Resultado líquido da companhia, de R$ 134,74 milhões, é o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do recorde visto no período anterior
A temporada passada foi de maiores gastos para as sucroenergéticas, que enfrentaram altas nos preços dos insumos e do diesel. Contudo, uma parcela considerável das companhias conseguiu manter suas margens positivas devido aos bons preços do açúcar no mercado internacional e às melhores moagens.
No caso da São Manoel, localizada em São Manuel (SP), a queda no lucro líquido foi de 33,3% na comparação anual, de R$ 201,88 milhões em 2021/22 para R$ 134,74 milhões em 2022/23. Ainda assim, estes são os dois resultados mais altos da sucroenergética na série histórica, iniciada em 2014/15.
“O desempenho operacional e econômico da companhia nesta safra demonstrou resultado positivo frente às instabilidades econômicas e tributárias que afetaram os preços do etanol, bem como a alta de preços e ofertas de insumos devido ao cenário econômico global e, mais uma vez, reforçou nossas convicções positivas sobre o modelo de gestão que vem sendo adotado”, relata a administração da usina, em relatório publicado no jornal Valor Econômico.
De acordo com o documento, a moagem da São Manoel em 2022/23 totalizou 3,36 milhões de toneladas, alta de 3,2% na comparação anual e apenas levemente abaixo das 3,37 milhões de toneladas vistas em 2020/21.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Indicadores no campo
- Histórico de moagem e de resultados financeiros
- Receitas com os produtos vendidos
- Impacto da alta nos custos de produção
- Lucro bruto da companhia
- Pagamento de juros
- Perfil da dívida, incluindo captações e investimentos
- Desempenho em relação à moagem
A temporada passada foi de maiores gastos para as sucroenergéticas, que enfrentaram altas nos preços dos insumos e do diesel. Contudo, uma parcela considerável das companhias conseguiu manter suas margens positivas devido aos bons preços do açúcar no mercado internacional e às melhores moagens.
No caso da São Manoel, localizada em São Manuel (SP), a queda no lucro líquido foi de 33,3% na comparação anual, de R$ 201,88 milhões em 2021/22 para R$ 134,74 milhões em 2022/23. Ainda assim, estes são os dois resultados mais altos da sucroenergética na série histórica, iniciada em 2014/15.
“O desempenho operacional e econômico da companhia nesta safra demonstrou resultado positivo frente às instabilidades econômicas e tributárias que afetaram os preços do etanol, bem como a alta de preços e ofertas de insumos devido ao cenário econômico global e, mais uma vez, reforçou nossas convicções positivas sobre o modelo de gestão que vem sendo adotado”, relata a administração da usina, em relatório publicado no jornal Valor Econômico.

De acordo com o documento, a moagem da São Manoel em 2022/23 totalizou 3,36 milhões de toneladas, alta de 3,2% na comparação anual e apenas levemente abaixo das 3,37 milhões de toneladas vistas em 2020/21.
Ainda segundo a sucroenergética, o rendimento médio dos canaviais na temporada passada foi de 77,8 t/ha, com uma elevação de 9,1% ante a temporada anterior. Em contrapartida, a qualidade da cana – medida pela concentração de açúcar total recuperável (ATR) – caiu 2%, de 141,8 kg/t para 139 kg/t.

Para 2023/24, a São Manoel espera que a produtividade siga crescendo. “A perspectiva é bastante positiva, uma vez que nossos canaviais estão atingindo um ganho considerável de produtividade, alinhado à política de qualidade máxima no campo, advinda de investimentos relevantes e ajustes de rotas de produção”, afirma a companhia.
A usina também divulgou que pretende seguir concentrando o direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar.
Receitas e custos
Também segundo os números apresentados, o faturamento bruto da São Manoel foi de R$ 1,03 bilhão em 2022/23, crescimento anual de 0,5%. Dentro deste valor, os três produtos com maior representatividade foram destinados ao mercado interno: açúcar cristal, com R$ 430,21 milhões (+60,4%); etanol anidro, com R$ 269,84 milhões (-18,5%); e etanol hidratado, com 142,75 milhões (+2,2%).
Com as exportações, a São Manoel obteve R$ 128,14 milhões (-37,9%), sendo R$ 50,11 milhões com açúcar cristal (-41,9%); R$ 39,09 milhões com açúcar VHP (-58,8%); R$ 29,85 milhões com etanol anidro (+70,5%); e R$ 9,08 milhões com etanol hidratado (+17,3%). Além disso, a companhia ainda comercializou no mercado doméstico: levedura (R$ 20,79 mi), CBios (17,38 mi), bagaço de cana (R$ 11,05 mi), açúcar VHP (R$ 4,66 mi) e óleo fúsel (1,37 mi).
Considerando os impostos, a receita líquida da sucroenergética passa a ser de R$ 946,35 milhões, alta de 0,8% em relação à safra anterior. Os custos da companhia, entretanto, aumentaram 18,2% na mesma comparação, para R$ 740,33 milhões.

