Documento enviado pelo grupo detalha as suas expectativas e quais são suas apostas para os segmentos de açúcar e etanol
Numa reunião pública com analistas e investidores, o Grupo São Martinho revelou quais são suas expectativas e metas para as safras 2014/15 e 2015/16.
Documento enviado pelo grupo detalha as suas expectativas e quais são suas apostas para os segmentos de açúcar e etanol. A empresa aponta também os desafios que o setor deverá enfrentar no próximo ano
Numa reunião pública com analistas e investidores, o Grupo São Martinho revelou quais são suas expectativas e metas para as safras 2014/15 e 2015/16.
Em um documento enviado no início da semana à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia do Ministério da Fazenda que regula os mercados financeiro e de capitais, o grupo detalhou quais são suas apostas para os segmentos de açúcar e etanol.
No documento, também estão apontados os desafios que o setor deverá enfrentar no próximo ano, e quanto a empresa deverá ganhar com investimentos imobiliários.
Açúcar
Com a expectativa de um câmbio mais elevado na safra 2015/16, cotado a R$ 2,70, a remuneração do açúcar deverá ser um pouco maior em 2015/16 em relação à segunda metade de safra 2014/15, que vai de outubro de 2014 a março de 2015.
Embora a previsão seja de um leve recuo na cotação do açúcar, de 17,36 centavos de dólar por libra-peso na segunda metade de 2014/15 para 17,30 centavos de dólar por libra-peso em 2015/16, a alta do dólar deverá compensar a pequena retração no preço em dólar da commodity, conforme apresenta o quadro abaixo.

Da primeira para a segunda metade da safra 2014/15, a São Martinho projeta uma alta de 8,64% no preço do açúcar, já cotado em reais, com base em um câmbio médio de R$ 2,47.
As estimativas da São Martinho sinalizam para uma recuperação lenta dos preços do açúcar no mercado internacional, cuja retomada depende, conforme também aposta a agência de classificação de riscos Fitch Ratings, “de um déficit muito maior em 2015/2016 e da força das moedas dos maiores exportadores”.
Sem revelar suas projeções quanto a um déficit de açúcar em 14/15, que é estimado por consultorias como a Datagro em 2,4 milhões de toneladas, a São Martinho deixou claro que não espera uma recuperação dos preços no curto prazo.
“Estoques mundiais ainda estão elevados, postergando o ‘rally’ de preços de açúcar no curto prazo”, confirmou o documento.

Etanol
A incerteza quanto a definição de uma política mais clara para o setor de combustíveis é refletida na apresentação da São Martinho a investidores e analistas.
Ao considerar o cenário político-econômico para o setor de etanol, o documento limita-se a falar apenas em “potencial” e “desafios” quanto ao combustível renovável.
São apontados como potencial o crescimento do percentual de veículos flex, o “possível” retorno da Cide e o “possível” aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27,5%, impulsionando um aumento na demanda de anidro de aproximadamente 1 bilhão de litros.
A posição externada no início da semana para os investidores em relação ao aumento da mistura é mais cautelosa do que a da Presidente da Unica, Elizabeth Farina e do diretor técnico Antônio de Pádua Rodrigues. Os representantes da Unica sugerem que falta para o governo apenas escolher a melhor data para o novo percentual entrar em vigor.

A São Martinho aponta como desafios no mercado doméstico o controle governamental do preço da gasolina e a forte oferta pelo combustível no país. No mercado externo, pesa a redução do mandato de etanol da Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês), assim como a diminuição do potencial de exportação para os Estados Unidos.
No documento, a São Martinho comenta ainda os investimentos feitos com terras em áreas urbanas. Segundo a empresa, o valor presente líquido (VLP) dos negócios imobiliários em andamento deverá chegar a R$ 111 milhões, número 80% maior do que o valor da terra nua.

Outros detalhes, como o cronograma de amortização da dívida, o projeto de otimização da moagem da Usina Boa Vista e a expansão da capacidade de produção prevista para 2014/15 estão na íntegra do documento.
Leonardo Siqueira – NovaCana