realizar um empréstimo de R$ 780 milhões para a companhia, com o objetivo de liberar canaviais que se encontram em seu próprio penhor. Entretanto, bancos que detém R$ 12 bilhões de créditos devem se opor à proposta, uma vez que o Lone Star ficaria ao mesmo tempo na posição de financiador e tomador de crédito.
Atualmente, segundo o balanço financeiro divulgado, as premissas que constam no plano podem ser resumidas em créditos trabalhistas reestruturados e, ainda, outras três classes de dívidas.
A chamada Classe II, de garantia real, está sujeita a duas regras de pagamento. Na primeira, um valor correspondente a 54% dos créditos de cada credor deve ser pago depois de uma carência de amortização até dezembro de 2022, com juros de 115% da taxa de Depósito Interbancário (DI). Os 46% restantes poderão ser utilizados pelos credores elegíveis para subscrição e integralização de debêntures a serem emitidas pela empresa. Essas ações terão valor nominal unitário atualizado pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Já a Classe III, formada por débitos quirografários não financeiros terá um pagamento integral realizado com uma incidência de juros equivalente e amortização do crédito em três anos, a partir da data de homologação do pedido. Um ano depois desta autenticação judicial, o valor será dividido em três parcelas anuais. O texto ainda coloca que, o restante das dívidas quirografárias financeiras também terão um período de amortização e juros de 115% sobre a taxa DI e que, a partir de março de 2023, os juros serão pagos em 47 parcelas trimestrais.
Por fim, a Classe IV compõe as pequenas e médias empresas, que terão duas opções para recebimento. A primeira é um pagamento de R$ 50 ou do valor total do crédito, em uma única parcela com vencimento em 90 dias a partir da data de homologação do processo. Ou, então, um pagamento integral com incidência de juros equivalentes à Taxa Referencial (TR) e amortização do crédito em três anos.
O documento também aponta uma forma de crédito extraconcursal aderente, para pagamento com as mesmas condições da Classe II.
Giully Regina – NovaCana