Com isso, as despesas representaram o equivalente a 78,2% dos ganhos, elevação de 11,5 pontos percentuais em comparação com a temporada 2021/22. A perspectiva da São Manoel, entretanto, é de uma recuperação neste índice a partir dos próximos ciclos.
“Continuaremos, nos próximos anos, a envidar todos os esforços necessários para reduzir os custos da empresa, segundo métodos avançados de gestão, visando aumentar sua rentabilidade e seu valor para os acionistas, sem, contudo, nos desviarmos dos nossos alvos de sustentabilidade e contribuição com a sociedade, sendo assim uma companhia perene”, promete a administração da sucroenergética.
Com este desempenho, o lucro bruto da usina teve uma queda de 34% na comparação anual, mesmo com a contabilização de uma valorização de R$ 16,25 milhões no valor justo do ativo biológico (cana em pé). Em 2022/23, o resultado da companhia foi de R$ 222,27 milhões, ante R$ 336,9 milhões na safra anterior.

Juros, dívidas e investimentos
Conforme os números apresentados, em 31 de março de 2023, a dívida bruta da São Manoel com empréstimos e financiamentos era de R$ 771,92 milhões, queda de 5,4% em relação à posição de um ano antes. Este também é o segundo ano consecutivo com retração neste valor.
“Durante a safra 2022/23, a estratégia utilizada pela companhia foi a de redução do endividamento de modo a consumir o estoque de caixa acumulado durante o período da pandemia para a liquidação da dívida corrente, reduzindo desta forma o custo financeiro”, explica o relatório da administração.
Ainda assim, o valor destinado ao pagamento de juros sobre empréstimos e financiamentos subiu 79,5% na temporada, de R$ 52,53 milhões para R$ 94,32 milhões. Este número foi um dos principais motivadores da alta de 85,4% nas despesas financeiras da companhia, que somaram R$ 167,19 milhões.
O valor foi apenas parcialmente minimizado pelo crescimento de 96,3% nas receitas financeiras, que totalizaram R$ 41,85 milhões em 2022/23. Com isso, o balanço financeiro da São Manoel ficou negativo em R$ 125,34 milhões – esta é a primeira vez na série histórica que a sucroenergética ultrapassa o nível de R$ 100 milhões.

O documento ainda aponta que as dívidas com vencimento ao longo de 2023/24 totalizavam R$ 104,5 milhões no momento do encerramento da safra passada. O valor representa uma retração de 42,3% em comparação com os débitos comprometidos no curto prazo que foram contabilizadas no ano anterior.
Em contrapartida, o endividamento da companhia com vencimento em longo prazo subiu 5,2% na mesma comparação, para R$ 667,43 milhões. Ao final de 2021/22, a São Manoel já havia registrado um aumento similar, de 5,1%, para R$ 634,72 milhões.

Além disso, a empresa observa que houve uma alta de 21% na dívida líquida, que encerrou a temporada a R$ 413,76 milhões. O valor traz descontos referentes ao caixa disponível, aos saldos de derivativos e à conta corrente vinculada à Copersucar.
“A variação da dívida líquida reflete o aumento dos investimentos em produtividade agrícola e dos custos de produção devido à instabilidade econômica e tributária no mercado nacional, bem como a alta de preço e oferta de insumos como fertilizantes, petróleo, commodities e problemas relacionados à logística nas operações de importação e exportação de maneira geral”, justifica a companhia.
Em 2022/23, a São Manoel levantou R$ 184,5 milhões em recursos externos. “Destacamos a captação junto ao BNDES, no montante de R$ 100 milhões, através da linha RenovaBio, recurso destinado ao incentivo da melhoria da eficiência energético-ambiental e da certificação da produção de etanol”, complementa o relatório.
Ainda segundo a companhia, os investimentos realizados na temporada somaram R$ 392,73 milhões, elevação de 17,3% ante os R$ 334,93 milhões vistos em 2021/22.
Desempenho em relação à moagem
Outra forma de encarar os resultados financeiros de uma sucroenergética é comparando estes números à moagem de cana-de-açúcar. Em 2022/23, a São Manoel obteve um resultado líquido positivo de R$ 40,10 por tonelada – novamente, este foi o segundo maior valor da série histórica, ficando 35,2% atrás dos R$ 62,02/t contabilizados em 2021/22.

Além disso, a companhia registrou uma queda de 2,4% nas receitas no mesmo comparativo, indo a R$ 281,65/t. Os custos, por sua vez, subiram 14,5%, para R$ 220,34/t; ou seja, a maior moagem não foi suficiente para compensar as altas nos valores. Com isso, o lucro bruto da companhia caiu 36,1%, para R$ 66,15/t.
Em relação ao endividamento, os R$ 229,74/t registrados correspondem à posição bruta com empréstimos e financiamentos em 31 de março de 2023. Neste caso, houve uma retração de 8,3% na comparação anual.
Renata Bossle – NovaCana