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Mercado interno deve ser principal suporte dos preços do milho, diz Rabobank

O aumento na demanda virá do setor de combustíveis e da cadeia produtiva de carnes

Globo Rural 3 min de leitura

O mercado interno deve se manter como protagonista para o setor de milho no Brasil em 2027. A avaliação é do banco holandês Rabobank, que atualizou nesta quarta-feira, 4, suas projeções para o agronegócio brasileiro para 2027, em uma coletiva de imprensa em São Paulo (SP).

O aumento na demanda virá do setor de combustíveis, para a produção de etanol, e da cadeia produtiva de carnes, com o grão para a alimentação dos plantéis de criação.

O consumo interno deve crescer 7,1%, passando de 98 milhões para 105 milhões de toneladas. Só as usinas que produzem o biocombustível a partir do cereal devem demandar 32 milhões de toneladas em 2027. Neste ano, foram 27 milhões.

As exportações também devem aumentar, projeta o banco holandês. O volume de embarques deve passar de 36 milhões para 38 milhões de toneladas (+5%).

“Essa nova dinâmica do mercado interno está mudando a precificação do milho, com exportadores olhando mais para o longo prazo. O diferencial de base está encolhendo e exportadores tender a sofrer mais para originar o cereal”, disse a analista de mercado Marcela Marini.

O Rabobank projeta um aumento de 1,8% na área plantada com milho no Brasil, de 22,3 milhões para 22,7 milhões de hectares. A produção total deve subir 0,7%, de 140 milhões para 141 milhões de toneladas (32 milhões de toneladas no verão e 109 milhões na segunda safra).

Marini explicou que o ritmo acelerado do plantio de soja deve favorecer a semeadura do cereal, ainda que em um ritmo menor que o de anos anteriores, em função dos custos elevados e das atuais condições financeiras do produtor.

“Não vai ter muita margem para investimento. Mas a área de milho deve aumentar. Estamos vendo a importância do milho na composição da receita do produtor e ele tende a maximizar o uso do seu principal ativo, que é a terra”, disse.

O crescimento da demanda, no entanto, deve compensar essa alta na colheita e limitar pressões sobre os preços do milho. A expectativa de um quadro mais apertado de oferta e demanda global e de redução de estoques na safra 2026/27 deve dar um suporte adicional às cotações.

“O ano de 2027 deverá combinar demanda interna estruturalmente mais forte, estoques mais ajustados e maior dependência do desempenho da segunda safra, oferecendo algum suporte aos preços, mas mantendo elevada a exposição a riscos climáticos e macroeconômicos”, resume o banco, no relatório divulgado nesta quarta-feira.

Raphael Salomão

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